23 de julho de 2010

Tratando de varal de tripas...

Vou dissertar sobre o Varal de Tripas. Já viram?
Para se fazerem os embutidos, à l'ancienne, necessitamos tripas limpas e secas; então após abatida a rês e seus intestinos devidamente esvaziados do quimo, quilo e demais dejetos alimentícios-fecais, lava-se bem o tubo intestinal e se o coloca a secar. Para que sequem sem aderência, preservando a luz (n.b.: luz aqui está empregado no sentido anatômico do termo).
O resultado é um patético varal que parece ser uma linha cheia de camisinhas desenroladas e sopradas.
Pronto, descrito materialmente o varal de tripas, passemos às profundas metáforas de vida que o mote enseja.
Primeiramente, balançam ao vento aqueles cilindros de vento, falos leves ao sabor do ar, secando e enrijecendo erotizados pela luz do Sol. Se venta menos apontam ao solo, se o vento é contínuo, permanecem na horizontal, mas com vento intermitente as tripas saltitam alcançando inclusive o prumo do máximo tesão.
Aqueles túbulos, originariamente destinadas à digestão, tem por fim revestirem novamente o alimento, ingressando - por sua vez - em outro intestino (como a cobra do destino se comendo pela ponta do rabo), inicio e fim, princípio e destino amalgamados.

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