21 de novembro de 2008

Retórica da ação nas poéticas visuais - Arte

Revisar seu texto é na Keimelion.
Cesar Ripa
Equinócio de outono

  • Arte – Regras, & methodo, com cuja a ob∫ervação ∫e fazem muitas obras, aggradaveis, & nece∫∫aria à Republica. Ne∫te fentido Arte se differença de Sciencia, cujos pricipios con∫i∫tem em demon∫traçoens, & ne∫te proprio ∫entido ∫e divide a Arte em dous ramos, a ∫aber o das Artes Liberaes, que fão ∫ete, Grammatica, Rhetorica, Logica, Aritmetica, Mu∫ica, Architetura, A∫trologia, & ∫e cõprehendem ne∫fte ver∫o: Lingua, Tropus, Ratio, Numerus, Tomus, Angelus, A∫tra, & o das artes mechanicas, que tambem fão ∫ette principaes, das quaes dependem todas as mais, Agricultura, caça, guerra, todos os oficios fabris, a cirurgia, as artes de tecer, & navegar. (BLUTEAU, 1712). Por arte entenda-se aqui a tradução do grego tecné (técnica), conjunto de regras que podem ser analiticamente desvendadas, terminologicamente objetivadas e sistematicamente ensinadas. REBOUL, 2000:XIV.
Os procedimentos técnicos da síntese dos ornatos da elocução são encenados no texto poético-visual, disso decorre sua estruturação em forma especular, tal como texto decorrente de vários textos – música, poesia e imagens – produzidos a partir da análise das tópicas da invenção e segundo prescrito na disposição. Os ornatos, que figuram significações análogas às dos conceitos obtidos pela análise da matéria da inventio e da dispositio, são-lhes sobrepostos, multiplicando-os como sinédoques de efeitos icônicos. Não se trata nunca de expressão de conceitos, ou de exercício de teoria estética, mas sempre de dramatização iconográfica de conceitos por meio de técnicas retóricas e representações objetivamente partilhadas. Fazendo a análise e a classificação das imagens da elocução com as categorias aristotélicas, busca-se a maravilha, pois esta aplicação permite aproximar conceitos de coisas distantes e detalhá-los pela reapresentação de suas particularidades icásticas e fantásticas como substância nova na síntese, qualidade diferente, quantidade alteradas, lugar outro, relação diversa, tempo distinto, situação transitória, hábito divergente .
Assim como Camões sempre pensa a poesia como artifício que resulta de operações técnicas (para ele, o poema é literalmente poiema, produto, controlado racionalmente por preceitos), a poesia visual pressupõe inúmeras ações desta natureza.
Na poesia, música ou pintura, o artifício do ato da invenção é operado como máquina ou maquinação, do latim machina, do grego mekhané, (invenção astuciosa), como na expressão “máquina do mundo”, do Canto X de Os Lusíadas. Em latim, o equivalente de mekhané é ingenium, de gignere, (gerar), e designa o talento intelectual da inventio retórico-poética a que geralmente se associa instrumentum, de instruere, (dispor), como na expressão ciceroniana que define a inteligência, instrumentum naturæ, (instrumento da natureza). Os objetos das poéticas visuais são engenhos, na linguagem retórica.


Leia a série toda:
Retórica da ação  nas poéticas visuais - Arte - Poética - Prolepse




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Diga o que disser, eu publico se me aprouver.