9 de maio de 2011

Honório Guimarães - 1º

Em minha postagem anterior, mencionei Honório Guimarães, poeta do soneto a que deu causa a matéria. Mencionei ainda o caso de ele ter remetido a meu avô seu livro Restos de Alma - à revelia - e posto preço na remessa.

Essa história eu conhecia há muitos e muitos anos, assim como conhecia o soneto de ouvido, a fonte de ambos era minha mãe. Fui muito fiel aqui, ao relatar o fato, pois o conhecia indiretamente e sequer tinha informação se minha mãe presenciara o caso.
Eu já havia procurado o texto impresso do soneto, pela internet, sem o encontrar, à epoca em que gravei e editei aquele vídeo, da mesma postagem. Não conhecia o livro em causa, ele estivera dormindo em algum canto da casa de minha infância e juventude, oculto por elipse ou eclipse. Ao desmontarmos o lar materno, depois da morte dela, o livro floresceu e coube-me como escrivinhador mais ativo da estirpe. Mas releguei o obra a seu canto, tendo folheado somente até o soneto título. Ontem, procurei o volume para fazer aquela postagem alusiva ao dia das mães e, logo em seguida, publicada a gravação e o poema, quando ia guardar o livro encontrei nele a missiva (não é uma carta não, naquele papel e naqueles termos é uma missiva mesmo!) de Honório Guimarães a meu avô. O documento respaldou integralmente minha narrativa e a narrativa de minha mãe!
Ri bastante, e fiquei repleto de orgulho filial e de historiador: Eu havia confiado no caso que me fora contado, contando-o com toda dúvida que o historiador atribui à história oral, inclusive a da própria família. Meu pai, onde quer que possa estar, também há de ter se orgulhado, pois era máxima dele que devemos confiar desconfiando. Finalmente, meu mestre de metodologia da École des Annalles, o cônego José Geraldo, deve ter vibrado de alegria lá em Viçosa: "pas de document, pas d'histoire"!
Para benefício do leitor, transcrevo o parágrafo crucial à questão, o que referenda que Honório estava "colocando" entre os amigos a sua obra:
"Por hoje eu peço-lhe aceitar o exemplar incluso do meu último livro, que estou colocando entre meus amigos e conhecidos de antanho ao preço de Cr$8,00, sendo que felizmente não registrei uma recusa até agora."
 Ah, se essa moda pega... Fico me imaginando impingindo a meus quase 2000 amigos do Facebook e outras redes os dez opúsculos que tenho encalhados, sem falar nos 10000 nomes de meu mailing!... E ainda fica a sugestão a outros autores mais famosos e de relações mais amplas que eu, Bolívar Lamounier - para citar só um, se ele atinasse que pode impingir cada volume seu impresso a cada amigo ou conhecido de antanho... seria a fortuna!
Eu vou voltar a este assunto, a carta de Honório Guimarães, por si merece mais tinta e papel - ainda que sejam virtuais. Só as bordas de seu papel impresso dão um tratado!

Leiam neste blog: Educação versus instrução - Significação - Minha gênese - Sonhos e estado de direito

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