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15 de junho de 2014

Vai tomate cru!

Vai, vai, vai, vai,
Vai tomate cru,
Ó, dona jaburu,
Vai que a casa cai.
Vai tomate cru para madame na Copa do Mundo.
Vai tomate cru!

Vai fazer cafifa?
Vai tomate cru
Também pra Fifa,
Sai, seu urubu.

Vai no Itaquerão?
Vai no Mineirão?
Canela de jacu,
Vai tomate cru.

Já no Nacional,
Ou no Pantanal,
Se comer pacu,
Vai tomate cru.

Ir no Vivaldão,
Ou no Machadão,
Não vai ter senão,
Vai tomate cru.

Maracanã açu,
Metrô a Beira-rio,
Jurou, não alivio:
Vai tomate cru.

Tanta arena nova,
Só pra ter desova,
De índio paiacu.
Vai tomate cru!

Só pra seu governo,
Madame baiacu,
Vai tomate cru,
Vai na Copa, vai no...
(marchinha) ©Públio Athayde
Convido os compositores que desejarem musicar
ou os cantores que quiserem gravar a se
apresentarem; podem postar suas obras, aquela
que o povo aclamar fica sendo oficial.

13 de janeiro de 2013

Poessa

Poessa is a spider genus of
the 
Salticidae
family (jumping spiders).

Velha pilha de palavras,
Impressas, expressas, supressas,
Com ou sem pressa.
Nova ilha de palavras,
Compressas, com ou sem essas.
Outra anilha de palavras,
Remessas, promessas, revessas.
Assacadilha de palavras,
Homessa, o homem, a essa.

Belo Horizonte, 13 de janeiro de 2013.

15 de julho de 2012

Poesia que morde


Explicar arte é destruí-la.
Minha poesia morde,
Mas não arranca pedaço;
Morde o calcanhar,
Mas não mata Aquiles.

Minha poesia morde,
Mas não causa dor;
Morde para acordar,
Mas não mata Morfeu.

Minha poesia morde,
Mas não quebra dentes;
Morde pra me alimentar,
Mas não mata Amor
.
Belo Horizonte, 15 de julho de 2012.

28 de março de 2012

Donzela, por piedade, não perturbes

Minha mãe:
Laura Vianna Athayde
Declamação de Laura Vianna Athayde, gravação, edição de Públio Athayde.
Apenas alguns fragmentos da declamação foram identificados, a segunda e terceira estrofes desse poema teriam sido emendadas em outro poema, ou os emendou assim a memória falha de recitante?

Donzela por piedade não perturbes

Donzella, por piedade, não perturbes
A paz que se abrigou no peito meu;
Ah! não venhas com teus cantos de ilusões
Recordai um amor que já foi teu.

Eu amei-te, sim, ingrata, eu amei-te,
Quanto o meu coração amar podia;
No verdor de meus annos adorei-te
Só a ti, só a ti no mundo via.

Faço timbre hoje emfim de conhecer-te.
Mil vezes faço timbre de adorar-te;
Minha viva paixão manda querer-te.
Tuas faltas de amor manda deixar-te.

Se procuro cruel, deixar de ver-te,
A tristeza me cerca em toda a parte;
Arrependo-me, oh! sim de conhecer-te,
Se, para allivio meu, busco fallar-te.


Dr Pedro de Calazans (?) in: Lyra do Travador -- Collecção de Modinhas, Lundús, Recitativos e Canções. Nova Edição augmentada. S. Paulo: Typ. A vapor J. B. Endrizzi & C. c1876

A poesia paterna

Meu pai, de boné, e o irmão dele, tio Mário, no ambiente
natural deles: a fazenda Capanema, propriedade da família
por bem mais de um século.





Sangue de poeta não se inventa, gerações se acumulam e a tendência se confirma. Aqui vai a obra completa de poesia de meu insigne e venerando pai, Thelio Athayde. Obra que ele compôs por ocasião da intervenção cirúrgica em nossa Tia maria, da qual fui subtraído um rim no procedimento.

Quando cuidavam da mudança
da Capital de Minas, é claro
os do contra não davam fiança
ao empreendimento na época tão raro.
Para tentar impedir o acontecimento
foram logo inventando à solapo
que os ouropretanos de menos esclarecimento
ficariam todos com um grande papo,
Por causa da água do solo,
que naquele tempo não se sabia
dos efeitos benéficos do cloro
no líquido que se consumia.
Mas os que para Curral Del Rei
já haviam se transferido
inventaram: lá não voltarei
para não sentir o rim partido.
Toda água que na fonte medra,
vai criar na víscera indefesa
grande cálculo, ou melhor, pedra,
transformando a vida boa em dureza.
O H2O continha tanto ferro
que o ouropretano não via de frente
ao ver um boticão dava um berro
razão do herói antepassado ser Tiradente.
A Tia Maria não é do tempo
que o pé quebrado se refere.
Mas como freqüentadora do Templo
resiste com bravura a toda intempérie.
E o que diziam para evitar a mudança
muitos anos depois aconteceu:
certa parte do corpo avolumou-se, não foi criança,
porém o rim que Deus lhe deu.
A imensa capacidade do criador
que para salvar não mede sacrifício
forjou à sua maneira um doutor
exatamente quando surge Aparício.
Mandou colher um litro de "bechigol"
deu remédio para o tal desmilingui.
Sabia de antemão aumentar o rol
dos cortados pelo seu tremendo bisturi.
O esculápio, na convalescença garantiu
que a "pacienta" ficaria qual "coco-xodó".
O pedregulho também já extraiu
e que ela engordaria de um lado só.

Thelio Athayde, princípios de década de 1950...

8 de maio de 2011

Restos de alma

A obra de Honório Gumarãis.
Todo mundo sabe que hoje é dia das mães - o segundo, pra quem não sabe, desde que não tenho mais a minha.
Então, resolvi postar um pouco do que resta dela, uma pouca de sua alma que nos restou. Ao gravar o vídeo que lhes apresento, no dia do aniversário dela, penúltimo de sua existência, sabia que estava registrando para um dia ter o que guardar e exibir. Só ainda não tenho coragem de rever a gravação atualmente.
Nesse tempo, dona Laura já estava privada da leitura há algo como uma década, por insuficiência visual. Mas a memória não lhe faltou, bastava pedir que os versos fluíam. Alguns próprios, mas a a maioria alheios, como estes de Honorio Gumarãis, poeta paulista nascido em 1888 cuja obra não é muito conhecida e que mais se destacou como educador em Minas Gerais.
Ao que consta, esse livro dele, cuja imagem reproduzo e de onde extraio o poema em versão autêntica, foi "impingido" a meu avô: o autor o enviou, por correio, dizendo que o livro custava tanto, que o tinha impresso em dificuldades financeira e tal! Imaginem se a moda pega! Bem, se a história não é verdadeira, foi-me bem contada por minha mãe.
Então, bastava pedir que dona Laura recitava, recitava, por horas a fio - se houvesse vinho suficiente. Ela foi culpada de eu me tornar poeta, óbvio. Inclusive, é culpada de ter me ensinado a fazer diferentes coisas pelas quais recebo elogios mas bem pouco dinheiro. Reclamei com ela, em vida, por essa falha na minha educação - com o que ela concordou plenamente.
Tenho outros vídeos dela gravados, mas estou com pequenos problemas técnicos para editá-los, além de grandes problemas emocionais para o fazer tão cedo dela privado. Portanto, os que me derem a hora de continuar partilhando coisas, fica a promessa de mais desses para a frente, sem data.


Os versos:

Leia outros posts deste blog: Mais um livro publicado - Educação versus instrução - Álbum de Joaquim Moreira Athayde - Do fundo do baú

9 de novembro de 2010

The e-book is on the tablet

Livros em português para kindle

Já há diversos livros em português na Kindle Store da Amazon. Veja aqui alguns dos meus que estão à venda. Estão disponíveis para download para o tablet deles e em outras versões também, inclusive para PC - com um programinha de leitura que eles disponibilizam gratuitamente. Já pode valer a pena verificar o que há de interessante para você

Eu mesmo ainda não comprei meu tablet, mas não vejo a hora de o fazer, pois há muito abandonei quase por completo o uso de livros de papel - comprá-los então, só mesmo em último caso. Segundo o mesmo raciocínio, assim que pude providenciei a edição de meus livros para leitura nos modernos gadgats, até porque a primeira edição de quase todos eles foi em formato de e-book. Eu sempre aderi à ideia de que the e-book is on the tablet.
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26 de abril de 2009

Pintura e poesia no Renascimento

No Renascimento, a pintura tinha forte componente da retórica e era mesmo equiparada a ela. Admitindo que a doutrina pictórica renascentista estivesse imbuída claramente de retórica; isso não significa que o vínculo entre pintura e arte oratória tivesse sido estabelecido à margem da poética . Como acontece com as artes em geral e pela poética em particular, a doutrina pictórica fica impregnada da estruturação e da terminologia retóricas, mas nesse fato não se deve ver aproximação entre duas atividades que se afastam nos objetivos e nas metodologias. Assim, segundo esse pensamento, o tópico horaciano ut pictura poesis não pode ser estendido em sentido completamente lato.

"Que obra de arte é o homem: tão nobre no raciocínio;
tão vário na capacidade; em forma e movimento,
tão preciso e admirável, na ação é como um anjo;
no entendimento é como um Deus; a beleza do mundo;
o exemplo dos animais.”

Fragmentos de renascença:
Afresco de Michelangelo & Hamlet, de Shakespeare.

12 de novembro de 2008

Imaculada Conceição

Soneto publicado in: Segue-me
(Revista Católica Salesiana)
Ano III, n°21. Recife, junho de 1943.

Soneto feito pelo Diabo por ocasião de um Exorcismo, em 1828, antes da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição. Estavam presentes na ocasião dois teólogos jesuítas, os Padres Cassiti e Pignatara. Após a exorcisão de um menino, de que se havia apoderado o Demônio, intimado pelos sacerdotes a dizer a verdade sobre a pureza de Maria Santíssima, assim falou sobre a Imaculada Conceição de Maria. Ao que consta, teria este soneto arrancado lágrimas a Pio IX – certamente teriam sido menos abundantes que aquelas que certas ações do mesmo prelado teriam arrancado a outrem.
Imaculada Conceição

Satanás

Mãe Verdadeira eu sou de um Deus, que é Filho.
E d’Ele Filha sou, bem que sua Mãe.
Ab Æterno nasceu e Ele, é meu Filho,
Se bem nasci no tempo, eu sou Sua Mãe.

Ele é meu criador, mas é meu Filho,
Sua criatura sou e sou sua Mãe!
Prodígio foi Divino e ser meu Filho
Um Deus Eterno... E foi ter-me por Mãe!

Comum é quase o ser da Mãe e do Filho!
Porque do Filho teve o ser a Mãe,
E da Mãe teve o ser também o filho!

Ora, se o ser do Filho teve a Mãe!
Ou se dirá que foi manchado o Filho,
Ou sem labéus se há de dizer da Mãe.