1 de outubro de 2008

Rabo-de-tatu


Rabo-de-tatu, como empregado, é o látego trilíngüe, conhecido em latim como tripalium, palavra que está na raiz de trabalho. Houaiss não registra a acepção. Faz um registro botânico para palavra composta: planta (Oncidium sprucei) da fam. das orquidáceas, nativa do Brasil (AM, PA, BA, C.-O.), com folhas carnosas, lineares, e inflorescência em longos pedúnculos; barba-de-surubim, brincos-de-surubim (Será o verbete obra da lavra de nossa amiga Adriana Schnoor?) e outras que tais. O azorrague a que me refiro costuma ser em couro trançado, afinando em direção às pontas. Trata-se de derivação metonímica de rabo de tatu: apêndice caudal dos xenartros da família dos dasipodídeos, por semelhanças física e do gestual.
Episódio cômico se deu em novela televisiva baseada na obra do grande escritor Agripa de Vasconcelos que que a personagem título, Dona Beja, deveria ser açoitada com rabo-de-tatu, mas o contra-regra não sabia do que eu estou dizendo bulhufas e providenciou um instrumento ridículo, feito de caudas do bicho. As literatura dermatológica ou psiquiátrica ainda não abordam as benesses do emprego de rabos-de-tatus, mas eu recomendo, principalmente em casos de frescura aguda.
Para uns, rabo-de-tatu é ainda o canudinho frito, que pode ser recheado de doces ou salgados. Gosto muito. Aqui temas mais uma metonímia, há entre a cauda do bicho e o doce uma semelhança de formato. Lembre-se: a cauda do bicho não tem nada a ver com a calda do doce! Mera homofonia.
Ah! Para quem gosta de discutir o hífen, lembre-se que ele é um apêndice caudal que liga duas palavras que constituirão uma unidade semântica distinta, como é o caso.
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Revisão de dissertção ou tese só na Keimelion.