Infeliz(mente) os fatos nem mentem nem desmentem, eles têm a mania de ser completamente passivos e aceitarem quaisquer interpretações suas sem se alterarem. Pode-se dizer de qualquer fato, a qualquer tempo, o que bem se entender - o ouvinte... é que vai entender segundo sua vontade de entendedor ou fazer ouvidos moucos, como o antigo merca(dor). Os fatos podem ser mesmo bem maltratados, torcidos (assim como os verbos, os substantivos...) não reclamam. A gente sabe que os fatos, além de irretocáveis, são irretratáveis: essa mania de pedir desculpa que temos também não muda os fatos, nem os (arte)fatos se mudam com as escusas. Fatos e coisas ([arte]fatos] também têm outras propriedades semelhantes: as duas categorias podem ser compradas e vendidas, encomendadas até pela internet, daquém ou dalém mar - a única diferença é que, do outro lado do atlântico o fato vira facto, mas permanece fático mesmo com o passaporte carimbado. Felizmente, quando se quer desmentir, nem de fato a gente precisa - basta olhar na cara do mentiroso. Pois não há fato, torcido ou invertido, que resista à lógica cristalina de um olhar bem intencionado. Lula mente, independentemente dos fatos ou atrelado a eles.
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