11 de outubro de 2009

Considerando


Já é obvio ululante que a mídia pôde catapultar a pré-candidata petista aos pináculos da pesquisa eleitoral, deflagrando prematuramente o processo da sucessão presidencial; destarte, inseridos prematuramente no contexto maniqueísta de bem e mal, caberá ao eleitorado, cônscio de suas responsabilidades cívicas, não incorrer em erro gritante de consequências imprevisíveis, mas sufragar uma postulante alicerçada com base a apresentação do chefe do Executivo, conquanto biografia pregressa não tem histórico de vitórias eleitorais anteriores.

Não se pode prever, assim de improviso, uma vitória esmagadora da candidata tão somente por estar atrelada firmemente ao líder carismático do PT; é obvio que ambos fizeram por merecer a posição que ocupam, com direito à posição que têm nas pesquisas. Se não é tão caloro
sa a recepção que a candidata mineira tem tido, apresentada até o momento como estrondoso sucesso de seus marqueteiros copartidários e importados do exterior, pode surgir sempre outro candidato correndo por fora, ou pelo lado adjacente, e que também se coloque em sintonia com os corações e mentes do eleitorado pelas vias ordinárias do mesmo líder operário.

O eleitor, via de regra, não está vislumbrando nenhuma luz no fim do túnel, e ainda tem em mente o prejuízo incalculável produzido pelo voto ao último salvador da pátria, Collor; não que estejamos agora no fundo do poço, como a Honduras ou Haiti, nem tampouco na situação de inflação galopante de consequências imprevisíveis de décadas passadas, mas nem por isso podemos tomar uma decisão eleitoral a toque de caixa, chegar a um denominador comum para preencher a lacuna abissal que será gerada pelo fim do mandado de Lula, de atuação irretocável; esse mister será fonte inesgotável de debates acalorados das lideranças, que se verão na contingência de trocar muitas figurinhas antes de poderem respirar aliviados e fazer a colocação definitiva dos nomes para o sufrágio.

Nova vertente inserida no contexto sucessório, a resolução tirada há tempos atrás pe
lo TSE, a partir da reivindicação de um dos partidos, limita a possibilidade da multiplicidade de coalizões, unificando-as em nível nacional. A decisão proferida está provocando ruído ensurdecedor de pesadas críticas por parte dos parlamentares que se sentem prejudicados em seus direitos adquiridos de conluio. O egrégio tribunal pôde assim abrir com chave de ouro sua interveniência no pleito, mesmo sob duras críticas dos parlamentares.

A candidata, enquanto mulher, pode agora atirar duras farpas àquela corte pela decisão que está coberta de requintes de crueldade chauvinista. O ataque fulminante daqueles magistrados não visava certamente a candidata, nem pretendia impedi-la de fazer uso de sua incalculável herança partidária e recursos do erário público na campanha, afinal isso não seria mesmo fator decisivo, sabe-se que a eleição é sempre uma caixa de surpresas, e o equipamento sofisticado de avançada tecnologia representado pela urna eletrônica, se for equipado com a plataforma eleitoral XP, certamente será indefectível.

A carreira brilhante da candidata poderá, não obstante, ser coroada de êxito, se ninguém
mais, correndo por fora, deflagrar um pavoroso incêndio nos cartórios eleitorais e nas juntas de apuração, tal como o causado pela irreparável perda a nível democrático da decisão do TSE.

Cumpre-nos debelar as chamas do retrocesso político daquele tribunal, literalmente tomado de entulho autoritário no uso da internet e esbulho posserório no caso do MST, e fazer coroar de êxito a candidatura petista, outorgando um caloroso abraço às instituições progressistas sem denegrir familiares inconsoláveis nem se deixar trair por emoções visíveis.

Certamente não seria demais quebrar o protocolo e intimar a colenda corte a rever suas deliberações eivadas de equívocos. Há de haver uma forma de aparar essas arestas entre o direito e a democracia, calorosos aplausos hão de substituir as estrepitosas vaias que se fazem ouvir àquele tribunal no presente momento, já não obsta a campanha prévia com eficácia impeditiva.


Articulando
Coletânea de artigos. O artigo acima e outros mais estão publicados no livro Articulando, excelente sugestão para entretenimento ou presente. Alguns são artigos leves, outros bem mais profundos. Alguns têm origem em trabalhos acadêmicos e foram simplificados para essa edição, estando disponíveis inclusive pela internet, suas versões completas e anotadas. Há artigos bem recentes e outros de mais de dez anos.

Um comentário:

  1. Não vamos nos esquecer que o Brasil é um pais de bastidores, dos bastidores e neles é que solto a verdade que pode ainda não ser verdade ou mesmo poderá ser verdade por mim criada (será?). Não nos esqueçamos do Palocci que pode renascer das cinzas frias e molhadas pelo esquecimento e gloriosamente vir substituir a companheira Dilma antes do final do primeiro tempo do jogo que sequer começou. Anotem e vamos conferir.

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