8 de maio de 2011

Restos de alma

A obra de Honório Gumarãis.
Todo mundo sabe que hoje é dia das mães - o segundo, pra quem não sabe, desde que não tenho mais a minha.
Então, resolvi postar um pouco do que resta dela, uma pouca de sua alma que nos restou. Ao gravar o vídeo que lhes apresento, no dia do aniversário dela, penúltimo de sua existência, sabia que estava registrando para um dia ter o que guardar e exibir. Só ainda não tenho coragem de rever a gravação atualmente.
Nesse tempo, dona Laura já estava privada da leitura há algo como uma década, por insuficiência visual. Mas a memória não lhe faltou, bastava pedir que os versos fluíam. Alguns próprios, mas a a maioria alheios, como estes de Honorio Gumarãis, poeta paulista nascido em 1888 cuja obra não é muito conhecida e que mais se destacou como educador em Minas Gerais.
Ao que consta, esse livro dele, cuja imagem reproduzo e de onde extraio o poema em versão autêntica, foi "impingido" a meu avô: o autor o enviou, por correio, dizendo que o livro custava tanto, que o tinha impresso em dificuldades financeira e tal! Imaginem se a moda pega! Bem, se a história não é verdadeira, foi-me bem contada por minha mãe.
Então, bastava pedir que dona Laura recitava, recitava, por horas a fio - se houvesse vinho suficiente. Ela foi culpada de eu me tornar poeta, óbvio. Inclusive, é culpada de ter me ensinado a fazer diferentes coisas pelas quais recebo elogios mas bem pouco dinheiro. Reclamei com ela, em vida, por essa falha na minha educação - com o que ela concordou plenamente.
Tenho outros vídeos dela gravados, mas estou com pequenos problemas técnicos para editá-los, além de grandes problemas emocionais para o fazer tão cedo dela privado. Portanto, os que me derem a hora de continuar partilhando coisas, fica a promessa de mais desses para a frente, sem data.


Os versos:

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