8 de outubro de 2012

Política, atacado e varejo

Quase 30% do eleitorado paulistano absolve a quadrilha mensaleira. A maior cidade do país e a patuleia não consegue identificar uma patente relação de cumplicidade - ou não consegue, ou não dá a mínima pra ela. Essa é a famosa voz do povo? Cale-se esse deus mambembe. Malufistas e petralhas são a escória nacional. Com o beneplácito de quase um terço dos paulistanos.

Há três ou quatro municípios relevantes no Brasil, uma ou duas dúzias de outros de que a gente lembra da existência - e milhares de administrações pedintes. Elegeram-se esmoleres. O melhor pedinte ganha mais moedinhas no chapéu. A federação de três graus é um monte de farrapos mal costurados para fazer uma colcha que ganha uma franja em Brasília.

A roda do circo chamado democracia girou novamente.
Os vereadores são a galera da geral, aplaudindo as migalhas que surrupiam dos vinténs caraminguados no cofre da municipalidade e escolhendo nomes de ruas. Os edis-curules são gerentes de contas engessadas, orçamentos vinculados e premidos por tribunais.
Sobra pouco espaço para qualquer sucesso aos que se elegem hoje. Chamam essa barafunda de democracia e dizem que é muito bom... Estou duvidando.

Ontem um dia de muito júbilo para mim, uma alegria enorme saber de cada derrota nas urnas. Cada idiota que tiver se endividado, vendido as joias da mulher, penhorado as cuecas mensaleiras para levar ferro será motivo de alegria. Pena que não perdem todos, alguns desinfelizes serão eleitos - mas eu tentarei suportar esse desgosto estoicamente.
Mas o momento é de alegria! A maioria, a enorme maioria dos energúmenos perdeu as eleições. Pelo menos esse mérito tem essa trapalhada que chamam de democracia: a maioria que quer o filé perde. A maioria que distribui o filé, se ferra. Estão dizendo que isso é bom. Eu quero é que se estrepem, se estão felizes com essa sandice.