28 de outubro de 2008

Dono do que compra?


André Leandro

A sociedade atual possui uma série de valores provenientes do ideário iluminista, um deles é a liberdade.
O Brasil foi um país escravagista até 1888, mas, mesmo antes disso, pregou liberdade, como em 1822, com sua independência em relação a Portugal. A partir disso, pode-se notar que o conceito de liberdade variará com a época e com o interesse de quem está no poder.
Hoje a sociedade vive uma nova relação de liberdade e escravidão. Existem leis que garantem ao cidadão sua individualidade e seu direito de expressá-la, negando ou aceitando situações de acordo com seus interesses. Mas, apesar disso, o indivíduo sempre fará a escolha necessária para sobreviver e, atualmente, sobrevivência está diretamente relacionada a dinheiro que, por sua vez, relaciona-se ao interesse do capitalista.
O capitalista veicula, através dos meios de comunicação de massa, uma ideologia, tenta convencer o grande público do que é necessário para viver, para estar incluso na sociedade. E para ter acesso a isso o ser humano agirá de diferentes maneiras, por exemplo: trabalhar muito e tentar subir na vida como um bom burguês, roubar, prostituir-se, traficar. Assim, o homem se torna escravo do consumismo e, por conseqüência, do dinheiro.
Até o século XIX o indivíduo não escolhia ser escravo. Na atual sociedade o ser humano abre mão de sua liberdade. Seja vivendo em função de produzir riquezas, mesmo que isso seja maléfico a seu corpo e mente, seja cometendo atos ilícitos. O homem não domina mais o que pode comprar, mas se encontra dominado pelo desejo de possuir, como se ele dependesse do objeto para existir ou para poder ser útil.

Um comentário:

  1. Públio, esse post vai na mesma direção do que tenho escrito agora... dá uma olhada no meu blog. "Sobre a efemeridade da vida e modos sustentáveis de vida" é a cara desse seu, quase como uma continuação, apesar de ter sido escrito um pouco antes (ou, ao menos, postado antes). heheheh

    Abração!

    ResponderExcluir

Diga o que disser, eu publico se me aprouver.