5 de novembro de 2008

Joaquim Barbosa para Presidente

Antes que já o tenham feito, ou mesmo nesse caso, venho lançar o nome do ilustre mineiro de Paracatu para a Presidência da República. Aviso de cara que não pedi licença a Sua Excelência para o fazer, nem sequer jamais tive qualquer contato direto com o Ministro do Supremo, sobre qualquer assunto.

Sou admirador do renomado jurista e acompanho amiudamente sua atuação no Supremo pela TV Justiça. Separei, entretanto, esse parágrafo para justificar meu apontamento e minha lembrança para o nome de Joaquim Barbosa ao cargo maior do Executivo brasileiro. O corte foi étnico. Como temos o hábito de macaquear o Big Brother do Norte, é bem possível que necessitemos de algum afro-brasileiro (que expressão idiota!) concorrendo ao Planalto em 2010.

Posta essa questão, passemos os olhos aos homens públicos de primeira grandeza no Brasil. Quantos têm em sua genética o componente étnico de origem afra, assim como Joaquim Barbosa, e que é tão difuso em nossa população? Pouquíssimos, certamente em proporção muito menor que a imaginável em uma democracia dita racial – seja lá o que isso signifique. Outro grande equívoco, aqui e lá, é colocarmos o termo afro como um balaio em que cabem todas as origens africanas. Há mais etnias naquele continente que nossa compreensão pode processar; generalizar todo gene que vem da África é o mesmo que fazem os estadunidenses ao nos classificar como latinos, com toda imprecisão e equívocos históricos que o termo contém. Gilberto Gil tem a mesma envergadura de meu proposto e formação étnica correspondente; faltam-lhe, entretanto, algumas das qualidades que se seguem, mesmo sobrando outras.

Mais um atributo necessário, cumprido à risca pelo Conspicíssimo Julgador, e que o qualifica a pleitear nas próximas eleições o cargo de Lula é a mineiridade. Está escrito alhures que o próximo Presidente da República será mineiro. Que mais pesa a favor deste nome que aponto? Bem, o ministro Barbosa fala francês às maravilhas; lembram-se de como impressionava bem FHC discursando em francês ou Guga dando entrevista naquele idioma assim que alcançou o cenário internacional? Falar a língua de Voltaire ainda pega bem, principalmente depois de um Presidente que, para tanto discurso que faz, só dispõe do português, por mais unificado ortograficamente que esteja o idioma de Camões. Livros publicados! Sim, Joaquim Barbosa publicou La Cour Suprême dans le Système Politique Brésilien, lançado na França em 1994 pela Librairie Générale de Droit et de Jurisprudence (LGDJ), na coleção Bibliothèque Constitutionnelle et de Science Politique; e Ação Afirmativa & Princípio Constitucional da Igualdade. O Direito como Instrumento de Transformação Social. A Experiência dos EUA, publicado pela Editora Renovar, Rio de Janeiro, 2001 – duas obras que reforçam cabalmente meus argumentos até aqui delineados. A primeira, publicada na Europa, pauta a fluência do Ministro além-mar e a segunda redunda a necessidade de transformação social pela via jurídica, não li – mas certamente inclui a senda eleitoral e étnica. O currículo do Ministro tem passagens pelos EUA que o abonam a transitar por ali com mesma desenvoltura que a européia: foi bolsista da Ford Foundation (1999-2000) e da Fundação Fullbright (2002-2003). Se desejaram algo exótico, é bem possível que Sua Excelência saiba falar algo do finlandês, posto que serviu na Embaixada do Brasil em Helsinki.

Por fim, a vantagem prática: Joaquim Barbosa, na necessidade do cargo que ocupa, não tem nenhum vínculo partidário nem manifesta qualquer preferência publicamente. Está apto a ingressar em qualquer legenda disponível para o concurso a que o aponto. Temos aí o PMDB, grande partido em votos e estrutura, sem nenhuma ideologia, sem nenhum presidenciável: prontinho para convidar um homem da estatura do Ministro Barbosa a apear da toga e subir ao palanque!
Os Ministros do Supremo Tribunal Federal