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| Lutero traduziu a bíblia e, como cada leitor, deu a ela a interpretação que lhe pareceu mais conveniente. |
Uns dizem que na biblia há palavras de Deus - em todas que vi as palavras foram escolhida por tradutores, serão eles deuses ou inspirados?
Não existe tradução sem interpretação. Também não existe inquisição, felizmente - então posso dizer livremente o que penso: tenho séria dúvida de que pessoas informadas e inteligente tenham mesmo fés. Têm interesses que escondem sob (sob mesmo!) esse nome! Fé é a improvável crença no impossível. "Interesses ou necessidades, não importa. Interesse em causa própria, necessidade quando se pensa no outro." (Adriana Shnoor)
Até eu mesmo, eventualmente, finjo crer, por pura urbanidade: se um idoso ignorante me diz "deus te ajude", respondo naturalmente "amém, a nós todos", por cortesia.
Afinal, se alguém me disser "bom dia" eu não vou responder que não acredito em augúrios e nem na força das palavras...
E a coisa, partindo da premissa hipotética de que os fatos tenham sido segundo a versão bíblica mais corrente que se têm deles, pensando somente nos evanjelus (quem duvidar confira, está dicionarizada essa forma timorence em nossa língua unificada), começa interpretativa na fonte: o fundador não escreveu bulhufas; seus seguidores, 50, 10 ou 250 anos depois de sua morte registraram o que ele teria dito. O sínodo de Hipona depois escolheu as versões "compatíveis" entre si e com os interesses correntes. Imaginem como deve ter sido o quebra-pau! Quem já participou de algum colóquio sabe. Então, ou a bíblia (recuso a maiúscula) é um texto completamente arbitrário, escolhido por gente, ou todos somos inspirados e podemos reinterpretá-la a gosto (tal qual Lutero - que pegou o texto grego, que já era latino depois de ter sido grego e aramaico).
Fé pra mim, fé mesmo é no catálogo telefônico, mais de 98% das informações nele contidas representam fatos verdadeiros e podem ser constatadas, na hora, por qualquer um. No que me toca, os 2% restantes, falhas gráficas ou evolução dos dados, não correspondendo à situação atual, já são suficientes para meu descrédito naquele volume. E considerando que nunca se soube de um catálogo telefônico que tenha sido traduzido ou interpretado., tenho mais fé em qualquer catálogo telefônico que na bíblia.
Leia também neste blog: Violência e reação - Proxêmica - Eu "Ouro Preto" - Retórica da ação nas poéticas visuais

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