1 de outubro de 2008

Ao Aluno do curso noturno

Qualquer pessoa vale o mesmo, o valor da pessoa é absoluto e não passível de quantificação ou comparação. Alunos podem ser melhores ou piores, de acordo com as possibilidades que tenham ou não lhes seja oferecidas. Isso sim. O curso noturno é sempre inferior, sempre, ao diurno. Quando ele é oferecido à noite por uma instituição pública, significa que o Estado não é capaz de manter o estudante para que ele tenha condição de desempenhar satisfatoriamente seu encargo acadêmico. Significa que está se maximizando a ocupação do espaço físico das salas de aula, mas isso não muda o fato de que o curso noturno seja destinado àquele que trabalha durante o dia, portanto, alguém que não vai ter aulas como parte do processo de ensino-aprendizado, mas vai LIMITAR seu curso às aulas. Não vai ler, não vai experimentar, não vai ter descanso no fim de semana que deverá ser empregado em tarefas escolares...Já lecionei em uma dez IESs, em diversos estados, em cursos noturnos e diurnos. Já estudei em algumas, diurno e noturno, sei bem a diferença. É pior sim - mas é o que "está tendo". O brasileiro que se contente com o que "está tendo", como de hábito... Quatro horas diárias no ensino básico, enquanto em outros países são oito... Trabalhar de dia de fazer faculdade a noite, enquanto os países civilizados dão manutenção integral aos estudantes. Mas é o que “está tendo”. E as pessoas ficam felizes com as esmolas públicas: cursinho noturno, bolsa família, vale gás, voto para analfabetos...Claro que uma pessoa empenhada pode tirar melhor proveito no curso noturno que outra menos dedicada no curso diurno. Mas o rendimento da mesma pessoa, igualmente motivada, nas duas condições, é incomparavelmente melhor no curso diurno, dedicando-se exclusivamente a sua tarefa estudantil.Assim como se exige dedicação exclusiva aos bolsistas de pós (o que raramente é cumprido com honestidade) deveria ser exigido que os estudantes das universidades públicas tivessem dedicação exclusiva.Mas a maior parte dos estudantes,em qualquer tipo de estabelecimento de ensino, não está preocupada com o aprendizado. A maior parte só quer o diploma! É uma lástima.A maior vantagem do ensino público é que "não paga"... Então o diploma sai mais barato. E ainda existe a fantasia do ensino gratuito. Nada, meus amigos, nada é gratuito! O ensino público é pago pelo contribuinte. E pago muito caro. O custo de um curso noturno, em pessoal e na maioria das rubricas, é o mesmo do curso diurno, e o produto final é pior. Então, a relação custo benefício é mais desfavorável e o curso noturno é mais caro para quem o custeia: o povo, com seus impostos. Mas para o governo populista, fica o benefício de estar estendendo a esmola à sua corriqueira massa de manobra.Voltando a questão do descaso do estudante com a qualidade de sua formação, com a busca pelo diploma e não do conhecimento, tenho feito uma comparação que, embora mais válida para as instituições privadas, cabe também aqui: o ensino no Brasil é como se o cliente entrasse numa loja, escolhesse o produto, adquirisse, e depois levasse apenas a nota fiscal, abandonando a compra.No caso do ensino público, quando ele é ruim, fica como se o aluno ganhasse o presente do povo, mas só ficasse com o cartão que acompanha o presente: o diploma!Depois, meus amigos, no mercado, vocês verão que diploma sem conhecimento não vale nada. Diploma sem conhecimento é nota fiscal sem produto. O diploma do aluno que não aprendeu ou aprendeu mal é a mentira em que ele próprio acreditou. A mentira que ele conta para os pais e para o mercado, mas o mercado não cai nessa não. Sem risco! Abraços, e tirem o melhor proveito possível do "que está tendo" - mas lembrem- se de lutar por coisa melhor. Todos merecem. Só que os brasileiros estamos nos contentando demais com "o que está tendo".

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