Este texto não se faz por partes. Ele é concebido, projetado e registrado em conjunto, todas as partes ao mesmo tempo. Trata-se uma recuperação de memória e seu registro simultâneo, trata-se de dar estrutura sintática a cada lembrança e explorar semanticamente cada possibilidade representativa das palavras para fixar uma memória. Trata o texto de ser de uma macroestrutura representativa estática tentando fixar uma estrutura hipercomplexa e dinâmica. E o texto não é todo a um só tempo, mesmo já o sendo. O texto é a parte dele em que estamos, mesmo sendo o que já dele conhecemos e o que viremos a conhecer. Assim como a vida, ou as memórias – que são igualmente apenas o presente e a afloração do agora, também sendo o perfeito e o mais-que-perfeito tanto quanto os devires. E note aqui que saí do campo das metáforas, não substituindo texto por vida – apenas traçando entre ambos o paralelo material.
O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo.
[…] (Gregório de Matos)
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo.
[…] (Gregório de Matos)
As pesquisas envolvendo busca de memória, principalmente as baseadas na oralidade, têm a fala como veículo das lembranças e os artifícios metodológicos (posto que toda metodologia é artificial em busca de uma complexidade fática inalcançável) resultam em procedimentos de elicitação da informação de diversos sujeitos passivos na pesquisa por um (ou mais) pesquisadores ativos.

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