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| Qual será a duração dos indícios positivos na economia? |
Romances históricos, poesia, crônica, crítica, sátira, humor, política e análise! Escrivinhações de um polímata.
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13 de dezembro de 2019
Atualizações e atualidades
O fôlego que a economia começa a tomar é um alento. Ainda não se pode afirmar se são efeitos positivos da gestão atual, ou simplesmente a acomodação pela supressão dos efeitos negativos dos governos anteriores. De qualquer modo, os índices são promissores – posto que meramente como tendência recém-revertida. Os fatores que constituem sólidos argumentos a favor da expansão nossa base econômica são constantes: milhões de quilômetros de terras agráveis, subsolo com jazidas imensuráveis, mercado interno dinâmico e diversificado. Os fatores contrários, principalmente aqueles conhecidos com "custo Brasil" estão a ser contornados: equilíbrio das contas correntes, redução do ônus da dívida pública, aterramento do abismo previdenciário, rompimento das peias trabalhistas – tudo isso aos poucos, mas com vieses de alvíssaras; todavia, será necessário desburocratizar todas as relações das cadeias produtivas e de gestão pública.
Resta-nos o histórico problema da impunidade, recentemente agravado pala interpretação forçada e deletéria emprestada pelo STF ao conceito de culpa para efeitos de cumprimento de pena; ainda temos um sistema de ensino vilipendiado por profissionais mal pagos e – consequentemente – insuficientemente qualificados; para não falar do epidêmico aparelhamento dos quadros do magistério pelos projetos hegemônicos de cunho duplamente gauchista, canhestro, embolorado e sebastianista; ainda temos a base de exportações fortemente ligada às comódites – e, em paradoxo, somos dos maiores exportadores de aviões a jato do mundo; ainda temos o parque industrial bastante sucateado, mas com capacidade ociosa para ocupar muitos braços que inda estão cruzados ou simplesmente tocando viola – cabe fazer aqui um reequipamento e atualizações de todo tipo: o caráter de ação que requer investimento e, como não temos poupança interna (principalmente depois que a existente foi dilapidada nas primeiras décadas deste século), vai ser necessário atrair as divisas do poupador estrangeiro apresentando a ele estabilidade econômica e segurança jurídica. Para médios e longos prazos, ainda somos uma incógnita: mas as especulações que transcendem o próximo ano estão completamente obnubiladas pelo quadro exterior, notadamente pelas relações entre os gigantes da economia (EUA, Europa e China) que projetam reflexos e sombras sobre todos as possibilidades e podem vir a apresentar novos paradoxos a cada balanço. As certezas são de que precisaremos de infraestrutura: virtualmente, não temos ferrovias e hidrovias: dois óbices inexplicáveis face a dimensão continental do país; precisaremos deixar de conviver com a criminalidade dos tráficos de drogas e de influências; precisamos de um sistema legal em que todos possam ler as mesmas coisas dos textos jurídicos – principalmente os juízes! No campo das mentalidades, caberá um sobre-esforço para dirimirmos nas gerações presentes e vindouras as confusões entre o que é público e o que está privado: da promiscuidade entre as duas espécies advieram as ingerências que quase nos destruíram o Estado. Todavia... – sempre essa ou outra conjunção e algumas conjunturas estão a nos reter. Os desejos não produzem efeitos, por mais que atribuam força às palavras. Resta-nos trabalhar – para outros ainda cabe rezar. Vamos parar de ter fés insubstanciais em sistemas e processos eleitorais mirabolantes como soluções mágicas para os problemas conjunturais: o que precisamos é de mudanças profundas nas mentalidades. Deixemos de lado a noção de que mudanças nas leis terão o condão de propiciar o bem-estar geral: a situação da coletividade será positiva na exata medida em que for produto de suas visões de bem-comum e de alteridade não antagônica. Há muitos aspectos prósperos em nossa atual senda econômica, mas vai caber a nós não reverter o rumo – principalmente por trilharmos (de novo, e talvez para sempre!) um rumo político reconhecidamente deletério.
11 de dezembro de 2019
Gramsci, Freire e Educação de Adultos
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| Gramsci, Freire e Educação de Adultos |
Os pedagogos engoliram direitinho a patacoada e fizeram o mais indecente lobby junto ao Estado, que caiu de quatro para os lazarentos. Agora estamos assim: o ensino e a imprensa totalmente esquerdopatas e 20 gerações de professores formados segundo a cartilha leninista. Vamos dormir com essa barulho por 50 anos, no mínimo: se der certo o desmonte dessa pouca vergonha que está ai. Temos pano para manga!
O livro: Gramsci, Freire ve Yetişkin Eğitimi (Gramsci, Freire e Educação de Adultos). Como se "educação" e ensino fossem a mesma coisa. Como se coubesse ao Estado usurpar o sagrado direito de o grupo familiar educar as crianças, como se adultos fossem "educáveis"... Como se a a doutrinação nas escolas fosse educação - em lugar do ensino! É contra toda essa treta que temos que nos armar!
29 de abril de 2016
Eleições de 2018: hora de repetir os erros
Com toda a situação que nos rodeia, tudo criado pelo voto popular - notório em eleger pulhas, párias e crápulas - as pessoas ainda creem numa tal de democracia que nunca existiu; insistem em repetir o processo no fim deste ano e em sufragar novos nomes em 2018 para as esferas estaduais e federal. Vão repetir os mesmos erros, as mesmas incúrias, as mesmas sandices de antes, de agora e de sempre. Loucura é esperar que, repetindo as causas, não se repitam os efeitos. O eleitor é o mesmo, o acesso que ele tem à informação é o mesmo, suas demandas continuarão a ser as mesmas e seu caráter permanecerá o mesmíssimo: caráter é marca indelével.
Poderemos mudar meia dúzia de nomes em 2018, mas a essência dos mandatários permanecerá, nossas regras e até mesmo as máquinas de votação têm sido eficientíssimas em transformar a vontade popular em desgoverno, desmando e descalabros como os que estão na mídia. Todas as mudanças propostas, sob o apelido de reformas, não passam de alterações cosméticas aceitas momentaneamente pelo grupo este ou aquele que estiver no controle casuístico da norma, sempre na presunção de benefício próprio.
Poderemos mudar meia dúzia de nomes em 2018, mas a essência dos mandatários permanecerá, nossas regras e até mesmo as máquinas de votação têm sido eficientíssimas em transformar a vontade popular em desgoverno, desmando e descalabros como os que estão na mídia. Todas as mudanças propostas, sob o apelido de reformas, não passam de alterações cosméticas aceitas momentaneamente pelo grupo este ou aquele que estiver no controle casuístico da norma, sempre na presunção de benefício próprio.
Depois de eleitos os salvadores da pátria em 2018, pela enésima vez, o povo vai depositar as esperanças - fundadas em algum tipo de sebastianismo tupiniquim - em nome, carinha ou bordão alinhavado na empresa de marketing eleitoral da moda. Quem tiver arrecadado mais e houver gerido melhor os recursos de campanha será eleito. Mas o marketeiro não vai para o ministério (que ele não é bobo e conhece melhor que todos a arapuca que ajudou a armar), as pessoas que tinham competência durante a campanha são expurgadas em detrimento de alianças e conchavos... bem, todo mundo sabe o que é necessário para manter a governabilidade nesse sistema "misto" da Constituição que, na verdade, é um enxerto de presidencialismo imperial implantado em tronco de parlamentarismo pseudo-federativo. É necessário comprar o parlamento com cargos, favores, promessas e dinheiro. Parte da negociação pode ser até legítima, parte é completamente podre: alguns dos dinheiros da negociata recebem a alcunha de verba parlamentar, outros vão em maletas e pacotes para as cuecas e colchões de suas excelências - como todos sabemos - e, dali, migram para um paraíso além-mar - como as filhas da Candinha não se cansam de veicular.
Impressionante é a fé que as pessoas têm em mudanças (ou pseudo-reformas), digo mesmo que qualquer fé seja impressionante: fé consiste em crer em algo contrário às evidências e essencialmente implausível. Uma das características universais da fé é a incapacidade do crente em dar o braço a torcer. Admitir que renunciar à irracionalidade passional a que se filiou e aderir a uma alternativa racional parece não ser de nossa natureza. É assim na Terra do Futebol, é assim no futebol, é assim na política. Democracia virou uma fé - deixando de ser forma de governo plausível ou forma de escolhas aceitáveis.
Em síntese: em 2018 continuaremos a ter o péssimo eleitorado que tínhamos em 2014 - e serão eleitas pessoas tão ruins quanto as que estão sendo execradas agora. Com a palavra, o povo soberano. Viva a democracia.
E viva a democracia! Ela foi duramente conquistada. Ela não é perfeita, mas nenhum sistema é melhor que ela. E essas e outras balelas similares continuam a ser bombardeadas em nossos ouvidos, como verdade perfeita, acabada, inexaurível e revestida de ares de dogma inspirado. Só que cada um tem adoração pela sua democracia particular, aquela que tiver o condão de levar a si ou a seus preferidos ao controle do Estado: essa é a democracia mais perfeita de todas, a que atende a meus interesses e aos interesses dos meus.
Aquila non parit columbam. Essa eu aprendi em minhas aulas de Educação Moral e Cívica. Águia não pari pomba. A geração não digere do gerador. Um eleitorado ruim continuará a eleger governantes ruins - e não há nenhuma previsão constitucional de impeachment ou recall para eleitores. Impeachment e recall são tão alheios a nossa cultura "democrática" que sequer existem expressões perfeitas em nossa língua para as ideias que tais palavras representam.
22 de abril de 2016
O plano Temer
A maioria dessas medidas (impossíveis) seria terrivelmente prejudicial. É preciso ir além da aparência que as coisas têm. Claro, estou superando o fato de que a proposta da imagem é só uma piada!
Desconsiderando as dificuldades gerais, normativas e políticas, vou me limitar a um comentário sobre cada ponto - longe de exaurir as questões e enfarar algum eventual leitor.
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| O Estado brasileiro precisa ser rediscutido; piadas como essas são um bom fermento para as discussões, mas precisamos ir além desse tipo de coisas. |
- A redução do número de parlamentares implica redução da representatividade. Se reduzir, por si, for um benefício, por que não uma Câmara de 27 (um por unidade da Federação) e um Senado de 5 (um por região)?
- O mesmo argumento numérico: não é a quantidade que importa. Poderiam ser apenas três ministérios? Se cada um tiver 300 supersecretarias com uma equipe gigantesca, será bem pior...
- O privilégio de foro é necessário: se juízes de primeira instância e e todos os promotores com vontade de aparecer tiverem jurisdição sobre os políticos, eles nunca mais farão nada além de se defender, não sobrando tempo para governar.
- Não é necessário extinguir: basta que ele passe a funcionar apenas dentro das penitenciárias, como o Comando Vermelho, a que é assemelhado.
- Político não tem salário, essa remuneração (tecnicamente) é a retribuição pelo contrato de trabalho, o emprego. Político não é empregado. O valor do provento não deve ser estabelecido pelo mercado, pois não há concorrência. Vereadores ou senadores seriam muito melhores se exercessem o mandato pro bono (sem serem pagos), apenas ressarcidos de suas despesas; para os deputados, alguma forma de compensação financeira que não torne o cargo atrativo para desocupados, por exemplo: 80% da média dos rendimentos declarados pela pessoa nos últimos cinco anos, com um teto: ninguém auferindo mais que o triplo do menor valor pago.
- Os recursos para o exercício do mandato precisam deixar de ser vistos como privilégios. Precisam deixar de ser vistos assim pelo povo e pelos parlamentares e executivos. Assessores, cartões, carros, residência são para o exercício de função pública e qualquer desvio dessa limitação deve implicar perda do mandato e imputação penal.
- Ninguém é obrigado a usar ou deixar de usar esse ou aquele serviço público, nem pode ser. Não deve haver planos especiais de saúde privada custeados pelo erário para os políticos, mas cada um deve manter o direito universal de fazer o que melhor entender com seus próprios recursos.
- Ninguém está feliz com a forma de provisão de ministros ao Supremo. Mas a eleição proposta teria que eleitores? Imaginem, se os ministros fossem pessoas envolvidas em política eleitoral, a que tipo de tentações e de pressões os candidatos e os eleitos estaria submetidos? O sistema atual não funciona porque não temos tido boas pessoas na Presidência da República (para os indicar) e o Senado é um bando de cordeirinhos (eleitos!) que não cumpre a função de perquirir adequadamente e formar juízo qualitativo e de caráter de cada postulante à toga do Supremo.
- Achar que a culpa pelos péssimos políticos que temos é da urna eletrônica é pior que atribuir o chifre ao sofá em que se consumou a traição. Os culpados pela corja que está posta são os eleitores (omissos, submissos, corrompidos, interesseiros, imediatistas, oportunistas, obscurantistas...) que os sufragam, sistematicamente, os mesmos crápulas.
- Imposto sindical é uma aberração jurídica, política e social. Deve ser abolido urgentemente.
- Ninguém pode ser obrigado a trabalhar: o nome disso é escravidão. A pena limitadora da liberdade... ah, não vamos teorizar. Ninguém pode e não deve poder ser obrigado a trabalhar. O trabalho deve ser oferecido (mas oferecido mesmo!) como possibilidade, como alternativa, como componente andragógico para a hipotética regeneração: trabalho não é e não pode ser punição.
- Que se privatize tudo que não for função de Estado. O Estado deve se limitar à significância de sua arrecadação, assim como o povo decidir que vai contribuir, e fazer com aqueles recursos o que lhe for demandado - e nada mais.
17 de abril de 2016
Não trocaremos governo do PT por governo PMDB
Não vamos trocar um governo do PT por outro do PMBD. Vamos trocar nada por coisa alguma. O PT não nos governa mais, há anos; Dilma bem que gostaria de governar e, a seu modo atabalhoado, pode-se dizer que tentou. Sua situação se tornou insustentável, sua governância se dissolveu (em crimes - mas isso é outra história dentro da mesma história), sua governabilidade se extinguiu. Com o fim do governo Dilma, o PT que nunca foi Dilma, nem mesmo foi um partido - pois se limitou a erigir um feudo sindical para Lula, o PT virou pó e hoje é soprado com força para as dunas o opróbrio.
Não vamos trocar um governo do PT por outro do PMBD. Pois não existe governo do PT a ser trocado, então não há troca a se fazer. Também não vamos trocar o governo de Dilma pelo governo de Temer, pois ficou provado que Dilma não governava: ela estava apenas encarregada de manter quente a cadeira presidencial para Lula, enquanto ele se refestelava em sítios suburbanos e triplex de novo rico - mas sempre mantendo o domínio sobre o Estado, não como eminência parda, mas como poderoso chefão, luz da qual provinha a sombra de quem o sucedeu.
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| Não de trata de trocar o governo de uma pelo governo do outro. |
Não vamos trocar um governo do PT por outro do PMBD. Nem sequer haverá troca entre uns que foram eleitos por outros que não foram eleitos; metade da chapa eleita se vai, é posta a correr, metade fica, cumprindo sua função constitucional, para a qual foi sufragada com todos e cada um dos votos, com o voto de Lula a cada mais modesto eleitor dentre os que foram ludibriados ou corrompidos para teclar o 13 naquele domingo fatídico. Sim, sim: Lula e Dilma também votaram em Temer; votaram nele exatamente para a função e na previsão, então hipotética, da necessidade de substituição, como agora ocorre. Como de costume, Lula e Dilma escondem que o tenham feito, não admitem hoje que votarem em Temer - e não é pelo habito contumaz de negar seus atos que o fazem: é pela conveniência de esquecer o que não interessa, o que também os dois têm como costume arraigado.
Não vamos trocar um governo do PT por outro do PMBD. Não vamos mesmo, pois o que virá depois que a vassoura do impeachment varrer o PT do controle do Estado, virá um governo apartidário - o PMDB é mesmo um tanto apartidário, tem agido como aglutinador de interesses há décadas; o próximo governo será fraco, composto por políticos de muitas vertentes, por uma tentativa meio atabalhoada de alinhavar um fato roto e pós-moda. O bordão será fazer um governo de coalizão - pois quem governa é dado sempre a lugares-comuns - mas também não teremos coalizão nenhuma, pois os párias que agora controlam o governo permanecerão de atalaia, à sorrelfa, prontos a minar a gestão que advirá com aquilo que sempre foi sua prática antes de controlarem o executivo: quanto pior, melhor.
Não vamos trocar um governo do PT por outro do PMBD. Pois a grande verdade é que não haverá governo algum - o que serve até de argumento para os niilistas e anarquistas: só haverá um grupo que - se for esperto, como desejamos que seja - conduzirá a máquina pública até o próximo processo eleitoral, para o qual é necessária a maturação dos dois anos que nos separam dele. Não se pode pensar em antecipar eleições gerais - até por não haver pressuposto constitucional para tanto. Claro que se pode mudar a Constituição, mas o que se quer é continuar adaptando a Carta Magna aos episódios - ou deixá-la sedimentar para que tenha mesmo a rigidez e higidez que esperamos dela?
Não vamos trocar um governo do PT por outro do PMBD. Não vamos trocar de governo: vamos trocar uma quadrilha cleptocrática por um arremedo transitório. O substituto de Dilma é o Temer, poderia ser o Cunha (em tese), poderia ser o Pelé, o Tiririca ou poderia ser eu. Não importa o nome de quem assine os despachos, de quem durma no Alvorada. Importa o papel que essa pessoa, hoje o Temer, venha a desempenhar de transitoriedade, de episódico, de gerência taciturna... sim, é um bom termo, afinal, o que estamos fazendo mesmo não é a troca de um governo do PT por outro do PMDB: estamos trocando a gerência taciturna de dona Dilma - em nome do Lula e de sua quadrilha - pela gerência taciturna do senhor Temer, na esperança de que ele venha a exercê-la nos interesses coletivos; pelo menos, que o faça minimamente nesse sentido, para dignificar e coroar sua vida pública com algo que possa preservar seu nome com alguma dignidade. Nós precisamos disso.
14 de março de 2016
Bolsonaro é a bola da vez?
Na verdade, são pouquíssimos os que apoiam Bolsonaro, ele mesmo. Muitos querem algumas partes do discurso radical, a metralhadora giratória, a verborreia eloquente e até a coerência das propostas dele. Postar-se num córner, qualquer um, e abrir fogo em leque de ângulo obtuso é uma estratégia política conhecida. Na verdade, só quem parece não conhecer a fundo as estratégias políticas são os eleitores: caem e continuam caindo em todo tipo de esparrela: Bolsonaro é só mais uma, Collor e Lula já foram outras!
O problema de engolir essas histórias é que você não compra só uma parte do discurso, quando se vota numa pessoa, nesse sistema maluco que temos, você dá uma procuração (sem cláusula de controle) para o fulano fazer o que deseja pelo tempo que conseguir! Tanto faz se é um executivo ou um parlamentar: entregue o diploma eleitoral, o eleito está com o cabresto solto. Pode fazer o que der na telha.
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| Sem opção, eleitor pode tacar na caçapa de Bolsonaros. |
Assim, em nosso sistema, alguém pode disser isso, isso e mais isso na campanha; depois, pode fazer aquilo, mais aquilo e aquilo outro - impunemente! Não há nenhum vínculo entre propostas eleitorais ou eleitoreiras e exercício de mandato. Nem se trata da discussão entre mandato delegado e mandato outorgado (se não sabe o que são, veja no Google!) - trata-se do mais puro e constante "estelionato eleitoral", essa maluquice de que Dilma e PT são arquétipos.
Até certo ponto, essa geleia asquerosa que desacreditou totalmente o sistema eleitoral para os eleitores é devida a meleca que é o sistema partidário (sem programas, sem identidade, sem fidelidade, sem caráter, venal, circunstancial, fluido, burocrático...), mas também se pode creditar ao constante desvio de função entre executivo, legislativo e judiciário e a obsolescência do sistema de controle (checks and balances) entre três poderes que não alcançam mais a totalidade do Estado, que não são independentes e muito menos harmônicos.
Bolsonaro é, para uns, o caçador de marajás da vez; para outros, ele representa as qualidades (!!!) do regime militar; para alguém, ele encarna a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé; outros veem nele Tradição, Família e Propriedade; deve haver quem projete até a Ku Klux Klan no deputado. Ele espelha as taras e frustrações de muita gente e quer amealhar todos esses votos díspares. Depois, o que ele fará - se eleito for, seja lá para o que for - será exatamente o que pensa ser necessário, útil ou de seu interesse, não importa muito (como já vimos!): o mandato é sem peias! A família já está representada em diversos foros políticos, vem aí um clã, à moda dos Sarneys ou dos Magalhães? Talvez até pior: não estão circunscritos ao longínquo estado das Alagoas ou à folclórica Bahia.
Enquanto isso, continuamos brincando de política e de democracia, como se fosse um joguinho de sinuca: a cada lance há uma bola da vez - com possibilidade de apostas fora da sequência. Para ficar nessa metáfora, convenhamos, estamos mesmo é numa tremenda sinuca de bico! Para quem não sabe, é aquela posição em que não se pode alcançar diretamente a bola da vez, ficando forçado a uma aposta temerária. Quem serão os deputados de 2018? Kim Kataguiri e Fernando Holiday? Dois é um número pequeno demais para um país de 200 milhões. Quem serão os senadores de 2018? Marco Antônio Villa e Sergio Moro? Dois continua sendo pouco. Feitos os expurgos que a maioria do dia 13 de março execrou, quem são as lideranças que sobram no Brasil? Meia dúzia de gatos pingados! Não teremos bolas da vez em 2018 - já pensaram nessa tragédia? O povo pode mesmo acabar optando por Bolsonaros!
12 de março de 2016
Maniqueísmo democrático
Acho inconcebíveis as importações de conceitos extemporâneos para as análises atuais: liberal-conservador, esquerda-direita, comunista-capitalista, machista-feminista, revolucionário-reacionário, são paradigmas de outros tempos. Claro que há - e sempre haverá pontos de contato, mas as simplificações tendem a transpor todas as características para uma dicotomia maniqueísta cuja exponenciação levaria tudo e todos a se posicionarem entre bem (ἀρετή) e mal (κακός) ,como se vivêssemos há 25 séculos.
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| As opções entre o bem e o mal costumam ser simplificações maniqueístas. |
Nem mesmo as múltiplas tonalidades do cinza, tão em voga, permitiram às pessoas assumir completamente que - além de todas as infinitas e contínuas variações entre o branco e o preto - existe todo o arco-íris, irradiando ou refletindo as mais diversas emanações cromáticas. E entre o bem e o mal, a despeito de existirem posições bem estabelecidas de certo e errado, há tantas variações que deglutem as dicotomias analíticas com uma voracidade tão grande que não se concebe que não seja percebida por um observador mais ou menos arguto.
O mais engraçado é que, nesse quiproquó de valores, as pessoas assumem a democracia como absoluta. Logo ela, que varia mais que todos os conceitos extemporâneos. O caso é que os conceitos de outrora estão estabelecidos e sedimentados - por pertencerem a sociedades de outrora - não mutando mais de acordo com transformações sociais que não ocorrem, pois o já havido é estático! Mas a democracia, para essa há tantos conceitos quanto seres pensantes: cada um tem dela a ideia que deseja, e a pinta com as cores advindas de sua inspiração, vinda da ideologia que vier! Todos amam uniformemente a democracia, amando-a como amam o próprio ego - pois a democracia que todos desejam é aquela situada unica e exclusivamente dentro de si! Democracia é ótimo, perfeita mesmo - desde que seja aquela que eu tenha em mim.
Depois disso, vêm a adoração de democracia como corolário adverso de ditadura. E a dicotomia ditadura-democracia ressurge entre nós como a contraposição entre os regimes burocrático-militar (de 1964, neste caso) e seus antecedentes e sucedâneo. Há mais que isso, democracia nunca foi o contrário de ditadura (nem para Aristóteles!). Quando as pessoas juram que amam a democracia, penso que elas estejam apenas querendo dizer que odeiam ditadura. Eu também odeio ditadura - exceto se eu for o ditador - como todo mundo! Como não hei de ser ditador, democracia deve ser melhor.
Mas ainda não vi um conceito de democracia tão amplo que possa ser adotado e praticado; por enquanto, só vejo a adesão acrítica ao termo, à falsa noção de que ele contém um (ou mais de um) valor universal amplamente partilhado!
6 de março de 2016
Lula lá em Curitiba - a hora e a vez de termos um ex-presidente na cadeia vai chegar
Quando o Lula foi conduzindo coercitivamente a depor, sendo depois liberado, tive uma pequena impressão de que ele teria marcado alguns pontos depois, chamando a si a militância, fazendo-se de vítima. Depois, fui chamado à razão: aquele evento não fez ninguém mudar de opinião. Os prós continuaram pró, os contras continuaram conta. Mas as posições se acirraram. Estamos mais perto do conflito deflagrado, das vias de fatos - pois não há argumento que demova mais ninguém, tampouco há possibilidade de convivência.
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| O petê já é uma página virada na história, só falta arrancá-la e jogar no lixo. |
Eu não engulo, não ouço e não argumento com a canalha do petê, com asseclas, com eleitores, com torcedores, com militantes virtuais. Adotei ruptura radical. Não argumento com criminosos.
Sei de outras pessoas no mesmo pé. Mas não é pé de guerra!: a guerra é uma expressão sonante da política! É hora de irmos à caça, pois essa é a expressão adequada à perseguição e ao extermínio de seres abjetos e inumanos. Guerra é conflito em campo de honra - e não há honra contrária a ser combatida nessa jornada. Temos que dar caça sem dó à corja que se nos opõe - os que estão contra a gente de bem que, felizmente, ainda grassa por todo o Brasil. Sim, certamente, vamos caçar e cassar - um pelo outro e os dois simultaneamente!
O que eu sinto que as pessoas ainda não perceberam - ou perceberam mas não querem admitir que vai acontecer - é que estamos interrompendo um projeto revolucionário de poder do petê e que este partido clepto-sindical não vai largar fácil a presa que já teve tão bem segura...Vamos ter sangue... Quanto mais cedo agirmos, menos vítimas haverá.
Todavia, não vejo escapatória:
- Haverá sangue derramado em nossas ruas, nossas praças. Estamos à beira de uma convulsão sem precedentes.
A parcela que votou nessa gente nas eleições anteriores, e nas anteriores, e nas anteriores, sabia perfeitamente em que tipos estavam votando, e não se incomodavam em eleger bandidos - vão continuar torcendo por eles e muitos os vão defender com unhas e dentes. Não há racionalidade no processo. É adesismo gratuito. É como torcida: não têm nenhuma perspectiva de benefício pessoal, mas o time é sagrado! Vão lutar pela bandeira vermelha, tolamente, e o solo também ficará vermelho do sangue derramado!
Não há filosofia, doutrina nem perspectiva concreta de benefício direto. Mas a população (em todas as camadas!) age de acordo do o comando do capitão do time! Noção parva de fidelidade... em que muito o futebol serviu a construir! Agora, é o que temos! Uma gente comezinha que não está disposta a parar e começar a pensar. Uma gente que cresceu sem princípios éticos válidos, no vigor da lei de Gerson - e que não tem outro parâmetro! E essa gente é maioria! E vivemos em uma democracia, onde a maioria elege e os eleitos governam! Estamos lascados!
Não reinstauraremos os princípios do bom, do justo e do certo sem que haja mortes dos dois lados (que nem estão bem definidos! - não há Norte e Sul).
Ah, mais um comentário a que sabem o endereço: presunção de inocência não passa de ficção legal, assim como a impossibilidade de alegar desconhecimento da lei. Quando os crimes são notórios, a autoria inquestionável e a fuga iminente, diante do clamor público e da necessidade de manutenção da ordem e da segurança, cabe prisão!
Sem concluir nada:
- Não sei de onde as pessoas retiram tanta fé nas instituições do Estado. Eu vejo tudo opaco, esmaecido, pútrido, embolorado.
- Senhoras e senhores, estão entendendo que o Planalto está bem articulando um golpe de Estado? Sem chance de vingar, mas tentarão!
11 de janeiro de 2015
Votar contra: contra a reforma eleitoral
Quase todo mundo tem uma panaceia escondida na manga, ou explícita, que resolveria de vez os males do sistema eleitoral. Aplicada a tal mágica, os eleitos se converteriam de água em vinho de uma hora para outra e nossa república de bananas se converteria em uma utopia tropical de tolerância, transparência... esperar eficiência já seria demais.
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| Os que decidirão sobre reformas políticas não introduzirão nenhuma modificação que represente risco a sua permanência no poder. |
Para uns, a mágica é o voto distrital (a discussão é infinita, mas pode ser resumida como expressão de preferência por qualquer tipo de agregação representativa, não importa o nome: proporcional, majoritária, distrital, importam as equações que transformam a manifestação do eleitor em diploma – e, aí, existe uma fórmula em cada cabeça). Para outros, a mágica está na duração dos mandatos, na possibilidade ou vedação de reeleição, ou na coincidência ou separação das eleições municipais daquelas dos outros níveis da federação – como se já não tivéssemos experimentado infindáveis variações de calendário eleitoral, sem mudanças relevantes como consequência. Há ainda os fautores de mudanças no sistema de financiamento das campanhas; uns defendem que só haja dinheiro público rolando, outros preferem o privado, e há incontáveis propostas híbridas – como se as falcatruas de caixas dois, três e quatro não subvertessem todo e qualquer sistema legal de fachada, ou se o procedimento hígido não sanasse os vícios apontados em qualquer tipo de patrocínio. Existem mais, mas fiquemos com essas três linhas de modificações que se propõem no bojo das chamadas reformas políticas: elas são suficientes para mostrar a complicação das matrizes de ideias envolvidas quando se combinam as posições desses três cortes normativos e procedimentais repletos de variâncias, batidíssimos em teses e em experiências históricas, mas fartas em insucessos.
Acima, apresentei um pouco do que se propugna como mudança destinada a melhorar o resultado quantitativo das eleições, tornando-o mais representativo. Também há uma panaceia em que as pessoas são quase unânimes quanto a que resolveria de vez as questões qualitativas do eleitorado: a educação – mesmo que não se saiba exatamente o que seria essa transformação, cada um acha que o eleitorado vai pensar igual a si, se os outros forem educados como ele mesmo teria sido: todavia, os irmãos ou os colegas de classe não pensam a política, a economia ou a vida exatamente da mesma forma por terem ouvido os mesmos sermões ou as mesmas preleções. Os mais audaciosos ainda propõem substituir o voto captativo (um por cabeça – também descrito como voto individual inorgânico) pelo capacitário: em que o peso de cada sufrágio poderia variar (inclusive com a hipótese do zero) segundo a instrução ou a receita de cada eleitor (dito voto censitário: como aquele em que o critério seriam tantos os alqueires de mandioca) – toleimas, claro. Entre as questões da formação do colégio e do procedimento do eleitoral há ainda a querela quanto ao voto obrigatório: o sonho de todos os políticos é que o voto seja facultativo nos currais adversários e obrigatório nos próprios feudos – o mais é nhenhenhém.
Há também as infinitas sístoles e diástoles entre presidencialismo e parlamentarismo: toda vez que a porca torça o rabo, o sistema que não está em prática ressurge como tábua de salvação. Aqui, descontados os salvadores de pátria – inclusive os de botões dourados – como alternativa.
De todos os modos, as mudanças propostas para a tal reforma eleitoral estão sempre essas, reformas no sentido estritamente etimológico: adotar novamente alguma forma que já foi experimentada – ainda que com uma demão de tinta de outra cor. Que tal propor algo de novo? Se já não é fácil para a maioria das pessoas conhecer as experiências históricas das variantes em tela ou reconhecer a nulidade de outras experiências que configurariam mais do mesmo – e, simplesmente, mais demagogia – quão mais difícil seria esperar alguma novidade das mentes embotadas que são a maioria das que decidem. Por isso, estou contra a reforma: reforma é remendo em algo visando reintegrar uma versão anterior ou produzir nela ajustes. Sou contra a reforma, pois precisamos de mudanças: precisamos de ideias novas, erros diferentes, talvez, mas algo que possa propiciar algum aprendizado e – eventualmente – alguns acertos. Basta de repetir erros. Sou contra a reforma, reforma por reforma, é melhor deixar haver estabilidade procedimental e segurança jurídica para que as instituições possam evoluir em base normativa constante e as pessoas aprendam a articular os votos e as estratégias segundo critérios jurídicos que não sejam tão pastosos como os atuais: sem casuísmos, para usar a expressão com que se rotula cada mudança proposta por adversário.
Antes de me ater a uma proposta; sim, ou vou propor! Antes de fazer a proposta, resta mencionar o voto nulo. Não vejo o ato de votar nulo ou o absenteísmo como alienação; necessariamente, não. Votar nulo pode ser atitude muito mais consciente que o voto aleatório (“eu vou sair de casa e votar no primeiro candidato de quem aparecer uma foto no percurso até a urna!”), a despeito de todas as considerações de que tal comportamento não gere resultado no cômputo – e não gera mesmo. Votar nulo pode ser manifestação de insatisfação muito maior que aquela entre os candidatos, pode ser a rejeição do sistema em si. Não aderência. Repugnância. É assim que temos visto. Mas voto nulo não é proposta nem sistema, senão a negação de ambos.
Minha fórmula mágica é o voto contra. É simples assim: toda vez que fôssemos à urna, votaríamos em fulano, beltrano e sicrano (deixo o sistema eleitoral e as fórmulas ao deus-dará: dá sempre no mesmo) como de costume, segundo as preferências, mas votaríamos também contra os fulanos de nossa rejeição. Isso mesmo: eu voto em fulano para deputado estadual, mas voto contra sicrano ser parte daquele parlamento; eu voto em um candidato a presidente, mas voto contra o outro de quem desconfio... Mudaria tudo! Depois, durante a apuração, alguma contabilidade compensaria os créditos e débitos depositados nas urnas (há infinitas fórmulas, deixo-as em aberto) e quem tivesse maior saldo seria diplomado!
Há algumas possibilidades interessantes: que tal se o saldo negativo de qualquer candidato seguisse solapando o coeficiente eleitoral do partido que o propôs? E se os votos contra tivessem peso maior que os votos pró? Pensem nas múltiplas possibilidades, em prós e contras aplicados aos sistemas proporcional ou distrital, ao presidencialismo ou parlamentarismo... Quem se habilitaria a investir na candidatura de um postulante cujo potencial fosse o de enorme saldo negativo? Do ponto de vista do cálculo, há infinita variedade, mas a representação das vontades de cada eleitor estaria ampliada, afinal, presumivelmente, todos sabemos (bem ou mal) o que queremos, tanto quanto sabemos o que não queremos, assim como sabemos quem queremos e quem não queremos. Que democracia é esta que só considera as preferências e esquece as rejeições? Metade da opinião das pessoas é descartada no cômputo atual!
Como efeitos, pensando em termos do que resultaria nos parlamentos, seriam ostracizados aqueles políticos folclóricos, uns que optam por questiúnculas polêmicas e candentes como holofote e quem têm sua claque, mesmo contrariando massivamente as correntes maiores. Outro resultado poderia ser a eleição mais frequente de pessoas que têm menos visibilidade, pois não teriam rejeição e somente os votos de quem os aprova e indica. Tenderia a haver maior rotatividade entre os eleitos e, por suposto, contínua depuração dos remanescentes. Fenômenos como candidatos advindos do BBB tenderiam a se esvair... Mas aqui considerei resultados nas condições atuais, mesmos modos de campanha e de formação das listas de candidatos pelos partidos. Acredito que as maiores mudanças impostas por um sistema eleitoral que incluísse o voto contra seriam mesmo: primeiro, no discurso dos candidatos: necessariamente, passaria a haver maior quantidade de proposições mais concretas que as genéricas “educação, saúde e segurança” – bordão enfadonho; depois, os partidos comporiam suas listas pensando nos prejuízos resultantes de elencar conhecidos lunfas, notórios escroques, como ocorre atualmente; mais, as pessoas escolheriam, para se filiarem e candidatarem, partidos em que houvesse menor número de candidatos com elevada rejeição. Não vou listar além desses três benefícios agora, deixando ao leitor a especulação de outros ou menor espaço para crítica.
Claro que vejo argumentos contrários ao voto contra e os considero. A exclusão de representações pode ser apontada como hipótese. Sei bem que o “não me representa” é expressão que melhor representa a rejeição pelo sistema democrático representativo: se não me representa, não pode representar outro? Todavia, o sistema de voto contra não é proposição visando a simples substituição dos quadros parlamentares e executivos atuais – o que já configuraria ganho – ou da representação que eles exercem. Essa proposição chegaria à base do sistema partidário e minaria o maior malefício existente no sistema brasileiro: a demagogia. Acredito que os demagogos, aqueles que alcançam coeficientes eleitorais com posicionamentos genéricos, aqueles das promessas vãs, os das polêmicas e opiniões controversas, esses não teriam mais espaço – menos ainda a estabilidade ou longa duração na vida pública.
Em tese, qualquer reforma democrática do sistema eleitoral tem como fim o aperfeiçoamento da representatividade. Nessa senda, quanto mais complexo for o sistema proposto, maior será a representatividade. Veja bem: o sistema de eleições proporcionais é mais complexo que seria a simples escolha dos candidatos mais votados ao parlamento – e produz uma lista mais representativa – a despeito do fato de que a maioria das pessoas não consegue entender esse procedimento. Da mesma forma, quanto mais complexo o sistema de representatividade, menos compreendido ele será, ainda que sua complexidade possibilite melhor espelhamento da sociedade em seus representantes – o que já é paradoxal. O paradoxo maior, entretanto, seria a continua complexidade do sistema de modo a se aproximar da máxima representação que é, ao cabo, a democracia direta – fim da representatividade – quando cada opinião, cada interesse se manifesta por si.
Longe de tal limite, a introdução do voto contra seria ampliação da representação sem nenhum passo no sentido de extinguir a necessidade, ou sem admitir a possibilidade, de se eliminar a representatividade. Alguma proposta que sugerisse democracia virtual, com manifestação plebiscitária do eleitorado, via internet, a cada demanda, seria via de suprimir a representatividade, mas, alerta!, aqui o perigo são as marés que representam as demagogias. Tais marés se criaram nas ágoras e teriam eito fértil nas ondas cibernéticas.
O voto contra eu vejo como possibilidade de se dobrar a representatividade das manifestações com amplo avanço no sentido contrário a qualquer proselitismo demagógico.
Posto tudo isso, concluo pela inutilidade de minha proposta. Ela não é inútil em si, ou não é inútil apenas porque permanecerá desconhecida (provavelmente, este artigo tenha menos leitores que o número de palavras contidas nele). O que proponho não alcançará nenhuma viabilidade pelo simples fato de que nossos representantes não adeririam a nenhuma proposta que contenha qualquer viés de exclui-los da vida pública. Por isso, sou contra as reformas: ninguém – nenhum político – vai mudar nada que, substancial ou hipoteticamente, afete sua possibilidade de permanência no poder. Por isso, concluo que não adianta nada propor reforma política, ou alternativa política; a via da mudança não é política; não no sentido partidário ou eleitoral.
17 de outubro de 2014
Marketing eleitoral, farsa bufa e paradoxos
Os marketeiros de Aécio e de Dilma parecem ter fugido da escola no pré-primário. Ou então se formaram em algumas dessas escolas de marketing que foram abertas em garagens nas últimas décadas. A noção de retórica que eles incutem nos candidatos faria corar de vergonha qualquer indiozinho de 12 anos numa missão jesuítica do século XVII.
Todavia, há quem alegue que a campanha está repetindo o lacerdismo: nem como farsa bufa: a qualidade dos argumentos àquela época e a estrutura do discurso tinham outro padrão qualitativo!
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| Sobra alguma virtude nessa campanha eleitoral? |
Ainda assim, alguns marqueteiros vão se dar bem: vão vender seus serviços como tendo sido capazes de eleger A ou B presidente da república. Claro, pois não há (infelizmente) a possibilidade de os dois perderem as eleições. Apostando nas duas vertentes exclusivas, 50% dos marqueteiros se dá bem: e os perdedores ainda vão arrotar pela conquista dos milhões de votos do segundo (e último) lugar...
Quem perde nisso? O Brasil e a democracia. Embora bem verdade que ambos já não têm mesmo quase nada mais a perde: o país e o regime estão na lona!
Não acredito que o povo tenha capacidade para destilar os conteúdos retóricos de um debate como o de ontem. Na verdade, estou seguro de que não tem. Os discursos têm entrelinhas, subliminaridades, referências implícitas, emoção (raiva, medo, insegurança, paixão, cobiça), treinamento, decorebas, e bem mais que a vã filosofia da plebe ignara pode decodificar: no entanto, tudo foi pensado para captar o voto exatamente do zé-povinho.
Democracia é assim: o regime em que quem vota não dá conta de interpretar a mensagem que os candidatos dirigem aos eleitores. E as pessoas continuam cismando que é o melhor regime possível, sem parar para criar nada mais racional.
Paradoxos:
- Não seria ótimo poder ler o pensamento das outras pessoas? Mas elas poderiam ler os seus!...
- Não seria ótimo poder transar que quem você desejasse? Mas quem desejasse também poderia transar com você!
- Não seria ótimo nunca mais sentir nenhum tipo de dor? Mas também não sentira mais nada...
- NÃO SERIA ÓTIMO CONVENCER TODOS A VOTAREM SEGUNDO SUA OPINIÃO? MAS... MAS... MAS...
9 de outubro de 2014
Pauladas pré-eleitorais
Não tenha dúvidas: tempos bicudos à frente. O governo Aécio não vai ser uma maravilha de reconstrução nacional, não teremos apenas os esforços e sacrifícios para reconstruir a ordem pública, a justiça e o caixa do erário. Não teremos apenas um inimigo externo nos opondo o peito.
Aécio vence essa, só que não vamos nos livrar do petê assim tão fácil. Arrancá-lo do governo é um passo, mas extirpar o câncer entranhado e todos os institutos do Estado e da sociedade vai ser uma luta para décadas.
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| Eu acho que seria melhor Aécio vencer sem Osmarina. Quem com porcos se mistura, farelo come! |
Vamos ter uma luta feroz - infelizmente vai correr sangue sim - para nos livrarmos da quadrilha que solapou os vastos impostos recolhidos e os depositou no exterior. Recursos que serão usados contra nós. Os incontáveis bilhões que saíram do pais voltarão em forma de armas para o MST (você achava que eles eram bonitinhos?). O dinheiro vai ser usado para suborno, para treinamento de milícias, para financiamento de greves, para sabotagens.
Em escola, o PT já fez escola. Os estabelecimentos de ensino viraram lugares de "educação política" e os "educadores" são agentes do Estado. Estamos na trilha do totalitarismo mais arguto dos últimos 200 anos. Ou estávamos, a depender do tamanho da frade que o brasileiro está disposto a engolir.
Osmarina agora oferece apoio a Aécio em troca disso e daquilo. E se ele não aceita? O que a esquelética vai fazer? Mudar de ideia, de novo, e ir oferecer seus cadáveres a dona Dilma? Nem ela aceitaria...
E dona Osmarina, com seu infindável patrimônio de defuntos, ficaria órfã de dois presidenciáveis... podendo fazer com os votinhos que teve o que melhor aprouvesse; talvez se eleger vereadora na sua terra. Amém.
Autoajude-se: não vote em candidata que te prometa ajuda!
O estado de direito virou uma meleca desde que o petê entendeu que tem direito ao Estado.
O que voga são equívocos conceituais e extemporâneos, conceitos que não têm mais a mínima serventia analítica: esquerda/direita, conservador/progressista, socialismo/liberalismo.
E as pessoas estão abandonando conceitos completa e eternamente pertinentes para formar juízos: honesto/desonesto, competente/incompetente, probidade/improbidade.
As opiniões no Brasil são separadas por copos de cerveja e baseadas em conhecimentos destilados com garapa fermentada.
Enquanto isso tudo, as pessoas mais jovens acham que os regimes autoritários, torturas e outras barbaridades são coisas dos livros de história. Pois tratem de começar cortar as asas do petê AGORA, se não desejam testemunhar esse tipo de fato novamente.
7 de outubro de 2014
Petardos político-eleitorais
Imagine-se no dever de falar algo de novo, contra ou a favor de qualquer candidato. Algo que captasse ou mudasse algum voto. Você seria capaz? Acha que alguma informação já existente não é de domínio público? A situação já está decidida. O segundo turno poderia ser hoje. Mas, mesmo assim, pode-se alinhar algumas ideias mal amarradas...
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| Primeiro, trata-se de retomar o Estado. |
Aécio Neves não é santo, não vai resolver todos os problemas em janeiro. Aécio vai enfrentar o segundo e terceiro escalões de todos os órgãos do Estado aparelhados pelo petê, vai ter que tratar de invasões no campo e nas cidades, vai ter que lidar com greves, manifestações de tropa paga, vai ter sabotagem de todo tipo.
Talvez o período do primeiro governo de Aécio seja o mais negro da história recente. Os petralhas roubaram e desviaram recursos suficientes para contratar terroristas mercenários no exterior, financiando as fainas lá e cá! Elas já se mostraram aliados de tudo que há de pior no mundo, têm montanhas de dinheiro. Vão usar as duas coisas em sua guerra contra a decência; não vão largar o osso sem muita briga não. A vitória eleitoral contra eles é só uma batalha... a guerra será sangrenta - literalmente, não duvidem.
Mas é preciso começar a passar o Brasil a limpo. Eu compro essa briga ao lado de Aécio, se eu puder ajudar em algo. Compro essa briga ao lado de meus amigos que estiverem dispostos à necessária limpeza no Estado e na sociedade.
Precisamos banir, de uma vez por todas, a tentativa de bolivarização do Brasil. Precisamos fazer isso o quanto antes - e já não vai ser nada fácil, pois demoramos demais a começar.
Vai ser agora, pessoal?
Se não fosse o absurdo da hipótese, poderíamos considerar a condição de os petralhas jogarem limpamente, sem as bolsas-voto, com os coeficientes históricos de uso da máquina estatal, sem mentir muito mais que o esperado: Aécio estaria eleito em primeiro turno e Dilma teria perdido até da Luciana Genro. Só por ela ser bem pior que a média.
Você sabe o que é o Estado?
É aquele bicho que que faz tudo para os amigos e para os inimigos faz leis!
É aquele comprador que só paga se convém e se tiver um troco por fora para alguém de dentro.
É aquele monstro que quer tomar dos pais o direito sagrado de educar os filhos e impedir as escolas de ensinar!
É uma invenção pra nos guardar as costas que está roendo nossos calcanhares!
É aquele sócio que tira do seu bolso para investir em infraestrutura em Cuba e na África!
É aquele sócio que entra em seu negócio sem capital e leva 40% de seu faturamento sem te ajudar
É aquele monstrengo que só tem polícia para garantir a segurança nos estádios da Fifa.
É quem tem a máquina de fazer dinheiro e a usa para desvalorizar as notas em seu bolso.
É monstro de três cabeças, municipal, estadual e federal, cada uma numa altura, para não serem cortadas de um golpe.
Pois é esse estado de coisas em que precisamos mudar o Estado!
3 de outubro de 2014
Fraude eleitoral no Brasil
Não é porque eu sei que a candidata mais abominável será proclamada vencedora que tenho dito que a eleição foi roubada. Não porque meu voto está mais longe dela que de qualquer outro que eu grito para quem quiser ouvir: fraude eleitoral! Não é por insatisfação com o pleito que eu proclama sua inconsistência.
Já vi eleições antes no Brasil cujos resultados não me agradaram, inclusive a primeira eleição da principal postulante. Mas nunca senti no ar a malícia da fraude prévia como agora: todos, todos os subterfúgios e expedientes ilícitos pré-eleitorais foram engendrados sob as barbas do MP Eleitoral e no conforto das pálpebras cerradas dos magistrados.
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| As eleições presidenciais de 2014 já estão fraudadas. |
A imprensa está amordaçada, comprada e sustentada pelos anúncios governamentais. Os comediantes, nem eles podem criticar os governos, sob a falsa alegação de que não podem mencionar nenhum candidato, os artistas não podem cantar nem pintar a verdade, pois vivem de editais que lhes permitem a sobrevida alimentando-se no cocho do Estado com as migalhas que as estatais e subsidiárias distribuem "culturalmente". As universidades estão no bolso do partido e têm nas bolsas a carteirinha do sodalício criminoso que controla o governo federal e tem braços em todas suas derivações.
Não bastasse todo o esmagador uso dos recursos financeiros e administrativos públicos, para salvaguardar-se contra o risco de haver maioria honesta no país, sobra um sistema eletrônico de pleito e de apuração que já não tem mais nenhuma credibilidade: qualquer pessoas mais ou menos ilustrada sobre informática proclama a volatilidade da segurança do sistema coletor e apurador.
O resultado da eleição está previamente posto, previamente garantido também por projeções de institutos de pesquisa cuja venalidade é equiparável à da imprensa, do judiciário e do MP. Estamos órfãos e pouco nos resta, à beira do bolivarismo mutuamente assistido e que se sustenta em tudo que há de pior no mundo; não bastasse o que já havia de ruim no planeta, o governo que afutura dá suporte até ao famigerado estado islâmico, como foi posto na fala da mandatária na ONU.
Nossa esperança? Nenhuma: sabemos que o gigante quedará em sua poltrona, assistindo o Fantástico do domingo anunciar a vitória que eu já anuncio agora, enquanto fingirá acreditar nos resultados.
30 de setembro de 2014
A eleição mais incerta de todas
Não sei quem está mais perdido no processo eleitoral: políticos ou politólogos. Estou com a impressão de que ninguém mais tem nenhuma certeza sobre o que cria decisão de voto, os políticos não sabem o que oferecer, os marqueteiros não sabem escolher as mídias, não sabem que pílula dourar. As propostas se esvaziaram, caíram na vala comum (saúde, segurança, educação), os alinhamentos se evaporaram (há alianças estaduais contrariando as federais), os nomes se repetem (as mesmas caras retocadas no photoshop).
Teorizar entre esquerdas e direitas é um exercício acadêmico de filiação a torcidas, com argumentos perdidos no passado (pré)histórico do XIX com raízes no XVIII.
Os debates televisivos não têm audiência, o público nos comícios aparece com a mesma trucagem que os exércitos nos filmes de Hollywood: multiplicação dos pães, que nem pães nem circo são mais oferecidos nas aglomerações.
Ninguém mais sabe como investir os recursos de campanha que ninguém sabe bem explicar de onde vêm, então é melhor enfiar uma boa parte em um banco remoto, para garantir algo em meio a tanta insegurança e garantir, primordialmente, o futuro dos netos - de preferência, bem longe daqui.
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| A incerteza é geral: inclusive quanto à segurança jurídica. |
As carreatas só mantiveram o distúrbio que provocam no tráfego e a poluição sonora que incomoda os desavisados.
Os blogs são lidos por quem já está com o voto alinhado, Twitter e Facebook são lócus de discurso endógeno e de piadas internas: não existe proselitismo eficaz.
A credibilidade é nula: ninguém crê nas promessas eleitorais, todos duvidam das pesquisas (exceto quando apresentem números favoráveis ao próprio voto projetado); a urna sagrada está posta sob suspeição.
Os tribunais são cortes de lacaios, ou coortes de jagodes - quando não, ambas as coisas. Ninguém confia em juízes ou sobrejuízes eleitorais, que todos têm juízo para tanto.
O pleito e seus resultados estão à borda do caus, e não me parece que seja democrático amar tanta incerteza; alguma, vá lá. Mas um sistema em que as regras não valem, já foram violadas, e não valerão: sabe-se que a justiça não será justa, periga dissolver-se mesmo em terreno de leniência e ilécebras pseudo-sociais.
Nossos vagidos teórico-especulativos são improfícuos. Eu não aposto em resultados. Vejo que estamos em meio a uma geleia geral mal aglutinada e azeda.
O caso é que ninguém mais sabe o que fazer para captar votos e poucos sabem em que alça do caixão dessa republiqueta de bananas e laranjas se seguram para escolher esse ou aquele! O resultado dos pleitos sempre fui misterioso, mas agora as urnas estão mais para bolseta de Pandora que cornucópia de esperanças.
Nessa meleca, eu quero é tratar de salvar meu traseiro infértil - assim como muitos.
26 de agosto de 2014
Mitos eleitorais e políticos
Muita gente já percebeu que nosso sistema político está falido, sem nenhuma possibilidade de recuperação, sob meu ponto de vista.
Boa parte das pessoas acha que haja um ou outro ponto fraco nele e se apegam a aspectos míticos que mudariam a situação se fossem atacados.
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| Desencantem: não haverá salvador da pátria. |
Alguns desses mitos, ou equívocos focais são:
O voto obrigatório: o primeiro engano quanto a isso é que, de fato, o voto não é obrigatório! É "obrigatória" a presença do eleitor em uma seção, para votar, para anular, para se abster ou para justificar sua ausência do domicílio eleitoral – coisas bem diferentes de votar. Ainda assim, a coerção a tal comparecimento, do ponto de vista legal, é irrisória. Há muito mais pressão social para que o malfadado eleitor escolha entre as lastimáveis opções que sanção legal ao rebelde. O argumento, muitas vezes, é que, sendo o voto facultativo haveria melhora qualitativa na escolha. Claro que cada um pensa que essa melhora seria escolher de acordo com os critérios de quem tem tal opinião!
Outro mito é a substituição do voto proporcional pelo distrital misto (e cada um formula essa equação em que só há incógnitas de acordo com as variáveis que supõe sejam propícias a suas aspirações políticas). O eleitor não foi capaz de entender, ao longo de algumas décadas de prática, como se processa o sistema vigente – duvido que entenda qualquer outro processo muito mais complexo. Distritos? Feudos, vale dizer. Querem lotear o país entre micro lideranças. Muito bem, e daí? Qual o passo mágico fará acabar com o clientelismo, a hereditariedade, a demagogia e a presença malfadada de personagens tragicômicos destacados pela mídia nesse processo?
Mais um mito é a suposição de fraude na urna eletrônica. Como se fraudes materiais não tivessem sido constatadas exaustivamente nas urnas e cédulas físicas ao longo de toda a república! Eu não sei de nenhum caso concreto de fraude no sistema atual. Os temores quanto a tal ponto, para mim, caem todos na vala comum das teorias conspiratórias.
Há ainda inúmeros mitos numéricos, ligados à duração de mandatos, às eventuais possibilidades de reeleição, à coincidência ou alternância entre as eleições nacionais e municipais, idades eleitorais e eletivas... Praticamente essas questões ficam fora do campo da ciência política e parecem ter mais vieses numerológicos que técnicos – principalmente, posto que várias combinações foram testadas sem nenhum resultado prático auspicioso ou perverso diretamente decorrente das variações impostas ou opostas.
Sobram as considerações de que um eleitorado mais instruído redundaria em resultado eleitoral melhor (só não se diz melhor para quem!). Essa suposição praticamente contradiz o pressuposto republicando do voto per capta. Se eleitores mais instruídos são melhores, por que não requerer o diploma de graduação, então, para a concessão do título eleitoral? Em seguida trabalharíamos para todo o eleitorado fosse diplomado... inclusive os anões da fábrica de brinquedos do Papai Noel.
Que mais? O fim dos “políticos profissionais”. O financiamento público dos partidos. O bi, tri ou penta partidarismo. As cláusulas de barreira. A presença ou ausência de “horário gratuito” na mídia. Tais ou quais restrições irrealizáveis na propaganda eleitoral. É só pensar mais um pouco, ou observar as opiniões alheias, que a lista vai crescendo. Mas será que qualquer desses pontos teria mesmo o condão de ressuscitar uma república que, de emendas em emendas, nunca existiu de fato?
Não se trata de, para nós brasileiros, de identificar um ou outro ponto de reajuste. O sistema está todinho errado, desde a presidência imperial, a que estamos acostumados, ao ficcional Estado de três poderes, artifício descritivo aplicável no século XVIII, talvez, mas que está tão distante de nossa realidade quanto os três estados (nobreza, clero e povo) medievais. Vejam como, na prática temos, ou deveríamos ter, outros poderes que atuam, ou deveriam atuar, com a alegada independência (ficta) e harmonia (mítica) que a Constituição apregoa entre Executivo, Legislativo e Judiciário: o Ministério Público seria outro poder, e está bem perto disso para nós, o Banco Central (ou equivalente) está para tanto (se for realmente independente do executivo, se torna poder). E talvez ainda pudéssemos alçar á “categoria” de poder outras instituições, e apear algumas de tanto. O senado, por exemplo, poderia ser rebaixado a grêmio senil recreativo, e certamente só haveria lucro; principalmente se lhe fosse amputada uma parcela aí de uns 95% de seus gastos.
Se eu tenho a solução? Por favor, parem de pensar em salvadores da pátria! Nem mesmo eu me proponho apresentar a fórmula mágica: não é de meu feitio tamanha vaidade. Mas está na hora de sentarmos, a comunidade, a sociedade, a nação, e repensarmos o tipo de pacto que queremos e a que chamaremos de Estado. Enquanto isso não for feito, estaremos sempre remendando a colcha de retalhos rota. Teremos que equacionar o que pretendemos do Leviatã e o que nos propomos a entregar a ele. Teremos que pensar em que partes ele deverá ser seccionado e como gerir e controlar essas partes sem precisamos contar com almas puras ou espíritos iluminados (eles não virão pela via eleitoral). Não é para tão cedo, infelizmente.
25 de outubro de 2013
O princípio do fim da liberdade
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| O princípio do fim da liberdade já exige alarme total. |
"Liberdade não é meramente tirar as correntes de alguém, mas viver de uma forma que respeita e aumenta a liberdade dos outros."
[ Nelson Mandela ]
Já não existe liberdade no Brasil, não por termos correntes nos atando, mas por elas estarem sendo forjadas elo por elo, pelo cerceamento dos direitos estar sendo paulatina e seguramente imposto.
Se a liberdade está diminuindo, ela já não existe - é o raciocínio de Mandela no sentido inverso.
Estamos perdendo o direito de expressão (vide biografias e censura judicial a jornais e sites), estamos perdendo o direito à propriedade (vide invasões de terras, imóveis e centros de pesquisa), estamos perdendo a segurança jurídica, estamos perdendo a cidadania.
Estamos perdendo a possibilidade de que haja alternância no poder! Isso é gravíssimo. Mais de um ano antes das próximas eleições o governo já tem a vitória praticamente garantida! Isso não só configura a exclusão da oposição, mas a impossibilidade e inviabilidade de que os atos do governo atual venham a ser auditados por outro grupo.
O governo atual fará tudo - absolutamente tudo - para não deixar o poder. Fará tudo simplesmente porque eles não apodem deixar o controle do caixa. Eles não podem ter suas contas auditadas, não podem perder os mecanismos de gestão de que tomaram posse. O grupo que controla o país já não é um partido no governo, é um estamento no controle do Estado, eles se apossaram de todos os segmentos de expressão e controle social, da mídia e dos três podres poderes da república. Das agências e das autarquias. Das empresas públicas e das de economia mista.
Tenho dito e não quero dizer amém.
14 de setembro de 2013
Os três poderes podres
ART. 2º da CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o LEGISLATIVO, o EXECUTIVO e o JUDICIÁRIO”
Esse artigo é um postulado, obsoleto - muito mais uma elegia a Montesquieu que uma verdade praticável. Não há apenas três poderes (de fato) e não há independência nem de fato nem de direto entre eles. A teoria dos tês poderes deriva dos três estados do antigo regime, da santíssima trindade e da mania que as pessoas têm de dividir as coisas em três (inclusive por simbolismos maçônicos) - mas ela é artificial e não comporta a complexidade do Estado pós-moderno.
Duas outras manias que o brasileiro precisa perder:
Achar que resolve coisas com leis - leis não existem para resolver situações - elas deveriam prever situações e prever a variância e a imponderabilidade do futuro. Resolver com lei degenera em casuísmo. A lei deve ser abstrata e restrita, renunciando à veleidade de abarcar todas as hipóteses mas delineando os princípios fundantes.
A outra mania é querer extrair do emaranhado legal as justificativas para quaisquer procedimentos e impedimentos. As ações e restrições deveriam ser pautadas por princípios - este sim, delineados pela regra, mas não insculpidos nela. Tais como os princípios da isonomia, transparência, devido processo... Não há de ser por essa ou aquela norma caduca (como o Regimento do STF) da qual sobra um mísero fragmento do qual se extrai um procedimento contrário a todo senso lógico - e a qualquer princípio de boa gestão.
14 de agosto de 2013
Pirâmide sociopolítica
Uma das coisas que as pessoas têm dificuldade de aceitar atualmente é hierarquia. Entendem que democracia é desculpa para que toda decisão seja coletiva. Não, não é assim o mundo, não é assim que se gere o Estado. Em família, não existe democracia, a escola não é nem pode ser democrática, as forças armadas têm que continuar a ser hierarquizadas. Misturam tudo, instituições que não são nem devem ser democráticas têm sido, enquanto o Estado é fortemente autoritário.
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| A ordem "natural" das coisas e do Estado foi subvertida. |
Enquanto o moleque não se mexer, o rato permanecerá no topo da ordem política.
A farra está acabando, gente... Que tal uns 20% da aumento de nos combustíveis? Talvez não baste pra salvar a Petrobras. E eu sei o motivo da derrocada da empresa: como pode uma oxítona terminada em "as" prescindir do acento agudo?
Viram como o partido da Marina é democrático? Estão fazendo uma enquete para escolher o número da legenda. Mas quanto à religião do Estado, não haverá negociação: questão fechada.
30 de junho de 2013
Cadê o Lula?
Dizem e disseram por aí que Lula está internado alhures em estado terminal. A bagaça que ele tinha no pescoço deu filhote no pulmão. Não sei se essa história é verdadeira, nem tenho o telefone dele para ligar e conferir. Sem precisar me manifestar se lhe desejo melhoras ou uma morte penosa como a que costuma acometer os tabagistas (e os ex), considero, como hipótese analítica, que a especulação, burburinho, diz-que-diz-que se revista de faticidade.
Como ficará o partido de que ele é dono, após sua descarnação? Bem, é certo que o partido ficará partido! Os correligionários se engalfinharão pela herança maldita até a quinta geração. Cinquenta anos depois da morte de Lula, os herdeiros presuntivos ainda estarão colocando palavras na boca do falecido, como fazem a Getúlio, Brizola, Tancredo, Ulisses e outros próceres das últimas repúblicas. Uns oito ou dez grêmios políticos se formarão pleiteando a legitimidade da herança do enedáctilo. Todos estarão em contato direto com o falecido, via mãe-de-santo, para saber o que ele pensaria de cada situação. Até porque não haverá obra escrita em que se inspirar para adaptar o pensamento do grande líder. Lula não escreveu nada. Nenhum problema e nenhuma crítica quanto a isso: Cristo e Maomé também não deixaram obras literárias e têm, ambos, milhares de intérpretes (que nem sempre se entendem - claro).
Quem viver verá, se ele morrer. Quem viver mais, certamente um dia verá, pois, mesmo endeusado e remido de todos os pecadilhos mensaleiros, um dia ele morrerá, ou de câncer no pulmão ou de qualquer outra dessas desculpas que acometem os reles mortais, por mais líderes que tenham sido.
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| Lula: ninguém sabe, ninguém mais viu. |
Plebiscito ou referendo? Façam o jogo...
No jogo político eleitoral, a gente sabe que muitos eleitores sempre tentam "acertar" o candidato que vai ser eleito. Quando votam em algum perdedor, ficam com a ideia de que "perderam" o voto. Imagine-se um plebiscito de cinco perguntas (não mais que cinco) com sequência lógica entre elas e um eleitorado de analfabetos tentando "acertar" as respostas. O resultado pode ser algo tão patético queto uma "monarquia presidencialista" - o que era uma hipótese possível de resultado quando do patético plebiscito pela escolha de forma e regime de governo.
Naquela época, a propaganda veiculada pelas diferentes postulações, todas, foi repleta de desinformação, inverdade, mitificação e folclore. Não houve nenhuma preocupação didática, nenhuma postulação ideológica, nenhuma cobrança de verdade por parte do judiciário. Todos puderam enganar sem limite em prol da opção que julgavam atender melhor seu interesse.
Deu nesse monstrengo que temos: uma constituição parlamentarista e um(a) presidente(a) imperial, um Congresso inerte, paralisado, inoperante, corrupto, e um executivo legislando por medida provisória enquanto o judiciário ocupa as lacunas entre a constituição, a inercia do Legislativo e os abusos do Executivo.
Bem, meus amigos e amigas, imagine o eleitorado, virtualmente composto, na maioria por analfabetos funcionais, totalmente perdido entre as questões de direito público e de ética, comprados por todo tipo de política assistencialista, populista e demagógica, tentando, mais uma vez, "acertar" na urna eletrônica quais serão as opções que serão mais sufragadas. Como são treinados a fazer na Mega Sena e nos outros jogos de prognósticos. Como foram treinados nas urnas desde que suas bocas se abriram para o voto popular. O eleitorado quer "acertar" - mas esse acerto não significa que ele quer optar pelo que lhe parece mais adequando - eles querem adivinhar qual será a posição predominante. Por isso, a importância dos resultados propostos pelos institutos de pesquisa: é necessário saber, antes de ir à urna, qual é a boa dica, a barbada e o azarão - e qual paga o melhor prêmio.
Ideologia? Isso não existe em nenhum lado dos times em campo: não há esquerda e direita em conflito por ideias (já notou que o muro de Berlim foi derrubado no século passado?) - existem facções em disputa por um botim chamado Estado! Existe um grupelho que tomou posso do Estado e de todas suas instituições e vai fazer de tudo para não largar o osso. Existem outros grupos que só querem entrar na festa sem convite e alguns que têm saudade do tempo das vacas gordas: esses grupos todos, no Brasil, chamam-se partidos políticos. Quem precisa deles? Seus donos. Cada partido tem um dono, um guru, um tetrarca. Mesmo antes de serem oficializados, já têm.
A democracia que se nos apresenta é um circo sem sol, é um espetáculo noturno em que os espectadores não veem a cena e aplaudem por intuição. O pão que se lhes dá é pouco e bolorento.
Discute-se agora se é hora de plebiscito ou de referendo. É o mesmo que discutir se o pão vai cair com a manteiga virada para baixo ou se vai ser margarina que vai dar no chão: em qualquer alternativa, é o pobre que vai ter que engolir a lama e o pó que serão agregados ao alimento degradado. Mesmo que eles "acertem" no jogo da urna.
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| Votação não é um jogo de azar. |
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