19 de abril de 2011

O banquete de dona Onça

Dona Onça
Dona Onça em seus aposentos.
 No tempo em que lá em casa tinha uma onça, era hábito da vizinhança, da redondeza e até de gente mais distante livrarem-se dos gatos indesejados levando-os para serem alimentos do bichano maior. O prêmio pela gentileza era assistir a refeição. Acontecia que o espetáculo o abate, clímax do evento, dava-se no início da cena e era muito rápido (o que não é recomendado pelos roteiristas), mas as cenas que se seguiam eram igualmente interessantes.
Primeramente um bote certeiro, no pescoço; esmagamento, perfuração e torção simultâneas; paralisia imediata da vítima, seguida apenas de espasmos. Depois a primeira parte da refeição, o sangue da vítima, sugado imediatamente, muitas vezes sem mesmo soltar a presa, sugando pelo pescoço, ou abacanhando a cabeça, colocando-a inteira na boca. Se a onça estivesse relativamente saciada antes do abate, essa primeira parte da refeição, hematofágica, era suficiente para o momento e o gato ficava de lado até a fome voltar.

Depois, havendo fome, o aperitivo seriam as orelhas e as vísceras o prato da segunda refeição, a que se seguia o esquartejamento da presa e reserva das peças para sucessivas e posteriores refeições. Um gato médio provia umas três a quatro refeições para a onça.
Após o esquartejamento, as partes eram preservadas em água! A onça depositava as postas na panela d'agua, onde elas ficavam ao abrigo das moscas... Muito interessante. Curioso também observar que a onça sabia regular o consumo em função da oferta; havendo abundância ela comia mais, havendo menos ela guardava por mais tempo, racionalizando mesmo o consumo.
Além dos gatos indesejados, a dieta incluía também alguns gambás, também providos por terceiros - muitas das vezes pessoas completamente estranhas que batiam à nossa porta como gatos e gambás em sacos e caixas como donativo e ingresso.

Dona Onça na sala de visitas.
Finalmente, o detalhe arrebatador (a onça não entendia de roteiros, mas eu entendo). Em tempo de superabundâcia de gatos e gambás, reservávamos alguns para nossa mesa, afinal, se cachorro e gato também são gente, gente também somos carnívoros. 


No blog da Keimelion:  Desencalhe sua tese - O princípio da consistência - Definições de revisor de textos - Defendendo o texto

2 comentários:

  1. Eu logo ví que a tua onça era muito parcimoniosa. Um gato pra 3 refeições? Não é onça, é uma jaguatirica, os gringos chamam de Ocelot. É linda e feroz como a onça só é menor, podendo no máximo chegar a 16 kg. Foi quase extinta em território brasileiro por causa da pele.Bárbaro teres conhecido "pessoalmente" este bicho, um privilégio que jamais terei.

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  2. Que saudades!
    Vivenciei isso tudo, lá na casa do Públio. Foi um tempo bão demais.
    Essa onça era bonita mesmo, com cores dos pêlos bem definidas e vivas, sem esmaecimento algum.
    Abraços a todos!

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