
Comemora hoje o Banco do Brasil seu segundo centenário. Não sei como, nem o porquê. Verdade que, em 1808, foi criado um Banco do Brasil, destinado a prover "os meios e os recursos de que as rendas reais e as públicas necessitarem para ocorrer às despesas do Estado" (alvará de 12 de outubro de 1808). Infelizmente, aquela instituição sobreviveu apenas até o ano de 1829, quando não pode mais resistir à voracidade do Estado contra seus haveres e ao saque em metal de lastro que a Corte fez ao voltar para Portugal, além dos ônus com a Guerra da Independência primeiro e, depois, a da Cisplatina. A liquidação do Banco do Brasil se dá por Lei de 23 de setembro de 1829, portanto a instituição fundada no reinado de D. Maria I (a Louca) não durou muito mais de 20 anos, não os 200 que agora alegam.

Irineu Evangelista de Souza, depois Barão e Visconde de Mauá, criou outro Banco do Brasil em 1851. Esse segundo Banco do Brasil tem uma forte carga simbólica de suas ligações permanentes com o mercado de capitais (cuidado, portanto!). As reuniões preparatórias e a assembléia de constituição foram no salão da Bolsa do Rio de Janeiro. Já havia Bolsa antes de haver o segundo Banco do Brasil.
Com que cara de pau vem agora o Banco do Brasil dizer que tem 200 anos? Não passa de puro golpe publicitário ao arrepio da História. O governo, principal acionista – tem parte na mentira, a parte do dono! Que mais se poderia esperar dos detentores do Planalto?
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Diga o que disser, eu publico se me aprouver.