1 de julho de 2012
Pipoca e autoajude-se
De manhã, assim cedinho, um café gostoso, fumegante, um pedaço de broa de fubá com queijo e uma cuia de pipoca!
Sabe quando a gente vai ao pipoqueiro, compra um pacotão quentinha, doce ou salgada, sai comendo e namorando, pensando na morte da bezerra e, de repente, uma pipoca da outra no pacote? Se você comprou doce, vem uma salgada - se você comprou salgada, vem uma doce. Acontece sempre. Poizé, aquela é a pipoca que a gente come primeiro: é a pipoca cotista.
O sistema de ensino deveria ampliar as capacidades, habilidades e possibilidades das pessoas na mesma proporção em que o milho se expande ao virar pipoca, mas os pedagogos inventaram um sistema infalível, chamado de educação, em que a maioria não arrebenta. As escolas se transformaram no inverso do que os jovens desejariam delas, são lugares entediantes, pasteurizadores, castradores e repletos de artifícios para impedir o desenvolvimento pleno da personalidade, da criatividade e da curiosidade. Usar a escola que está aí como instrumento de desenvolvimento integral é quase como tentar estourar milho em panela de pressão: a proporção entre piruá e pipoca é inversa à aceitável.
Divulgados alguns resultados do senso, tantos católicos, mais evangélicos, apareceram os ateus. Apareceu uma nova classe média que está dando muito trabalho para o Bolívar Lamounier. A expectativa de vida aumentou, diz que tem mais gente na escola. Mas, na prática, piruá continua piruá e pipoca é bem melhor.
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Cansei disso por hoje e por muito mais tempo. Os papos políticos, muitas semanas antes das eleições, já estão parecendo pipoca murcha, aquele finzinho que a gente insiste em comer mas já está ruim. Muito sal. Melhor para e jogar o restou fora: a maioria é piruá, mesmo. Então, vou lavar a boca e catar as casquinha de milho entre os dentes. Inté pra vocês que ficam.
Sabe quando a gente vai ao pipoqueiro, compra um pacotão quentinha, doce ou salgada, sai comendo e namorando, pensando na morte da bezerra e, de repente, uma pipoca da outra no pacote? Se você comprou doce, vem uma salgada - se você comprou salgada, vem uma doce. Acontece sempre. Poizé, aquela é a pipoca que a gente come primeiro: é a pipoca cotista.
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| Na fertilidade de nossa mente, as ideias deveriam se expandir feito milho de pipoca, mas o sistema de ensino se encarrega de transformar o cérebro das pessoas em piruá sem sal. |
Divulgados alguns resultados do senso, tantos católicos, mais evangélicos, apareceram os ateus. Apareceu uma nova classe média que está dando muito trabalho para o Bolívar Lamounier. A expectativa de vida aumentou, diz que tem mais gente na escola. Mas, na prática, piruá continua piruá e pipoca é bem melhor.
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Cansei disso por hoje e por muito mais tempo. Os papos políticos, muitas semanas antes das eleições, já estão parecendo pipoca murcha, aquele finzinho que a gente insiste em comer mas já está ruim. Muito sal. Melhor para e jogar o restou fora: a maioria é piruá, mesmo. Então, vou lavar a boca e catar as casquinha de milho entre os dentes. Inté pra vocês que ficam.
30 de junho de 2011
Deseducação programática
Volta e meia vem a baila o argumento de que os governos não promovem a educação (sic) por pretenderem que um povo menos instruído (sic) seja mais condutível, de alguma forma. Não me recordo de nenhum teórico maquiavélico (tampouco Maquiavel) ter proposto essa ideia. parece-me absurda e imprópria, advinda das teorias conspiratórias que sempre estiveram em voga e são mais férteis que a mente de qualquer conspirador.
Já ouvi o argumento de que as falhas no sistema de ensino sejam programa de governos de todo tipo de ator político, de todas as cores partidárias. "É 'programático' o ensino ser ruim", já isso ouvi de TODOS os governos, desde que me entendo por gente. Mas não, penso que as falhas do ensino sejam incompetência de governantes mesmo, deixam a coisa na mão de pedagogos e dá nisso!
TweetFollow @pathaydeO que desanda tudo, na realidade é que o lugar certo de educar é em casa - e não educam - os pais mandam as crianças sem educação às escolas que as devolvem sem instrução. Ninguém faz o que deve, uns põem as culpas nos outros, e fica o povo como está aí, elegem essa troupe e se deleitam com as bolsas-miséria.
Se o desensino tiver sido programático para os tais governos, não funcionou como programa, pois eles vieram sendo alijados do poder uns depois de outros!
Educação (em casa) e instrução (pública ou privada) tem que ser programa social (da sociedade), político (do povo da polis), comunitário, e de todas as mais esferas - até, até! - a de governo, mas esta segundo os ditames das anteriores. Aqui em nosso país, relegamos tudo ao governo, esperamos tudo dele - e sem muita esperança! Brasileiros costumamos ver governos como panaceia para tudo, leis como bulas infalíveis (ou feitiços onipotentes).
Educação (em casa) e instrução (pública ou privada) tem que ser programa social (da sociedade), político (do povo da polis), comunitário, e de todas as mais esferas - até, até! - a de governo, mas esta segundo os ditames das anteriores. Aqui em nosso país, relegamos tudo ao governo, esperamos tudo dele - e sem muita esperança! Brasileiros costumamos ver governos como panaceia para tudo, leis como bulas infalíveis (ou feitiços onipotentes).
Para uma nação (não uma pátria) ter rumo, só se despindo das fantasias de adesismos (tirando as camisas das facções), assumindo que nenhum time de salvadores vai resolver o milagre da multiplicação no erário e tomando em mãos firmes a rédeas do público e do privado, uma em cada mão, sem inversões espúrias!
Para complicar tudo, ainda vivemos no Estado nacional mais antigo de todos, pois o nosso é sequência direta, ser rupturas, do velho estado português - que até em Portugal se reformou! - mas aqui ainda perdura feudal, corrupto, burocrático, paternalista e patriarcal.
Já é hora de essa sociedade, esse povo, se erguer do berço esplêndido a que somos relegados até pelo Hino Nacional. Descubra-se o óbvio - é tomando para si a gestão que se gere, delegar é uma forma de gestão, mas relegar (como os brasileiros fazemos com a coisa do Estado) é renunciar ao resultado.
20 de julho de 2010
Anhanhonhacanhuva
Recorro a uma das mais curiosas expressões do tupi, que devemos aos bravos goitacás precedentes aos bandeirantes, para dar uma pálida ideia do que penso de nosso sistema educacional.
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| O buraco onde Dilma vai se enfiar. |
Anhannhonhacanhuva, palavra quase impronunciável – onde nasalar ou não? É simplesmente um sumidouro. Sobrou em nossa língua como toponímico, embora restem lembranças de seu significado comum: sumidouro, a espiral que suga as águas e desaparece com elas pelo interior ignoto dos oceanos subterrâneos de água doce.
Pois bem, uns dizem que o sistema educacional do Brasil é um círculo vicioso: professores mal pagos, profissionais insatisfeitos e desqualificados extraídos do restolho do mercado de trabalho, condições de trabalho abaixo da crítica, carga horária exígua, superlotação das salas, legislação castradora, hierarquia administrativa vertical, resultados desastrosos – e os mais infelizes produtos dessa tragédia se tornam, para fechar a ciranda, professores de novo! Podem-se acrescentar ou retirar elementos dessa roda infernal, mas o resultado é sempre o analfabetismo funcional com que a juventude surge de todos os graus de ensino, cada vez mais elevados em tese.
Mas não bastava, pioraram tudo. Não era suficiente a trama circular e nefasta que já degringola a educação brasileira há quase quatro décadas, fartamente nutrida por correntes de pensamento pedagógico hauridas nas mais pitorescas fontes, sempre em detrimento da experiência dos professores pelo experimento dos pedagogos.
Agora que todo o conhecimento do mundo está disponível universalmente, justo quando o ideal iluminista do ensino cíclico e universal (egkuklopaideía – enciclopédia) se torna verossímil pelo advento da internet, mergulham de vez o sistema educacional em um buraco sem fundo, trocam a ciranda viciada pelo sumidouro com a introdução de um abantesma a que chamam educação a distância.
Educação a distância há de ser o golpe final no sistema que nos fará eternamente fornecedores de mão de obra desqualificada, atacadistas de açúcar (desde o século XVII), de minérios (desde o XVIII), de grãos (XIX em diante) até chegarmos ao petróleo (a promessa do XXI no pré-sal) – sempre commodities mercantilizadas sem agregação de valor, apenas o extrativismo ou cultura primária, prescindindo de conhecimento ou trabalho agregados.
Educação a distância é o que há de mais distante da educação. Não há nenhuma dúvida de que os seus fautores fazem o pior uso possível da internet, tornando-a o inverso do que ela representa de positivo: ao invés de uma fonte imensurável de todo conhecimento humano a ser gerida no processo educativo pelos professores, torna-se o substituto do próprio professor e a alternativa para a gestão do processo de apropriação do conhecimento passa a ser sua redução ao apostilismo eletrônico. O sistema educacional mergulha no sumidouro em que o magistério será a primeira vítima: professores se tornarão dispensáveis, pelo menos nas quantidades até aqui demandadas. Se já impunham quatro, cinco, seis ou mais dezenas de alunos em cada turma, chagando alguns professores a somar cinco ou seis centenas de alunos dentre suas diversas turmas, agora esses números se exponenciam. Milhares podem ver as aulas gravadas (telecurso mudou de nome?) e difundidas pelos sites das instituições de ensino (para as privadas isso virou o negócio da China!). Na propaganda governamental, os dados retumbam: dobram o número de alunos dos cursos superiores (superiores em relação a quê?).
Os casos de que tomo conhecimento se tornam dia a dia mais escabrosos. Vou citar apenas três, suficientes para formar opinião de quem quer ter alguma no caso. Primeiro, na mesma instituição de minha primeira graduação há um curso de bacharelado a distância em administração de empresas. Mais de cinco mil – não errei não: cinco mil – cinco mil infelizes recebem apostilas, vídeo-aulas e diplomas (não consigo deixar de me lembrar do Instituto Universal Brasileiro – meu pai aprendeu desenho mecânico com eles). Quero saber quem é que vai dar emprego para essa moçada depois de formados. Hoje já temos o mercado inflacionado de administradores advindos de faculdades abertas em qualquer garagem que estivesse desocupada. Agora termos desocupados desinformados longe das faculdades e das garagens. O débito social para com essa massa de juventude ludibriada por tal política pública falsífica é incomensurável. A frustração do desemprego decorrente, ou subemprego para os menos infelizes, terá repercussão nos índices de criminalidade, de suicido, alcoolismo e em todos os mais nefastos indicadores sociais. Pessimismo? Predicação friamente calculista eu diria.
Segundo caso: tenho notícia da existência de um curso de graduação em artes cênicas a distância... Podem imaginar algo mais grotesco que isso? Imaginem as aulas de mímica, de improvisação (para as quais, então, a faculdade pode ser substituída pelo Youtube). A profundidade dramática que tais alunos alcançarão ultrapassará todas as didascálias, estejamos certos. Mas aqui ainda nos resta o consolo de que não se morre de rir, por melhor que seja a comédia – nem se morre de raiva, por pior que seja o drama.
E a pior noticias de todas: há treinamento a distância também na área de medicina. Tenho notícia segura de treinamento a distância em cirurgia oncológica pediátrica. Creia-me. Não preciso divagar sobre os benefícios e qualidades de tal programa – todos adorariam ter um filho canceroso operado por um cirurgião formado pela internet. Morbidez no sentido mais literal impossível.
Estão conseguindo romper o círculo vicioso do sistema educacional no Brasil. O giro sem fim dos vícios do sistema está findando. Abriram um sumidouro para engolir a didática, o humanismo, a humanidade da relação professor-aluno. Estamos mergulhando numa incógnita do tamanho do Aquífero Guarani. E para nutrir o aquífero, nada tão eficiente como um sumidouro, ou anhanhonhacanhuva.
Leia por este blog: Fé e confiança - Entendeu? - Foto ilustrativa - Panóptico da contemporaneidade
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No blog da Keimelion: A atividade do revisor de textos
1 de outubro de 2008
Ao Aluno do curso noturno
Qualquer pessoa vale o mesmo, o valor da pessoa é absoluto e não passível de quantificação ou comparação. Alunos podem ser melhores ou piores, de acordo com as possibilidades que tenham ou não lhes seja oferecidas. Isso sim. O curso noturno é sempre inferior, sempre, ao diurno. Quando ele é oferecido à noite por uma instituição pública, significa que o Estado não é capaz de manter o estudante para que ele tenha condição de desempenhar satisfatoriamente seu encargo acadêmico. Significa que está se maximizando a ocupação do espaço físico das salas de aula, mas isso não muda o fato de que o curso noturno seja destinado àquele que trabalha durante o dia, portanto, alguém que não vai ter aulas como parte do processo de ensino-aprendizado, mas vai LIMITAR seu curso às aulas. Não vai ler, não vai experimentar, não vai ter descanso no fim de semana que deverá ser empregado em tarefas escolares...Já
lecionei em uma dez IESs, em diversos estados, em cursos noturnos e diurnos. Já estudei em algumas, diurno e noturno, sei bem a diferença. É pior sim - mas é o que "está tendo". O brasileiro que se contente com o que "está tendo", como de hábito... Quatro horas diárias no ensino básico, enquanto em outros países são oito... Trabalhar de dia de fazer faculdade a noite, enquanto os países civilizados dão manutenção integral aos estudantes. Mas é o que “está tendo”. E as pessoas ficam felizes com as esmolas públicas: cursinho noturno, bolsa família, vale gás, voto para analfabetos...Claro que uma pessoa empenhada pode tirar melhor proveito no curso noturno que outra menos dedicada no curso diurno. Mas o rendimento da mesma pessoa, igualmente motivada, nas duas condições, é incomparavelmente melhor no curso diurno, dedicando-se exclusivamente a sua tarefa estudantil.Assim como se exige dedicação exclusiva aos bolsistas de pós (o que raramente é cumprido com honestidade) deveria ser exigido que os estudantes das universidades públicas tivessem dedicação exclusiva.Mas a maior parte dos estudantes,em qualquer tipo de estabelecimento de ensino, não está preocupada com o aprendizado. A maior parte só quer o diploma! É uma lástima.A maior vantagem do ensino público é que "não paga"... Então o diploma sai mais barato. E ainda existe a fantasia do ensino gratuito. Nada, meus amigos, nada é gratuito! O ensino público é pago pelo contribuinte. E pago muito caro. O custo de um curso noturno, em
pessoal e na maioria das rubricas, é o mesmo do curso diurno, e o produto final é pior. Então, a relação custo benefício é mais desfavorável e o curso noturno é mais caro para quem o custeia: o povo, com seus impostos. Mas para o governo populista, fica o benefício de estar estendendo a esmola à sua corriqueira massa de manobra.Voltando a questão do descaso do estudante com a qualidade de sua formação, com a busca pelo diploma e não do conhecimento, tenho feito uma comparação que, embora mais válida para as instituições privadas, cabe também aqui: o ensino no Brasil é como se o cliente entrasse numa loja, escolhesse o produto, adquirisse, e depois levasse apenas a nota fiscal, abandonando a compra.No caso do ensino público, quando ele é ruim, fica como se o aluno ganhasse o presente do povo, mas só ficasse com o cartão que acompanha o presente: o diploma!Depois, meus amigos, no mercado, vocês verão que diploma sem conhecimento não vale nada. Diploma sem conhecimento é nota fiscal sem produto. O diploma do aluno que não aprendeu ou aprendeu mal é a mentira em que ele próprio acreditou. A mentira que ele conta para os pais e para o mercado, mas o mercado não cai nessa não. Sem risco! Abraços, e tirem o melhor proveito possível do "que está tendo" - mas lembrem- se de lutar por coisa melhor. Todos merecem. Só que os brasileiros estamos nos contentando demais com "o que está tendo".
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