DESESPEROEm paroxismo de dor, à beira do abismo,
Pranteio inerte o desidério vil, solerte,
Que entre augúrios, quer legítimos quer espúrios,
Dúvida crua crava meu peito como grua.Em sintonia com a alma o corpo que agonia
Roga por paz a um Deus que há muito nada faz.
Em um espasmo cardíaco, qual um orgasmo,
Meu ser soluça e sobre o nada se debruça.
Miro o vazio, como fuga, e me extasio.
Escuto e vejo as vagas, clamando de ensejo,
Qual rude sina que a esperança assassina.Mas a esperança já é morta desde que, criança,
Soubera ter toda vilania, sem poder
Optar sofrido ter vivido ou morrido.
Belo Horizonte, 19 de maio de 1995.
Gravado pelo autor em junho de 2008.
Romances históricos, poesia, crônica, crítica, sátira, humor, política e análise! Escrivinhações de um polímata.
23 de setembro de 2008
DESESPERO
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