9 de janeiro de 2012

Nova página no blog: Artes

Toda gente faz artes, mas uns se esquecem de fazer depois que deixam de ser crianças. O caso comigo é que tento não deixar de ser criança. Não deixar de ser criança, criatura e criador, Criar é o caso; criar livre de obrigação de não ser criança, livre de qualquer criador, mas tentando permanecer criatura consciente do ato da criação. Creio que criei algo, mas creio sobretudo que necessito continuar criando para permanecer criatura e um pouco criança.
Crio em diversos campos. Aqui publico agora algumas criações: umas recentes, outras de outrora - no campo das artes visuais. Já tem alguma coisa na pasta Artes, logo vai ter mais.
Você pode ver direto nos slideshows:
Pintura A


23 de setembro de 2011

Eleição direta cá e lá

A universidade embarcou na moda e anseio de eleições diretas quando o país inteiro clamava "Diretas Já" e a adoção intracampi foi mais ou menos um lenitivo para a derrota da aspiração mais ampla. Há argumentos, alguns até bons, favoráveis à eleição direta e mesmo aos critérios proporcionais, de diferentes matizes, adotados; mas creio que estejamos mais sob o império de um dogmatismo enaltecedor do voto direto que propensos à racionalidade argumentativa quando nos alinhamos a estes processos de escolha.
Democracia não é uma explosão de luzes
e cores, toda feita de alegrias. Isso é
queima de fogos no réveillon.
Em tese, sempre fui contra as eleições diretas – aberta exceção histórica do momento da grande campanha de Ulisses e Tancredo. Não aceito o argumento de que as pessoas, todas, a um só tempo, tenham a qualificação suficiente para escolha competente de mandatários executivos. Acredito mais em eleições indiretas, colégios qualificados em escala, eleição distrital e mesmo no fim da escolha eletiva para cargos executivos de mandato imperial temporário como os que temos. Numa utopia em que eu fosse o Licurgo, os executivos seriam designados por competência para exercício ad nutum de funções gerenciais sob diretriz de algum colegiado eleito de forma mista (majoritária e distrital) que tivesse funções bem mais simples que a de tecer louvores e prebendas em causa própria.
Mas não é assim que as coisas são, e que sejam como são. Por absurdo, imaginemos uma grande estatal, ou economia mista, aderindo aos critérios eletivos em voga: a eleição de seu presidente por todos os acionistas: uma cabeça um voto – desesperador; a eleição qualificada (direta), cada eleitor com o peso das ações (ordinárias) em carteira – é o que temos, grosso modo, e é péssimo; ou toda a sociedade sendo chamada a eleger, em voto universal e direto, o presidente da empresa (afinal, como a União é acionista majoritária e o poder emana do povo...). O mesmo tipo de raciocínio já foi quanto à Universidade.
Sou levado a crer que estamos adotando critérios de escolha, de reitores a executivos de Estado, completamente equivocados. Desprovidos de racionalidade finalista e imersos em paixões, motivações históricas, desinformação e demagogia.
De alguma forma, precisamos voltar ao rascunho. É chato citar Sarney, quando ele é tão execrado – não sem razão, mas é fato que a afirmativa dele de que a Carta de 88 deixou o país ingovernável. Ele mesmo substituiu o governo, no sentido próprio, da governança como se entenderia em sentido moderno, por uma série de subterfúgios quem desemperram a gestão do Estado. A Carta Magna, não só é ruim, como é inexequível. O Estado é inconstitucional – ou não haveria mais. Entendo que temos que renunciar à norma constitucional que tece estrutura parlamentarista e arremate presidencialista, essa quimera jurídica, e pensar em convocar uma Constituinte original para fazer o que o Congresso Constituinte recente não deu conta.
Mas que seja uma Constituinte criada para a Constituição, por exemplo: que tal se os constituintes ficassem inelegíveis por... 15 anos? Para minimizar a legislação em causa própria.
Mas já estou na pele de Licurgo novamente; é tentador.
Por enquanto, que tal deixar as escolhas de reitor mesmo nas mãos de que tem poder político? E voltemos, em seguida, a discutir a natureza e qualidade da escolha dos detentores do poder político, no Estado, nas universidades, nas estatais.


6 de setembro de 2011

Fama sem fortuna

Há pouco me dei conta de a pequisa para meu nome no Google, entre aspas, estava retornando mais de 50.000 resultados e imaginei que esse resultado representa minha fama sem fortuna. passeando porentra os resultados da pesquisa dei com esse site vendendo versões digitais,  cuja existência eu desconhecia, de uma de minhas obras. parece que "chuparam" da amazon,com - mas pode ter sido de outros lugares. Esse livro meu nunca o liberei da acesso gratuito nem nada assemelhado. Está aí:
Centenas de downloads violando meus direitos. Vou reclamar com o bispo!

23 de agosto de 2011

Cadeia de responsabilidade: vasos comunicantes de poder

A responsabilidade se distribui entre os
eleitos e os nomeados por vasos comunicantes.
Responsabilidade é atributo que se enlaça em cadeia, tem continuidade e comunicabilidade multidirecional. Responsabilidade flui entre as partes como os líquidos e entre recipientes que se comunicam pela base. Quem preside uma república é responsável por aqueles que nomeia, por aqueles que os nomeados designam sucessivamente. Os poderes outorgados são os fluidos entre as pessoas. As ações ou omissões em qualquer elo desta cadeia se propagam na relação direta em que a delegação for atribuída e na proporção inversa em que não houver cobro pelos atos em delegação. Quem delega tem responsabilidade sobre o delegado enquanto persistir a delegação e quem recebe a delegação é partícipe nos atos dos codelegados na medida em que eles atingem o delegante. Quem permanece ministro conquanto outros ministros estão em falta, incorre na falta na mesma medida. O fluido das ações e omissões percorre a cadeia de responsabilidade como os líquidos se equilibram pelos vasos comunicantes.
Há mecanismos de ações para o controle da responsabilidade, delegação implica controle. E controle haveria de ser outro fluido em equilíbrio, mas não é. Controle se daria pelos delegados em relação a quem delega, na medida em que o delegante controla cada um dos delegados, mantendo o nível em todos os pontos da cadeia. Assim deveria ser, mas as válvulas do interesse e os olhos fechados aos podres alheios não permitem às pessoas ver que incorrem em todas as faltas do conluio quando se omitem em relação a pares. Assim deveria ser nas repúblicas, em que as reponsabilidades emanam do eleitor, confluem à presidência e refluem aos ministros. Assim não seria no feudalismo, em que cada feudatário responde ao suserano e não corresponde ao cofeudatário.
Cadeia de responsabilidade implica qualquer ação na trama, mas implica igualmente qualquer omissão. A alegação de ignorância é omissão do dever de controle, inerente à delegação outorgada e recebida. Na república, o dever de cobro pela fonte de delegação originária, o eleitor, se dá no período em que ele é chamado a opinar. A urna é um continente de fluido que se libera no sistema de poderes. Entre os eleitos e aqueles com os quais os poderes são delegados, ministros, secretários e sectários, a relação de responsabilidade é contínua – ou deveria ser. A responsabilidade flui perfeitamente, tão perfeitamente quanto as instituições estiverem funcionando.
Havendo quebra na cadeia de responsabilidade,
há de haver responsabilidade de cadeia.
Quando as reponsabilidades não estiverem fluindo entre delegantes e delegados dos poderes havidos do eleitor, temos quebra da cadeia de responsabilidade. Os vasos comunicantes, quando se entopem na república, transformam-na em feudos, em domínios do privado subordinados ao suserano eleito, em detrimento da delegação que ele recebeu. O eleitor poderá assumir sua parte de responsabilidade, quando for o tempo; ou poderá entender que, não se tratando mais de república, cabe dar ao caso o mesmo tipo de tratamento que deu fim ao feudalismo clássico.
Por fim, note-se que a cadeia de responsabilidade implica responsabilidade de cadeia, como mecanismo de controle e manutenção ou como mecanismo de ruptura e reinstauração. Quando os vasos não se comunicam por haver entupimento o há algum vazamento no sistema, são necessários reparos antes que o continente dispenda mais fluido.

16 de agosto de 2011

A influência de cada um

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Todos temos nossas redes de influência e de relações.
Agora, pelas redes sociais e profissionais, blogs e pela exposição e repercussão do que dizemos, redizemos, pensamos e pela quantidade de pessoas que acompanham e aprovam as ideias que expomos na rede, tudo considerado em complexas (e sempre questionáveis) equações, tudo se expressa em números. O nome da coisa é Klout e está disponível e acessível para quem desejar se medir e medir quem quer que seja. O tamanho relativo das pessoas (e talvez em breve seus rendimentos) estará sendo medido por referenciais assim.
Aqui, os meus e de alguns amigos e gente conhecida. Sem querer comparar, comparando.
Os meus:

Alguns de meus amigos:

Aqui alguns famosos:

De um modo geral, ainda se pode afirmar que isso não serve para absolutamente nada. Mas já se pode supor que algum dia pode vir a servir para alguma coisa! Veja por lá quem mais você desejar, é só saber o apelido da pessoa no Twitter. Ah, os números aqui mudarão de acordo com as atualizações reais, está tudo linkado.

11 de agosto de 2011

Que podemos fazer?

Até recentemente, eu não via mesmo como agir quanto à situação de degradação e corrupção no trato da coisa pública no Brasil, mas atinei com uma coisa: precisamos parar de nos intimidar com os petistas, com a militância coerciva, com o os argumentos falaciosos.
Que podemos fazer para passar o
Brasil a limpo?
Temos, cada um de nós, a cada dia, que nos confrontar com o petista adjacente – seja ele o irmão, o vizinho, o colega de trabalho ou parceiro de truco – e dizer a ele, sempre, repetidamente, que não estamos de acordo do o governo que ele escolheu, que ele é cúmplice de cada falcatrua de seus eleitos, que ele vai cair no conceito da gente honesta, digna e trabalhadora que existe no Brasil, pois a militância petista não é mais um grau de filosofia política, uma ideologia, ou uma facção em busca da conquista do Estado. Ser petista, agora, assim como votar neles, é pactuar com uma quadrilha que se apossou do governo e das instituições, em benefício próprio, e agora está se apossando das pessoas – em larga marcha para o socialismo trabalhista (isso traduzido em alemão tem um nome muito feio e conhecido) – oprimindo o pensamento antagônico e visando a universalidade.
Não há mas bem e mal nas cidades, o bem puro e o mal puro morreram na Idade Média, despidos do magistério divino infrutífero dos patriarcas em detrimento dos patrimônios.


Mas há pessoas que estão bem e outras que estão mal, há pessoas que estão com o bem ou com o mal – e quem está com o PT não está com o que é honesto, com o que é probo, com o que é decente e respeitável. É preciso que façamos o petista adjacente ver isso, e que não há mais diálogo possível no campo da política – pois na pólis se confrontam iguais, e não somos iguais a quem se degrada e se despe de princípios em busca de benefícios imediatos para si, para seu grupo, para seu sindicato ou qualquer colundria.
O mundo é assim mesmo, mas as pessoas são como lhes permitimos que elas sejam. O governo está assim por consentimento de quem está ao nosso lado e votou nele, mas não volta atrás em sua opinião por adesismo, partidarismo, opinião adotada, vinculação. As pessoas não são o bem ou o mal, mas estão assim ou assado.
A maioria de nós não será ouvida no Planalto Central, se gritarmos, espernearmos ou nos descabelarmos. Mas o petista vizindário está sempre ao alcance de todos nós. É a ele que devemos nos dirigir.

Revisão de dissertção ou tese só na Keimelion.

Públio Athayde no Twitter



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