| Anjos do Cemitério Recoleta. |
| Caixões na Recoleta. |
Mudei de ano num buteco chamado Saara, naquela região. Aqui estou nele e ei-lo em foto diurna. Hei de me lembrar de tomar mais uma garrafa de espumante ao voltar lá - naquela terra eles ainda chamam vinho espumante de champanha, só não sei se pra Alka-Seltzer também usam a mesma palavra.
Para comer, fuja como o diabo foge da cruz de qualquer restaurante que tenha as palavras PARILLA ou PAPAS no cardápio – são armadilhas para turistas. Questão de sobrevivência básica ficar longe deles. Os restaurantes espanhóis por lá são bons e os italianos razoáveis. Para o café da manhã, leve uma marmita com algumas cochinhas e pães de queijo, se você for sujeito a algum tipo de crise pela abstinência desses alimentos. Ah, as tais das media lunas não são médias de café-com-leite não, nem degrau na escala pequena-média-grande: trata-se de um croissant mal amassado. Sobrevivi àquela coisa chamada parillada completa! Urgh! Mas não é para qualquer estômago não. E comi em Porto Madero muito bem.
| Adicionar legendaBrinde de ano-novo. |
Veja: há uma escavação "arqueológica" debaixo de um viaduto, havia lá um centro de tortura onde cerca de 1800 foram "eclipsados"...
Na noite, procurei por um tango legal, fiquei horrorizado que a maioria parece Hollywood, inclusive pelos preços. Entendi logo que tango em Buenos Aires é igualzinho às encenações do Triunfo Eucarístico que fazem em Ouro Preto: nada litúrgico, só pra turista ver. Tem tango na rua também, mas é o mesmo espetáculo para turista em versão mais barata. Os cassinos estavam fechadinhos, e tinha um monte de empregados deles acorrentados na frente da Casa Rosada, em protesto. Também proibiram as apostas do turfe por lá, estava um qüiproquó (na derivação metonímica) no caso. Muitas das opções da noite não abrem no fim de ano: vacancias (férias deles – azar dos turistas).
| Baladas na Recoleta. |
Feira? Fui não; descobri há bastante tempo que todas as feiras são exatamente iguais: completamente globalizadas. Todas as feiras têm exatamente as mesmas figuras polutas e odorentas, vendendo as mesmas pulseirinhas torcidas e amassadas, com um diferencial regional arquetípico: se for na Bahia aparecem uns berimbaus, em Porto Alegre uns porongos, em Ouro Preto uns cinzeiros de pedra-sabão... Objetos estes que podem, todos, ser encontrados nos aeroportos da região ou nas feiras. Nos aeroportos são um pouco mais caros e os vendedores mais perfumados e polidos.
Outra entidade onipresente é aquele conjunto andino, tocadores de flautas de Pã e zabumbas peludas, que já vi em meio mundo: sempre as mesmas musiquinhas melosas e as mesmas caras mal lavadas. Tadinhos, os K7 evoluíram pra CDs - essa foi a grande modificação havida na trupe nos últimos 500 anos.
Viajar é ótimo, mas turismo é uma praga. Nascido e criado em Ouro Preto, acostumei-me a ver turista do mundo todo da ótica do habitante local. Aprendi que mais importa explorar o turista que o turismo.
| Tango em via pública. |
E por aí vai...
Optar por um pacote pode ser indicado em muitos casos, eu nunca fiz, mas talvez fizesse para ir ao Egito, Butão, algum lugar cuja língua seja totalmente desconhecida e a cultura muito diferente.
Pacotes têm a vantagem dos preços, claro e tranqüilidade administrativa... Mas o que vale é a atitude do viajante, daí é que se diferenciam os proveitos na viagem.
Eu sou do tipo hotel de $8 e restaurante de $80! Cada um com suas escolhas e suas encolhas. Amém.
Leia neste blog: Causa perdida - Crônica curta do chimarrão - A cruz e o beijo - Pela volta do vosmecê
Leia também no blog da Keimelion: Escolher um revisor de textos - O revisor e o texto - Informações sobre nossa revisão - Critérios de revisão
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Diga o que disser, eu publico se me aprouver.