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| Votação não é um jogo de azar. |
Romances históricos, poesia, crônica, crítica, sátira, humor, política e análise! Escrivinhações de um polímata.
30 de junho de 2013
Plebiscito ou referendo? Façam o jogo...
No jogo político eleitoral, a gente sabe que muitos eleitores sempre tentam "acertar" o candidato que vai ser eleito. Quando votam em algum perdedor, ficam com a ideia de que "perderam" o voto. Imagine-se um plebiscito de cinco perguntas (não mais que cinco) com sequência lógica entre elas e um eleitorado de analfabetos tentando "acertar" as respostas. O resultado pode ser algo tão patético queto uma "monarquia presidencialista" - o que era uma hipótese possível de resultado quando do patético plebiscito pela escolha de forma e regime de governo.
Naquela época, a propaganda veiculada pelas diferentes postulações, todas, foi repleta de desinformação, inverdade, mitificação e folclore. Não houve nenhuma preocupação didática, nenhuma postulação ideológica, nenhuma cobrança de verdade por parte do judiciário. Todos puderam enganar sem limite em prol da opção que julgavam atender melhor seu interesse.
Deu nesse monstrengo que temos: uma constituição parlamentarista e um(a) presidente(a) imperial, um Congresso inerte, paralisado, inoperante, corrupto, e um executivo legislando por medida provisória enquanto o judiciário ocupa as lacunas entre a constituição, a inercia do Legislativo e os abusos do Executivo.
Bem, meus amigos e amigas, imagine o eleitorado, virtualmente composto, na maioria por analfabetos funcionais, totalmente perdido entre as questões de direito público e de ética, comprados por todo tipo de política assistencialista, populista e demagógica, tentando, mais uma vez, "acertar" na urna eletrônica quais serão as opções que serão mais sufragadas. Como são treinados a fazer na Mega Sena e nos outros jogos de prognósticos. Como foram treinados nas urnas desde que suas bocas se abriram para o voto popular. O eleitorado quer "acertar" - mas esse acerto não significa que ele quer optar pelo que lhe parece mais adequando - eles querem adivinhar qual será a posição predominante. Por isso, a importância dos resultados propostos pelos institutos de pesquisa: é necessário saber, antes de ir à urna, qual é a boa dica, a barbada e o azarão - e qual paga o melhor prêmio.
Ideologia? Isso não existe em nenhum lado dos times em campo: não há esquerda e direita em conflito por ideias (já notou que o muro de Berlim foi derrubado no século passado?) - existem facções em disputa por um botim chamado Estado! Existe um grupelho que tomou posso do Estado e de todas suas instituições e vai fazer de tudo para não largar o osso. Existem outros grupos que só querem entrar na festa sem convite e alguns que têm saudade do tempo das vacas gordas: esses grupos todos, no Brasil, chamam-se partidos políticos. Quem precisa deles? Seus donos. Cada partido tem um dono, um guru, um tetrarca. Mesmo antes de serem oficializados, já têm.
A democracia que se nos apresenta é um circo sem sol, é um espetáculo noturno em que os espectadores não veem a cena e aplaudem por intuição. O pão que se lhes dá é pouco e bolorento.
Discute-se agora se é hora de plebiscito ou de referendo. É o mesmo que discutir se o pão vai cair com a manteiga virada para baixo ou se vai ser margarina que vai dar no chão: em qualquer alternativa, é o pobre que vai ter que engolir a lama e o pó que serão agregados ao alimento degradado. Mesmo que eles "acertem" no jogo da urna.
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