11 de agosto de 2012

Não voto em ninguém

O exercício do voto é o ato em que vontade do indivíduo, de foro pessoal, se torna ação coletiva. Entre a opinião e a ação há distância operativa. Pode haver coincidência entre opinião e ação, mas quando o voto é secreto essa coincidência é apenas hipotética. Não votar não é omissão; não necessariamente. Não votar pode ser não aderir à ação coletiva, a opinião pode ser manifestada em outras esferas, a da comunicação, como ocorre aqui.
Braco ou nulo, o efeito é o mesmo.
As pessoas estão convencidas que escolhendo melhor podem corrigir o sistema, mas apenas podem mudar uns erros por outros, umas pessoas erradas por outras que errarão. As pessoas estão persistindo no erro, persistindo no engodo de achar que eleições mudam alguma coisa. Só mudam a lista de réus, quanto mais espertos forem eles, menos puníveis.
Outros dizem que que não vota não pode reclamar depois. Não vou reclamar "depois" - estou reclamando AGORA - pois sei o resultado. Nenhuma das opções nas urnas, em nenhuma cidade, vai mudar o resultado: repetição dos nomes que farão as mesmas coisas, ou nomes novos que farão as mesmas coisas. O defeito não está nas pessoas (apenas) o defeito é o SISTEMA. Não existem escolhas quando o sistema não presta. Qualquer pessoa não presta, se esse sistema é corrupto. Não vou mais ficar votando nesse ou naquele, não vou tentar trocar ratos gordos por ratos magros. Vou reclamar sim, vou reclamar de bandidos, vou reclamar de incompetentes. O meu direito de não votar não outorga a ninguém direito nenhum de roubar, ou praticar nenhum crime. Não vou participar disso, não vou, não vou, não vou. Não vou endossar essa pornochanchada. Estou de fora. Não existe escolha entre bandidos, meio-bandidos, canalhas, meio-canalhas. Não vou escolher menos pior. Não vou mais fazer escolhas por cor do bigode, por mentira mais bonitinha, por biografia mais santa.