21 de outubro de 2010

Post político

Tenho me afastado de pessoas e pessoas têm se afastado de mim durante essa campanha eleitoral; isso desgasta, mas tem seu lado bom: sinto-me em paz comigo. Não discuto nem vou discutir com quem parte de premissas de transigir com corrupção, vida, honestidade, caráter, verdade. Valores básicos.
Não é uma questão simplista de adesão a este ou aquele projeto político, é uma questão bem anterior de postura, de ética e de respeito a valores dos quais não abro mão e com as quais o PT manobrou para usurpar o Estado. É que projetos não há na mesa, nenhum dos candidatos tem nada de tão propositivo que os distinga para além de suas cores básicas, mesmo que as tais  cores sejam meramente artifício marqueteiro para os embalar e vender: não há no pacote a descrição do conteúdo – não apresentaram programas formais – e mesmo se houvesse, nenhuma garantia haveria de seu cumprimento.
Tenho entendido a dicotomia do eleitorado principalmente pelo meu ponto de vista (e existe outro para cada um de nós?): não há propostas de nenhum dos dois lados, só bordões - saúde, educação, segurança, salário, etc. - mas há por uma parte do público votante a aceitação tácita de que valerá a pena engolir um "pouco de corrupção" se sobrar alguma bolsa para mim; pode ser uma bolsa-família pra uma cachacinha a mais ou uma bolsa de recém-doutor pra um desempregado que lê mais editais que livros.
Há três tipos de interesses pelos quais as pessoas permanecem nos PT: os interesses escuso, os inconfessáreis, os corporativos. Podemos também identificar três tipos de interesses pelos quais as pessoas votam no PT: os interesses próprios, os nepotistas, os enganatórios.
Vou querer ver essa corriola correndo daqui prali quando o "pouco de corrupção" vier adjunto de "um pouco de autoritarismo" - pois essas duas "poucas incúrias" são mesmo como "um pouco de gravidez".
Por outro lado, já há indícios de fraude na estatística, pode haver e há no estado da coisa e no Estado do coisa. Não se pode crer em tamanho erro ou diferença metodológica que resulte em números tão diferentes quanto os que hoje temos à mesa: Vox Populi e Ibope estão dando ampla margem para Dilma; Sensus repete o prognóstico da semana passada: empate técnico. Ninguém seja tão manso de coração a ponto de imaginar que a quadrilha dominante e seu macho alfa entreguem a carcaça sem rosnar e babar; ademais, mesmo sendo afastados do corpo putrefato do Estado, essa malta ainda deixará um enxame de varejeiras sugando-lhe as exsudações cadavéricas remanescentes.
Fico bem feliz de estar incomodando as pessoas com coisas que digo; se não houvesse verdade nelas, seria tudo inerte. O fato é que a putrefação dos aderentes a esse governo está bem além de meu limiar de tolerância.

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