11 de maio de 2011

Honório Guimarães - 2º

Depois das duas postagens mencionando Honório Guimarães, ficou no ar uma promessa de algo mais sobre aquele educador e poeta. A primeira referência foi a propósito de se livro que tece o título do soneto com que a obra inicia, Restos de Alma. A segunda postagem referenda a menção feita na primeira sobre como a obra chegou à minha família, divertida história. Aqui, para encerrar o caso, quero fazer algumas observações sobre a história que o papel de carta daquele educador nos conta.
O curioso papel, reproduzido integralmente na postagem anterior, mais que suporte da correspondência do professor, aparentemente tinha as funções múltiplas de cartão de visitas, currículo e de anúncio de serviços, tudo isso, combinado com a forma de "colocação" de sua obra poética, faz supor que a condição financeira da aposentadoria não seria satisfatória, que o antigo mestre ainda tentava vender seus saberes e que, aparentemente, a vaidade dos títulos, funções e encargos da biografia estava conjugada à procura de renda.
Das informações pode-se extrair: republicano, geógrafo, revolucionário em 1930, jornalista, polícia, músico, romancista, poeta, contista, ensaista, revisor... A lista é longa, mas um pequeno destaque centralizado ao pé do papel, sintetiza:
"Lecciona Admissão,
Humanidades e Escriptu-
ração Mercantil."
A aposentadoria não lhe provia suficientemente, e o ofício de professor particular e as rendas de suas obras se fazia complemento necessário à subsistência.
Aqui fica bem caracterizado que não há tanta novidade assim nas insuficientes remunerações dos diferentes ofício de magistério, bem como na tibieza das aposentadorias. O mito de que outrora os professores foram mais bem pagos não se sustenta. Os muitos louvores de que a categoria se cobria não eram condignamente recompensados pela forma real e única suficiente de dignificação de um profissional, a remuneração condizente com sua qualificação e com a relevância da tarefa desempenhada.
Por aqui, pelo Brasil todo, professor é menos que um ofício, já que se lança mão do que houver e não do necessário, é menos que um sacerdócio, pois os votos não são cumpridos, menos que uma devoção, pois o profissional é descartado, muito mais que aposentado. O magistério é um martírio: anos de labuta sem progressão funcional e sem progresso financeiro; agora como dantes.

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