20 de maio de 2011

De quando Palocci se recusa a deixar Brasília

Palocci in oratio prima.
Até quando, Palocci, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há de precipitar a tua audácia sem freio?

Nem a guarda do Planalto, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto te conseguiu perturbar?

Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?

Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste e que deliberações foram as tuas?

Oh tempos, oh costumes! O Senado tem conhecimento destes fatos, o Procurador Geral da República os tem diante dos olhos, todavia, este homem continua vivo. Mais ainda: até no Senado ele aparece, toma parte no conselho de Estado, aponta-nos e marca-nos com o olhar, um a um, para a chacina.

E nós, homens valorosos, cumpriremos o nosso dever para com o Estado, se evitarmos os dardos da sua loucura.

Às grades, Palocci, é que tu deverias, há muito, ter sido arrastado por ordem do Procurador Geral da República. Contra ti é que se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito tempo, tramas contra todos nós.

Públio Cipião, pontífice máximo, mandou matar Tibério Graco, que levemente perturbou a constituição do Estado. E Palocci, que anseia por devastar a ferro e fogo a face da terra, haveremos nós, os cidadãos, de suportá-lo toda a vida?

E já não falo naqueles casos de outras eras, como o fato de o jardineiro ter abatido, com suas próprias mãos, o presidente da CEF, que alimentava idéias revolucionárias.

Havia outrora nesta República uma disciplina moral: os homens de coragem puniam com mais severos castigos um cidadão perigoso do que o mais implacável dos inimigos.

Queremos um decreto do Senado contra ti, Palocci. Um decreto rigoroso e grave. Não é a decisão clara nem a autoridade da ordem aqui presente que falta à República: nós, digo publicamente, nós, os cidadãos, é que faltamos.

Decidiu, um dia, o Senado, que o Procurador Geral da República velasse para que a República não sofresse dano algum. Pois nem uma noite passou: Gaio Graco, apesar da sua tão nobre ascendência, de pai, de avô e de seus maiores, foi morto por causa de certas suspeitas de revolta.

Juntamente com os filhos foi executado Marco Fúlvio, um consular.

Com um mesmo decreto do Senado, a República foi confiada aos procuradores da República e ministros do STF. Acaso eles adiaram um dia sequer a pena de morte, por crime de lesa-república, a Lúcio Saturnino, um tribuno da plebe, e a Gaio Servílio, um pretor?

Nós, porém, já há vinte dias consentimos no enfraquecimento do vigor de decisão destes homens. Temos um destes decretos do Senado, mas está fechado nos arquivos, como espada metida em bainha.

Segundo esse decreto senatorial, tu, Palocci, deverias ter sido imediatamente condenado. E eis que continuas vivo, e vivo não para abdicares da tua audácia, mas para nela te manteres com inteira firmeza.

É meu desejo, venerandos concidadãos, ser clemente. É meu desejo, no meio de tamanhos perigos da República, não parecer indolente, mas, já eu próprio, de inação e moleza me acuso.

Há acampamentos do MST contra o povo brasileiro, estabelecidos nos desfiladeiros, e aumenta a cada dia o número dos inimigos. E o general desses acampamentos, o comandante desses inimigos, o vemos no interior das nossas muralhas e dentro do próprio Senado, urdindo a cada instante algum atentado contra a República.

Se neste momento eu te mandar prender, Palocci, se eu decretar a tua prisão, o que, sobretudo terei de temer, tenho certeza, é que todos os bons cidadãos me censurem por ter atuado tarde, e não que haja alguém a dizer que usei de crueldade excessiva.

Porém, aquilo que já há muito deveria ter sido feito, fortes razões me levam a não o fazer ainda: hás de ser preso, sim, mas só no momento em que já não for possível encontrar ninguém tão perverso, tão depravado, tão igual a ti, que não reconheça a inteira justiça desse ato.

Enquanto houver alguém que ouse te defender, continuarás a viver, e a viver como agora vives, cercado pelas minhas muitas e fiéis guardas, para não poderes te sublevar contra o Estado.

Os olhos e os ouvidos de muita gente, sem disso te aperceberes, te hão de espiar e trazer vigiado como até hoje o têm feito.


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