Uma curta frase que publiquei há poucos dias no Facebook dou aso a muitas digressões (Meu nome não é “chefe” – seja lá onde for. Vamos parar com essa feiura?) e, segundo o hábito recente nas redes sociais, até algumas agressões rolaram. Na verdade, roubei o tema de uma publicação de origem indeterminada que vi em várias páginas pessoais na internet, com alusão ao carnaval: “se me vir no bloco, meu nome não é chefe” – com algumas variações dessa ideia. Agora sou forçado a alongar o raciocínio, pois muitos têm dificuldades com frases curtas, principalmente se houver nelas alguma profundidade.
Primeiramente, quero apontar e ressaltar que eu me referi a mim: meu nome! Cada um que seja chamado como preferir, de preferência que não adote uma epígrafe pejorativa. Alguns gostam e adotam apelidos que lhes dão, pelos mais diversos motivos; os jovens fazem isso constantemente, em sua contínua busca pela própria identidade.
Chamo a atenção para o fato de que, subjacente à brincadeira de carnaval, existem as leituras perversas da frase original: aqui no bloco eu não sirvo de exemplo, não quero que meus amigos saibam que sou escoteiro, vá caçar sua turma, sou chefe só quando estou com o lenço no pescoço, não queria que você me visse fantasiado de melindrosa... e por aí afora. Mas isso tudo, nos piores dos casos. Em geral, é só brincadeira mesmo – e é assim que tomo.
Entretanto, vale saber que as funções que exercemos, no escotismo ou em qualquer parte, não são pronomes de tratamento. Ninguém se chama “garçom”, “mecânico”, “frentista”, “doutor”, “juiz”, “deputado”, “açougueiro”... os brasileiros ainda usamos estas palavras equivocadamente, para interpelar pessoas. As instituições mais retrógradas ainda exigem tratamentos que não são do uso cotidiano: excelência, meritíssimo e coisas do gênero – isso dentre nós, lusófonos. Em muitas instituições que exigem menção hierárquica precedendo o nome, por encurtamento e abreviação, toca-se o nome pelo posto: no batalhão, o coronel Fulano vira “coronel”, pois ele é o único que manda, o único que importa; como há meia dúzia de tenentes por lá, eles não pode ser apenas “tenente”; no seminário, ninguém é “cônego” porque haverá muitos cônegos por lá, e ninguém é “dom” – pois o número de bispos em contexto também é grande! Usam-se cônego Fulano, dom Beltrano e tenente Sicrano, assim como se usam chefe Fulano, chefe Beltranoutro, etcetra; e aí é que a coisa pega: ninguém é chefe de ninguém no escotismo: no sentido de que ninguém manda (ou ninguém deveria mandar!) – então, menos ainda tratar ou invocar terceiros com este termo! As palavras têm seu peso, sua força e se traduzem em comportamentos e atitudes. Não é por devaneio que faço forte apologia ao abandono do termo “chefe”… É para ver se algumas pessoas entendem que não são chefes de nada e parem de mandar nos outros.
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| A ideia é abandonar a ideia de "chefe". |
Entretanto, vale saber que as funções que exercemos, no escotismo ou em qualquer parte, não são pronomes de tratamento. Ninguém se chama “garçom”, “mecânico”, “frentista”, “doutor”, “juiz”, “deputado”, “açougueiro”... os brasileiros ainda usamos estas palavras equivocadamente, para interpelar pessoas. As instituições mais retrógradas ainda exigem tratamentos que não são do uso cotidiano: excelência, meritíssimo e coisas do gênero – isso dentre nós, lusófonos. Em muitas instituições que exigem menção hierárquica precedendo o nome, por encurtamento e abreviação, toca-se o nome pelo posto: no batalhão, o coronel Fulano vira “coronel”, pois ele é o único que manda, o único que importa; como há meia dúzia de tenentes por lá, eles não pode ser apenas “tenente”; no seminário, ninguém é “cônego” porque haverá muitos cônegos por lá, e ninguém é “dom” – pois o número de bispos em contexto também é grande! Usam-se cônego Fulano, dom Beltrano e tenente Sicrano, assim como se usam chefe Fulano, chefe Beltranoutro, etcetra; e aí é que a coisa pega: ninguém é chefe de ninguém no escotismo: no sentido de que ninguém manda (ou ninguém deveria mandar!) – então, menos ainda tratar ou invocar terceiros com este termo! As palavras têm seu peso, sua força e se traduzem em comportamentos e atitudes. Não é por devaneio que faço forte apologia ao abandono do termo “chefe”… É para ver se algumas pessoas entendem que não são chefes de nada e parem de mandar nos outros.
É necessário que os adultos entendam seu verdadeiro papel de facilitadores da prática do escotismo e parem de se intrometer coercitivamente com os jovens: o papel de ser exemplo é passivo! O papel do escotista é tentar eclipsar-se como condutor e fixar-se como exemplo: non duco! Ser exemplo não é adotar uma série de atitudes em determinada circunstância e outra em outro contexto. Ser exemplo não é adotar um comportamento quando tem o lenço ao pescoço e outro tipo de atitude quando está enrolado na serpentina; quem fizer isso soa falso em uma das duas posições, senão em ambas! Nem se pode ser exemplo em horário de expediente tão somente, exemplo é uma constante – ou é mal exemplo, ou exemplo do mau.
Quanto à tradição do uso do termo “chefe” dentre nós... por favor, parem de chamar maus hábitos de tradição! Não é porque o erro é antigo que ele se justifica! Ademais, é necessário evitarmos expressões que tragam para nosso seio gente frustrada que procura cargos pelos títulos pomposos que possam ter, gente que nunca chefiou nada na vida e procura compensar isso mandando em um bando de guris é tudo de que não precisamos!
Por fim, a pérola maior: pior que chefe, no contexto do Movimento Escoteiro, é o “chefe sênior” – gente que se ilude aplicando a si o termo “sênior” como agravante de ser “chefe”. Como se ser chefe de uma tropa sênior fosse algo mais que dirigir qualquer outra seção, de qualquer ramo. Bem fazem os pioneiros que não chamam ninguém de mestre... (Ou chamam?) Há outros termos perniciosos em uso no escotismo e caberia refletirmos sobre eles, sei quanto é duro lutar contra as palavras, pois precisamos nos servir delas para tanto.
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| Respeito é tratar as pessoas por seus próprios nomes! |


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