2 de julho de 2012

Pipocas existenciais

Preste muita atenção em seu próprio umbigo caso haja uma pipoca nele. Já o grão de milho no umbigo é o Viagra do pobre... O pinto sobe para comer o milho e pronto!

Pronto mesmo! Dei um jeito na coluna e mal estou me movendo. Enésima vértebra lombar, ao sul do embigo (embigo ou umbigo, o buraco tapado é o mesmo!) - no lado oposto dele, claro; nem saí para almoçar, mandei vir. Para quem não tinha nada que fazer, agora só me resta o entretenimento do repouso. Ficarei aqui, como milho na espiga; a espera de ser debulhado para me jogarem na panela e eu voltar a saltitar! Homessa, milho velho na espiga não dá pipoca!

Nossa! Estou penando! Lombalgia. Prestem atenção: não estou depenando, não estou soltando penas. Estou pagando pena, sofrendo! Posso agora imaginar como sente o milho de pipoca rebolando no fundo quente da panela, isolado fogo por um material excelente condutor de calor e sendo agitado por uma insidiosa colher... É cruel. Pense no milho quando você for fazer pipoca. Cada baguinho é uma semente, uma vida que você está sacrificando a seu deleite. E eu aqui, mal dando conta de me levantar da cadeira, andando como se houvesse me borrado e gemendo como uma porteira velha! Apiede-se. Socorro, preciso de alguma cardina que acompanhe a pipoca salgada.
Eu acho que as pipocas são socialistas. Todas elas são
praticamente iguais, se enfileiram em seus saquinhos sem
nenhuma distinção entre si, levam o mesmo sal e quase
nenhuma manteiga, são consumidas na velocidade em
que são produzidas e quase sempre há fila de espera.

Disseram que milho não sofre, ele desabrocha com o calor. Ora, cada coisa desabrocha por alguma motivo, certo? Mas alguém acha que eu devo tentar sentar na chapa quente pra ver se desabrocho? Melhor não.

Eu acho que foi a a excessiva cutucação do fim de semana que abalou minha coluna dorsal. Só pode ser... Vou parar de ficar à toa por hoje e só volto no sábado. Nem vai dar pra ir à cozinha estourar mais pipoca hoje. É que pra fazer pipoca a gente precisa rebolar, circular e pendularmente, no sentido inverso da rotação da colher na panela, de modo a manter o umbigo o mais estático possível. Quem nunca reparou, repare: quem tenta fazer pipoca sem dar o devido balaço ao quadril não alcança o mesmo êxito daqueles que o fazem com a maestria necessária.

Quer agradar a alguém? Diga o obvio, faça o que já foi feito. Repita. Tente de novo o que já deu certo. Coma pipoca no cinema! O problema é que o pacote acaba, normalmente, logo depois do trailer. Me agradaram muito, recentemente, com um pote de caviar. Vou lembrar pra sempre! E durou algumas hora a degustação!