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Equinócio de outono
- Arte – Regras, & methodo, com cuja a ob∫ervação ∫e fazem muitas obras, aggradaveis, & nece∫∫aria à Republica. Ne∫te fentido Arte se differença de Sciencia, cujos pricipios con∫i∫tem em demon∫traçoens, & ne∫te proprio ∫entido ∫e divide a Arte em dous ramos, a ∫aber o das Artes Liberaes, que fão ∫ete, Grammatica, Rhetorica, Logica, Aritmetica, Mu∫ica, Architetura, A∫trologia, & ∫e cõprehendem ne∫fte ver∫o: Lingua, Tropus, Ratio, Numerus, Tomus, Angelus, A∫tra, & o das artes mechanicas, que tambem fão ∫ette principaes, das quaes dependem todas as mais, Agricultura, caça, guerra, todos os oficios fabris, a cirurgia, as artes de tecer, & navegar. (BLUTEAU, 1712). Por arte entenda-se aqui a tradução do grego tecné (técnica), conjunto de regras que podem ser analiticamente desvendadas, terminologicamente objetivadas e sistematicamente ensinadas. REBOUL, 2000:XIV.
Assim como Camões sempre pensa a poesia como artifício que resulta de operações técnicas (para ele, o poema é literalmente poiema, produto, controlado racionalmente por preceitos), a poesia visual pressupõe inúmeras ações desta natureza.
Na poesia, música ou pintura, o artifício do ato da invenção é operado como máquina ou maquinação, do latim machina, do grego mekhané, (invenção astuciosa), como na expressão “máquina do mundo”, do Canto X de Os Lusíadas. Em latim, o equivalente de mekhané é ingenium, de gignere, (gerar), e designa o talento intelectual da inventio retórico-poética a que geralmente se associa instrumentum, de instruere, (dispor), como na expressão ciceroniana que define a inteligência, instrumentum naturæ, (instrumento da natureza). Os objetos das poéticas visuais são engenhos, na linguagem retórica.
Leia a série toda:
Retórica da ação nas poéticas visuais - Arte - Poética - Prolepse

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