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| Casal de agávias azuis em voo. |
Como a maioria sabe, a Agávia Azul (Cyanopsitta tequilana) é uma ave da família dos psitacídeos originária do México (onde está praticamente extinta) e que migrou para o Recôncavo Baiano e busca de habitat seguro. Originária do deserto de Chihuahua, a ave vinha sendo capturada há décadas pelo seu valor econômico, como insumo na fabricação de tequila, em cuja fermentação seu fígado e outras glândulas são importante elemento catalisador, assim como as penas – que, queimadas na destilação, agregam delicado aroma ao produto.
O fenômeno da arribação da agávia, sem par na história ornitológica recente, precisa ser mais conhecido para que aqui a ave encontre a proteção que na origem lhe faltou. Ambientada onde a pita abunda essa ave tem uma convivência quase simbiótica com aquela planta e suas variedades; a pita (Furcraea foetida) proporciona fibras para a nidificação da agávia e tanino para combater dermatoses que acometem, assim como previne a ressaca depois de intensas libações.
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| Pita nativa no Recôncavo. |
Outro componente necessário no habitat da agávia azul, que foi bem provido no Recôncavo, são depósitos de sal, cuja presença na dieta da ave é muito importante, assim como de répteis e outros integrantes da fauna salobra que integram o cardápio da ave.
Nesse contexto, em que o ambiente acolhedor e propício do Recôncavo se tornou o porto seguro da agávia, são três os riscos a que aquele habitat está sujeito, todos decorrentes da ganância dos indivíduos e da sociedade. O primeiro fator que tende a comprometer o novo habitat é o projeto da Ferrovia Norte-Sul que está na iminência de cortar em duas a área em que agora a agávia azul está se reproduzindo e em vias de alcançar uma população com massa crítica estável. O transtorno ambiental das obras, no primeiro momento, e dos os ruídos do deslocamento das composições acarretarão um nível de estresse nas aves cujas consequências não se podem prever, mas certamente implicarão em redução da fertilidade. Depois, o braço Sul da Transposição do São Francisco irrigará grande parte das áreas em que atualmente a pita abunda, propiciado a troca da cobertura natural por lavouras de uvas e tâmaras, quem podem vir a impactar por dois motivos, primeiro pela redução de fibras e tanino, depois pela mudança que as próprias frutas venham a introduzir no cardápio das aves e do consequente combate que os agricultores derem a elas pelos ataques às lavouras. Por fim, e mais drástico, é o uso que já se faz na região, das glândulas da ave para extrair as enzimas da fermentação de álcool de mandioca para a produção de um simulacro de tequila – e a agávia azul passa a encontrar aqui o mesmo predador que teve a origem: o homem e sua sede de bebidas destiladas.
Existe atualmente uma única ONG atenta para o problema, a Blue Peace, que ainda está em fase de arrecadação de recursos para empreender projetos de preservação e atuar junto aos parlamentos no sentido de sensibilizar os governos para a preservação dessa ave exógena que buscou socorro em nossa Terra Brasilis, segura de que aqui não falta abrigo para aqueles que arribaram por não termais segurança em outros portos. Procure um posto de arrecadação e colabore, antes que seja tarde, na preservação da Agávia Azul, e que em nosso céu haja sempre espaço para a diversidade.


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