23 de setembro de 2008

DESESPERO

DESESPERO
Em paroxismo de dor, à beira do abismo,
Pranteio inerte o desidério vil, solerte,
Que entre augúrios, quer legítimos quer espúrios,
Dúvida crua crava meu peito como grua.


Em sintonia com a alma o corpo que agonia
Roga por paz a um Deus que há muito nada faz.
Em um espasmo cardíaco, qual um orgasmo,
Meu ser soluça e sobre o nada se debruça.

Miro o vazio, como fuga, e me extasio.
Escuto e vejo as vagas, clamando de ensejo,
Qual rude sina que a esperança assassina.

Mas a esperança já é morta desde que, criança,
Soubera ter toda vilania, sem poder
Optar sofrido ter vivido ou morrido.

Belo Horizonte, 19 de maio de 1995.
Gravado pelo autor em junho de 2008.

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