21 de dezembro de 2010

O que fazer?

  • O papo veio daqui.

  • Alba Zaluar O que fazer? Como montar uma oposição ao político mais popular do país? Aguardo ansiosa as respostas.

  • Publio Athayde Não seria talvez o caso, Alba, de se montar a oposição contra aqueles que fazem de Lula o mais popular, ou antes, montar a oposição contra aquilo que faz deles o que eles são. Opor-se a Lula é atacar o efeito; como ele é perfeitamente representativo, além de representante, o objeto a ser focado como causa é aquilo que ele representa: a maioria que expressa aquilo nele representado. Será que expressei corretamente?

  • Alba Zaluar Se entendi você bem, opor-se àqueles que alimentam o mito (representatividade) do líder populista. Tem muita gente que apenas é contra quem é contra o Lula por ele ser um operário de origem humilde, migrante nordestino, etc. Como se isso fosse razão para alimentar tal poder pessoal. É isso?

  • Publio Athayde
    Eu (me) expliquei mal, senti meio confuso, mas estava com pressa. Mas imagino que o caminho é que se façam campanhas políticas com base em valores, em propostas, de longa duração. Desconstruir a mentalidade de barganha, de imediatismo, de sebastianismo. Enquanto as campanhas forem por nomes, e eleitorado for corruptível, o melhor corrompedor vencerá. Como tem vencido. As tolices, tais como alegar a ignorância - e até mesmo supor Lula pouco inteligente - são despropositadas, apontar a corrupção, a prevaricação à véspera da eleição dá em nada, se os valores corrompidos não forem correspondentes aos da maioria. Não é um projeto de 6 meses em 2014 que vai libertar o Estado. Enquanto o plebiscito (e a eleição é plebiscitária) se der entre carismas e perceptivas imediatas de bens ou de análise de passado recente, postas diante de um eleitorado que pactua com os desvios (ou participa deles se tiver chance), que pensa que a TV da sala ou a troca do carro ano que vem será facilitada por um grupo no poder, e isso faz valer a pena eleger aquele grupo, mesmo que o tal grupo esteja dilapidando o Estado em proveito próprio, enquanto o plebiscito se der nessa condição, o resultado presente perdurará.

    Leia neste blog: Insultar - Investigação estética 

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