21 de novembro de 2008

Aos voluntários nas ONGs


A existência de uma entidade é uma corrida de revezamento. Cada um de nós corre nossos metros como pode. Mas em qualquer outra ONG não tem linha de chegada nem pódio. Não se trata de um bastão pra cada um segurar de sua vez, é um poste que temos que segurar juntos; um cai, levanta e pega de novo; outro cai e é pisoteado; vez em quando chega alguém pra tomar o lugar de alguém que caiu; alguns postes são largados à beira da estrada ou no meio do caminho pra atrapalhar outras equipes. Uns postes são de bambu: finos e lisinhos, outros são de paineira: grossos e cheios de espinhos! Tem entidade que distribui medalhas pra todo mundo! Medalhas de Gratidão pra quem cortou o poste e começou a corrida, Bons Serviços pra que fica mais tempo com o poste no lombo, Valor pra quem é pisado pelo meio da corrida. As medalhas maiores e mais bonitas ficam para o Comitê Olímpico. O reconhecimento dos corredores é bom: valoriza as pessoas e estimula outros é emprestarem o ombro; mas é ruim se a chama da motivação for substituída pela fogueira das vaidades. O tiro de largada é a consciência da solidariedade, mas não temos fitas a romper com peito estufado: lembremo-nos de que a meta é a corrida em si. Cada um tem seu papel: os mais baixos ficarão pendurados no poste quando a rota passar no fundo do vale, mas serão fundamentais para transpor os cumes - se estiverem no segmento médio do poste, ou ao contrário se sua posição for às extremidades. Tem função pra todo mundo. Bom, em tempos de Lula na presidência, estamos no reino das metáforas... Saudações e abraços.



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