30 de junho de 2011

Deseducação programática

Volta e meia vem a baila o argumento de que os governos não promovem a educação (sic) por pretenderem que um povo menos instruído (sic) seja mais condutível, de alguma forma. Não me recordo de nenhum teórico maquiavélico (tampouco Maquiavel) ter proposto essa ideia. parece-me absurda e imprópria, advinda das teorias conspiratórias que sempre estiveram em voga e são mais férteis que a mente de qualquer conspirador.
Já ouvi o argumento de que as falhas no sistema de ensino sejam programa de governos de todo tipo de ator político, de todas as cores partidárias. "É 'programático' o ensino ser ruim", já isso ouvi de TODOS os governos, desde que me entendo por gente. Mas não, penso que as falhas do ensino sejam incompetência de governantes mesmo, deixam a coisa na mão de pedagogos e dá nisso!


O que desanda tudo, na realidade é que o lugar certo de educar é em casa - e não educam - os pais mandam as crianças sem educação às escolas que as devolvem sem instrução. Ninguém faz o que deve, uns põem as culpas nos outros, e fica o povo como está aí, elegem essa troupe e se deleitam com as bolsas-miséria.
Se o desensino tiver sido programático para os tais governos, não funcionou como programa, pois eles vieram sendo alijados do poder uns depois de outros!
Educação (em casa) e instrução (pública ou privada) tem que ser programa social (da sociedade), político (do povo da polis), comunitário, e de todas as mais esferas - até, até! - a de governo, mas esta segundo os ditames das anteriores. Aqui em nosso país, relegamos tudo ao governo, esperamos tudo dele - e sem muita esperança! Brasileiros costumamos ver governos como panaceia para tudo, leis como bulas infalíveis (ou feitiços onipotentes).
Para uma nação (não uma pátria) ter rumo, só se despindo das fantasias de adesismos (tirando as camisas das facções), assumindo que nenhum time de salvadores vai resolver o milagre da multiplicação no erário e tomando em mãos firmes a rédeas do público e do privado, uma em cada mão, sem inversões espúrias!
Para complicar tudo, ainda vivemos no Estado nacional mais antigo de todos, pois o nosso é sequência direta, ser rupturas, do velho estado português - que até em Portugal se reformou! - mas aqui ainda perdura feudal, corrupto, burocrático, paternalista e patriarcal.
Já é hora de essa sociedade, esse povo, se erguer do berço esplêndido a que somos relegados até pelo Hino Nacional. Descubra-se o óbvio - é tomando para si a gestão que se gere, delegar é uma forma de gestão, mas relegar (como os brasileiros fazemos com a coisa do Estado) é renunciar ao resultado.


24 de junho de 2011

Públio Athayde indicado para a ABL

Acabo de se honrado com minha indicação para a Academia Brasileira de Letras. Oh... Serão tantas visitas a fazer, tanto chás a tomar, tantos repórteres que nunca leram uma linha minha querendo perguntar sobre meu "eu poético"... Enfim, quero me ver com ombreado Sarney e Paulo Coelho - mais dois que nunca leram bulhufas de minha vasta obra.


 Resta-me abrir o debate, sair à cata de votos, amealhar partidários e encetar férrea campanha pela Internet (dizem que até presidente dos EUA já foi eleito assim) - claro que vou precisar arrecadar fundos, mas meu comitê se encarregará dessa parte.
Não sei ainda se há alguma vaga aberta naquele conspícuo pretório ou se precisaremos também cuidar de abrir tal vaga, nisso todos sabemos que o maior especialista é o Jô Soares.
Bem, alea jact est - e que as pontes da mídia virtual me permitam transpor esse Rubicão de ignorado a celebridade até o próximo pleito; senão, prolongaremos a a campanha e a arrecadação até que eleito eu esteja. A luta começa!

8 de junho de 2011

A mulher de César e o ônus da prova

Cleópatra para César
Óleo sobre tela de Jean-Leon Gerome
Não basta à mulher de César ser honesta, ela precisa parecer honesta.
No sentido histórico, essa afirmativa se refere ao episódio em que Pompeia (mulher de Júlio César) deveria organizar um evento (as festas da Boa Deusa) destinado exclusivamente às mulheres, mas meu xará Públio Clódio Pulquer conseguiu entrar na casa,  durante as celebrações, disfarçado de mulher. Em resposta a este sacrilégio, do qual não foi provavelmente culpada, Pompeia recebeu uma ordem de divórcio. César admitiu publicamente que não a considerava responsável, mas justificou a sua ação com a célebre máxima com que iniciei esta postagem.
O adágio romano passou a ser referido sempre que se evoca a necessidade de transparência e lisura na coisa pública, mas principalmente num sucedâneo do Direito Romano, o ônus da prova, que deve ser invertido quando o réu é gestor público - e para os fins da função pública.
Àquele que exerce cargo de serviço público, eleito ou comissionado, sobrevém o dever de ser honesto e a necessidade premente de parecer honesto. Ao homem privado, basta ser honesto - e cumpre a quem lhe imputar qualquer desvio de conduta prová-la ou arcar com as penas da calúnia.
Nosso Código do Consumidor assume uma posição parecida, imputando o ônus da prova ao fornecedor e privilegiando o consumidor em querelas nas quais ele seria parte mais fraca, principalmente se tal inversão não ocorresse.
Não me ocorre lei específica, que inverta o ônus da prova para políticos e gestores públicos, mas na prática ocorre o mesmo. Temos a candente queda de Palocci da chefia da Casa Civil, assim como sua anterior exoneração do Ministério da Fazenda - nos dois episódios não houve prova de sua culpa, no sentido jurídico, e até ele apresentou matéria que lhe fosse favorável em ambas as ocasiões, mas a mulher de César já não parecia honesta e precisava ser repudiada. Só que César agora é que é mulher, e a mulher em juízo é o duplamente ex-ministro. Outro caso ainda mais grave, de semelhança quanto ao ponto em questão, foi o afastamento, julgamento e condenação política de Collor, ao passo que nos tribunais nada se provou contra ele.
Enquanto isso, o governo de nossa César vai perdendo sua credibilidade, pois de má fé e de questões de dúvidas patentes o grupo dos que a cercam está repleto. Todos os homens e mulheres da César têm que ser honestos e parecer honestos, mas todos os cidadãos estão completamente convictos de que isso não ocorre - quer aceitem, quer repudiem tal situação.
Infelizmente sabemos que não será de nosso Senado nem dos Tribunos da Plebe que há de vir um saneamento para o Pretório, esperemos que tal não ocorra tão cedo aos Pretorianos.



2 de junho de 2011

Pobrema, poblema, probema e outros problemas.



Muitas pessoas se equivocam no uso dessas palavras, pela semelhança que existe entre elas e mesmo pela raiz comum de algumas delas. É natural que haja este tipo de confusão em um país pobre no qual a população não dá valor ao conhecimento, ao aprendizado e à cultura ancestral.
Não é nosso intuito aqui uma profunda análise sociolinguística, até porque esse tipo de abordagem caiu em descrédito recentemente, pelas posturas do MEC em relação a um livro didático bem em voga, mas que prefiro não declinar. Sociolinguística passou a ser eufemismo para demagogia governamental e política arrebanhadora de eleitorado.
Passando aos fatos, e deixando de lado ainda as questões filológicas (ainda se pode falar em filos ou já está no índex do politicamente incorreto?) – para ser bem prático e apresentar as diferenças ortográficas ortoépicas e semânticas dos vocábulos.
  • Pobrema (pronuncia-se póbrêma) – é um tipo de dificuldade inerente a pessoas pobres (pobre + ema), provavelmente por nunca terem podido comer carne de emas. Por extensão de sujeitos, passou a designar qualquer questão social, disfunção orgânica ou controvérsia relativa às camadas menos favorecidas da sociedade: diarreia é pobrema, greve é pobrema, MST é pobrema. Por extensão de objeto, designa tudo aquilo que atinge os segmentos abaixo da linha de pobreza absoluta: fome é pobrema, analfabetismo é pobrema, falta de saneamento básico é pobrema e assim por diante. Por esvaziamento semântico (e de estômago) passou a designar aquelas historinhas com continhas que as professoras passam na escola: “Joãozinho tinha três maçãs, comeu duas...” – claro que todo mundo sabe que Joãozinho nunca teve maçãs nem comeu nenhuma, ele é pobre, por isso a historinha é um pobrema. Finalmente, por alteridade subjetiva, pobrema passa a ser aquela questão relativa ao outro, que não nos diz respeito: é pobrema seu (quem mandou ser pobre?).
  • Poblema (pronuncia-se pôblêma) – são as dificuldades inerentes a pessoas com ética, moral e participação social ativa (pob – de poblacion/ povo, em basco arcaico + lema – sentença que rege um ideal). Por extensão subjetiva, designa as questões inerentes à coluna social e disfunções intrassociais: poblema de condomínio, poblema de taxa de câmbio, poblema de o Word ficar corrigindo-me – trocando poblema por problema toda vez que eu escrevo. Por extensão de objeto, refere-se ao que atinge das camadas emergentes ao topo da pirâmide socioeconômica: poblema de congestionamento, poblema com o Imposto de Renda, poblema pra arrumar babá. Quando sofre esvaziamento, o termo passa a ter significância reflexiva, inerente ao sujeito social ativo: isso é poblema do Governo, nós vamos resolver esse poblema, o FMI resolve o poblema dos banqueiros – e assim por diante.
  • Probema (pronuncia-se como convier) – já são dificuldades mais específicas, no campo da disfonia, que requerem a intervenção de psicolinguistas e fonoaudiólogos na primeira infância para correção, ou viram caso de polícia depois. Etimologicamente probema vem de (prob(a) – prova + ema – que esconde a cabeça no buraco quando tem dificuldades). Exemplos contemporâneos muito claros são os senhores Lula e Palocci – ambos têm dificuldades de articulação, ainda que de naturezas diversas, que poderiam ser minoradas com as adequadas intervenções, mesmo com as diferentes etiologias: Lula tem probema por ter tido pobrema na infância (não tem mais, mas os probema – palavra inflexível – persistem); Palocci tem probema sem ter tido muitos poblemas (essa palavra é excessivamente flexível) na infância, e os probema do tipo que ele tem se agravam se ele tem, por exemplo, poblema na justiça.
Espero que tenha ficado claro; se você não entendeu é p....... seu! (Complete a linha pontilhada.)
Por terem me inspirado, dedico esta artigo a Regina Athayde e Bolívar Lamounier.

Leia também outras postagens no blog da Keimelion: Publique sua tese - Redação técnica e científica - Descrição de normas e procedimentos - Conjunção, uso e abuso

1 de junho de 2011

Lobão e a Controladoria Geral da União



Estão abertas as inscrições para o 6º Concurso de Monografias da Controladoria-Geral da União (2011), realizado pela Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento (SOF/MP). O concurso tem por finalidade estimular pesquisas voltadas à prevenção e ao combate à corrupção no Brasil, como forma de incentivar a participação do cidadão no controle da Administração Pública.
Lobão abriu também um concurso de monografias sobre segurança residencial de porquinhos. Ele sabe que Palito e Palhaço agora têm cada sua-casa-sua-vida, mas quer saber como suplementar a segurança residencial daqueles lares, assim como quer se informar das senhas de acesso, das armadilhas escondidas. Uma questão especial que Lobão quer saber é como se podem quebrar paredes de alvenaria, pois Pedrito agora que ultrapassou a linha da classe média também está bem gordinho.



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