Hoje fiquei imaginando. E se Lula morre? Sim, pois ele ainda
não está acima ou fora dessa hipótese; na verdade, nem se trata de hipótese, é
um evento indeclinável de ocorrência futura em data incerta; portanto, ele vai
mesmo morrer e eu posso considerar que isso venha a ocorrer mais ou menos
tardiamente. Pois bem, e se fosse de imediato?
A primeira decorrência da morte de Lula seria o PT se
transformar no partido mais partido da história. Quanto mais um cacique
centraliza, menos possibilidade de continuidade o regime terá. Ou alguém espera
que Lulinha advenha um Kim Jong-un? Pronto: coloquei a exceção que confirma a
regra, de modo a neutralizar as críticas por antecedência.
Em se supondo que o fato certo ocorra antes de um mês das
eleições, fica mais certo ainda e sabido que Dilma não se reelegerá: sem o
padrinho e cabo eleitoral, sem o partido que se partirá, ela vai se esvair como
um traque expelido pelo terceiro tarol da bateria da Mangueira na apoteose: sem
ruído audível, sem odor perceptível.
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| Um dia ele se vai, não há como cooptar a morte. |
Depois, desmantelando-se o poderoso partido, já partido,
apeados do Planalto, instaura-se o salve-se quem puder: imagine se as contas de
tudo aqui vão parar na mão um governo antagônico? Xilindró pra meio mundo. A trupe
vai achar que, em o circo pegando fogo, é hora de sumir do picadeiro e tentar
fruir os dividendos de Passadena noutra praia. Como se as ações reipersecutórias
(não perco a chance de usar essa palavra pedante) e personaperseguintes (também
aproveitei a chance de um neologismo, por que não?) não rodassem o mundo em
todas as direções: não há mais rota segura para trânsfugas; os israelenses
desenvolveram a tecnologia necessária para perseguir facínoras onde e como quer
que eles se escafedam. Com o advento da internet e a tal da globalização, até
um caixeiro gorducho e safado como o PC Farias foi grampeado do outro lado do
mundo e trazido para ser deletado aqui.
Que mais podemos esperar? Com esses três tópicos eu já me
dou por satisfeito. A partir desses eventos podemos começar a reconstruir o que
a mais deletéria quadrilha de nossos tempos depenou. Para isso, convoquemos
deus e o papa, pois vamos precisar benzer todas as repartições públicas,
queimar enxofre em todas as universidades, jogar cânfora atrás das portas de
cada sala de aula do país... Há de haver creolina para os quartéis e formol
para os tribunais. Hipoclorito para os legislativos e clorexidina nas estatais:
não se trata apenas de passar o país a limpo, como não poderemos fazer tábula
rasa, teremos que expurgar toda forma vegetativa de todos os microrganismos
patogênicos instalados em todos os braços do Estado. Esse é o problema.
A sorte é que não estamos lidando com a Hidra de Lerna, nem
com a Medusa, mas com um Leviatã Uniceps (que tem uma só cabeça), corta-se lhe e
ele esfarela putrefato.

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