12 de maio de 2014

E se Lula morre?

Hoje fiquei imaginando. E se Lula morre? Sim, pois ele ainda não está acima ou fora dessa hipótese; na verdade, nem se trata de hipótese, é um evento indeclinável de ocorrência futura em data incerta; portanto, ele vai mesmo morrer e eu posso considerar que isso venha a ocorrer mais ou menos tardiamente. Pois bem, e se fosse de imediato?
A primeira decorrência da morte de Lula seria o PT se transformar no partido mais partido da história. Quanto mais um cacique centraliza, menos possibilidade de continuidade o regime terá. Ou alguém espera que Lulinha advenha um Kim Jong-un? Pronto: coloquei a exceção que confirma a regra, de modo a neutralizar as críticas por antecedência.
Em se supondo que o fato certo ocorra antes de um mês das eleições, fica mais certo ainda e sabido que Dilma não se reelegerá: sem o padrinho e cabo eleitoral, sem o partido que se partirá, ela vai se esvair como um traque expelido pelo terceiro tarol da bateria da Mangueira na apoteose: sem ruído audível, sem odor perceptível.
Dilma não se elege nem síndica de cabeça de porco sem Lula.
Um dia ele se vai, não há como cooptar a morte.
Depois, desmantelando-se o poderoso partido, já partido, apeados do Planalto, instaura-se o salve-se quem puder: imagine se as contas de tudo aqui vão parar na mão um governo antagônico? Xilindró pra meio mundo. A trupe vai achar que, em o circo pegando fogo, é hora de sumir do picadeiro e tentar fruir os dividendos de Passadena noutra praia. Como se as ações reipersecutórias (não perco a chance de usar essa palavra pedante) e personaperseguintes (também aproveitei a chance de um neologismo, por que não?) não rodassem o mundo em todas as direções: não há mais rota segura para trânsfugas; os israelenses desenvolveram a tecnologia necessária para perseguir facínoras onde e como quer que eles se escafedam. Com o advento da internet e a tal da globalização, até um caixeiro gorducho e safado como o PC Farias foi grampeado do outro lado do mundo e trazido para ser deletado aqui.
Que mais podemos esperar? Com esses três tópicos eu já me dou por satisfeito. A partir desses eventos podemos começar a reconstruir o que a mais deletéria quadrilha de nossos tempos depenou. Para isso, convoquemos deus e o papa, pois vamos precisar benzer todas as repartições públicas, queimar enxofre em todas as universidades, jogar cânfora atrás das portas de cada sala de aula do país... Há de haver creolina para os quartéis e formol para os tribunais. Hipoclorito para os legislativos e clorexidina nas estatais: não se trata apenas de passar o país a limpo, como não poderemos fazer tábula rasa, teremos que expurgar toda forma vegetativa de todos os microrganismos patogênicos instalados em todos os braços do Estado. Esse é o problema.
A sorte é que não estamos lidando com a Hidra de Lerna, nem com a Medusa, mas com um Leviatã Uniceps (que tem uma só cabeça), corta-se lhe e ele esfarela putrefato.

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