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13 de fevereiro de 2013

Eu renuncio...

Para não ficar fora de moda, andei meditando sobre minhas posições na vida: queria encontrar algo a que renunciar. Examinei bem, pensei no exemplo de grandes homens que renunciaram: Carlos V (de Espanha e metade da Europa), Jânio Quadros, Nixon, Ratzinger...
Achei um gesto de renuncia serviria para enaltecer minha biografia. Renúncia é algo inesperado, num mundo em que a vaidade das situações alcançadas se supera por outra situação acima. Muita gente perde o rebolado quando não tem mais como se promover, como dar outro passo escada acima, morro acima... Um alpinismo social sem fim. Taí o Lula, como exemplo disso mais perto de nós. Sem dúvida, falta alguma renúncia a minha vida.
Assim sendo, e decidido que a tautologia de renunciar à renúncia é meio simplista, pus-me à busca, em metódico exame de consciência, sobre que ato ou fato, posição situação ou posse, deverá recair minha renúncia. Deveria ser algo de valor expressivo, para se revestir da significância e relatividade representativa que faça da renúncia um momento expressivo em minha biografia. Teria que ser algo que afetasse, de forma mais ou menos impactante, também a interesses de outras pessoas - para que haja alguma repercussão. Estabelecidos tais parâmetros, dei tratos à bola e matutei bastante. Assim, venho de público anunciar minha decisão.
Saibam todos, a quem interessar possa: formal e irretratavelmente, renuncio, nesta data, por este ato - em plena consciência e após haver refletido sobre a ação, renuncio a todas e quaisquer dívidas contraídas. Amém.

29 de junho de 2012

Questões pertinentes

Dizem que perguntar não ofende, mas não responder
pode ser bem ofensivo.
  1. Não importa o quão pertinente seja o que se diz aqui, as pessoas prestam mais atenção se houver uma imagem justaposta. Não precisa haver nenhuma ligação entre o texto e o grafismo, um reforça o outro. Mas você acha mesmo que precisa parar de dizer o que pensa e ficar privilegiando as coisas que os outros disseram e estão nesses cartazes virtuais viróticos?
  2. Todos os políticos dizem que decisão da justiça não se discute, cumpre-se. Enquanto o isso, o cidadão já está discutindo as hipóteses de sentença, o julgamento, as cortes, os juízes e sua forma de condução ao cargo! Você não acha que está havendo aqui mais um descompasso entre a lei, as instituições e a sociedade?
  3. Engraçado, não andaram dizendo que o impeachment do Lugo era golpe, que não respeitaram a democracia, a soberania do voto popular? Pois bem, esse pessoal das universidades, em greve, não está desrespeitando a política estabelecida pela presidenta eleita, portanto agindo contra a democracia? Afinal, a política educacional está determinada pelos interesses de toda a sociedade legitimamente representados pela eleição majoritária... Ou não?
  4. Por quanto tempo você acha que vai suportar essa invenção chamada Facebook? Antes vivíamos sem ele, uma hora dessas a moda vai passar. Não sei se algo no mesmo gênero, mas melhor, vai aparecer, ou se as pessoas vão, simplesmente se dedicar ao cultivo de trevos de quatro folhas. Em que estágio se encontra sua relação com as redes sociais?

1 de outubro de 2008

Foto ilustrativa


Já reparou nessa moda que vem agora na maioria dos anúncios? Perto de cada imagem está escrito: “foto ilustrativa”. A pergunta que fica é se alguém conhece alguma foto que não seja ilustrativa..
A idéia dos anunciantes, o que o anunciante quer, na verdade, é se livrar de reclamações fundadas nos direitos do consumidor. Deve haver por aí algum “Manual de Defesa Contra o Consumidor (anotação: verificar se existe – se não existir, avaliar a possibilidade de escrever um). Há de ser um livrinho de muita utilidade para quem negocia, para se livrar do consumidor neurótico, que interpreta como instrumento maniqueísta a legislação que foi feita visando garantir as relações de consumo, o consumidor é o bem – contra todos os males e perversidades do mercado. Alguns consumidores se põem na pele de verdadeiros paladinos da praça, perseguindo as o missões e equívocos dos comerciantes como xiitas à caça de pecadores. Visam com isso lucros inesperados – nem sempre muito éticos. Foto meramente ilustrativa quer dizer: o anúncio fica mais bonito assim; ou: se você for craque, pode fazer um parecido; também: esse é um dos tipos que tenho, mas quando você chegar, já pode ter acabado. Será que foi vetado no Código do Consumidor algum artigo que dizia que as partes têm que ter bom senso? Desde a constituição cartesiana se sabe que o bom senso é muito bem dividido entre as pessoas e a legislação de consumo recebeu esse princípio subordinando-o à ótica da boa-fé: se você entender que algum anúncio foi redigido dentando ludibriar alguém, afaste-se do anunciante; se você lê todas as ofertas procurando nas letras miúdas os equívocos e lacunas de que possa se aproveitar, quem está agindo de má-fé é você. Já assimilamos muito bem em nossa sociedade os tais direitos do consumidor, aprendemos que não somos vítimas frente ao comércio e que, na relação entre o mais fraco e o mais forte, a justiça tenta favorecer os primeiros. Agora falta um código de educação do consumidor. Um instrumento que ensine à coletividade que os princípios que regem a relação de consumo são de mão-dupla, que muitos dispositivos da lei de consumo invertem a relação de força, transformando os ofertantes em vítimas potenciais. Vamos entender que, se nos distanciarmos em bloco de quem apresente indícios de prática desonesta, a atividade em questão minguará até perecer, se o responsável não mudar a tempo de atitude. Enquanto os consumidores estivermos agindo como vítimas do consumo ou paladinos das relações mercantis, os anúncios, embalagens e contrato precisarão de frases tão tolas quanto óbvias quanto “foto ilustrativa”.
Em tempo: este artigo é meramente opinativo, não constitui jurisprudência nem pode ser base para argüir o autor.Todas as fotos publicadas são meramente ilustrativas e não têm nada a ver com este texto que poderia perfeitamente ser publicado sem nenhuma foto.

Dois p.s. Primeiro a referência ao blog Coma com os Olhos, um evangelho sobre fotos ilustrativas. Depois a missiva de um leitor que se incomodou com o que eu escrevi aqui, publico na íntegra.
Agora um p.p.s.: O diagrama esquemático e a foto ilustrativa é um excelente artigo que trata desse assunto com esquema bem diaframa e boas ilustrações devidamente fotografadas.



Articulando

Coletânea de artigos de Públio Athayde. O artigo acima e outros mais estão publicados no livro Articulando, excelente sugestão para entretenimento ou presente. Alguns são artigos leves, outros bem mais profundos. Alguns têm origem em trabalhos acadêmicos e foram simplificados para essa edição, estando disponíveis inclusive pela internet, suas versões completas e anotadas. Há artigos bem recentes e outros de mais de dez anos. Clique nos links o no livro para adquirir.