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14 de setembro de 2013

Os três poderes podres

ART. 2º da CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o LEGISLATIVO, o EXECUTIVO e o JUDICIÁRIO”
Esse artigo é um postulado, obsoleto - muito mais uma elegia a Montesquieu que uma verdade praticável. Não há apenas três poderes (de fato) e não há independência nem de fato nem de direto entre eles. A teoria dos tês poderes deriva dos três estados do antigo regime, da santíssima trindade e da mania que as pessoas têm de dividir as coisas em três (inclusive por simbolismos maçônicos) - mas ela é artificial e não comporta a complexidade do Estado pós-moderno.
O Estado moderno está em processo de autofagia,
incapaz de se dar conta de que os modelos do
século XVIII não se prestam mais à complexidade
da sociedade nem servem a ela.
O Leviatã está comendo seu próprio rabo.
Duas outras manias que o brasileiro precisa perder: Achar que resolve coisas com leis - leis não existem para resolver situações - elas deveriam prever situações e prever a variância e a imponderabilidade do futuro. Resolver com lei degenera em casuísmo. A lei deve ser abstrata e restrita, renunciando à veleidade de abarcar todas as hipóteses mas delineando os princípios fundantes.
A outra mania é querer extrair do emaranhado legal as justificativas para quaisquer procedimentos e impedimentos. As ações e restrições deveriam ser pautadas por princípios - este sim, delineados pela regra, mas não insculpidos nela. Tais como os princípios da isonomia, transparência, devido processo... Não há de ser por essa ou aquela norma caduca (como o Regimento do STF) da qual sobra um mísero fragmento do qual se extrai um procedimento contrário a todo senso lógico - e a qualquer princípio de boa gestão.

21 de julho de 2013

Câncer e defenestração

A defenestração do Collor foi feita no esplendor de uma república refundada, forte e eivada de esperanças. Tratava-se apenas de expurgar um grupelho. Foi café pequeno. Uma amputação incruenta.
Agora, temos um enorme câncer (encabeçado por alguns cancerosos e outros psicopatas); metástases por todo o Estado e pelas instituições sociais desde as universidades aos sindicatos, passando por organizações informais paramilitares e até tribos indígenas, sem falar das religiões aliciadas. O expurgo só será feito com um banho de sangue. Em sã consciência, não o desejo nem o propago, mas temo que seja o único caminho que a sociedade necessariamente trilhará para se livrar de tanto mal que nos assola.
Não creio em negociações, via eleitoral, nem na via judicial para a solução de nossos problemas. Há de ser no campo de honra, já que se trata de questões de valores que estão em pauta.

8 de janeiro de 2013

Villa detona Lula

Comentário de Marco Antonio Villa (Historiador da Universidade Federal de São Carlos) no Jornal da Cultura, exibido dia 14/12/2012. Villa desabafa e comenta suposto envolvimento do LULA. Parabéns Villa, você teve muita coragem de falar, pois muitas pessoas da imprensa não expressão sua opinião. Suposto??
"Deste tamanho já estaria bom
para o Lula..."



Eu queria dar um grande abraço no Villa. Ele foi meu professor, meados dos anos 1980, e eu não gostava das coisas que ele dizia. Hoje aplaudo de pé, na primeira fila - e ainda tenho vontade de abraçar. Bravo, Villa, bravíssimo!

1 de agosto de 2012

A necessidade de ter vivido a história

Não concordo com a necessidade de "ter vivido a história" para poder analisá-la com critério, basta que sejamos honestos na pesquisa dos fatos e ouçamos todos os lados sem paixões. É claro que cada um tem a sua trajetória particular e deve se orgulhar de sua história de vida mas isso não nos autoriza a ser inconsequentes em nossas colocações. Currículos estrelados de nada valem se através deles formos incapazes de avaliar com precisão o momento presente, amarrados que nos mantivermos a um passado de glorias e/ou sofrimentos. E enfaticamente não concordo que quem não participou do movimento estudantil nos anos 60 "não viveu a história, foi omisso". Esse é um pensamento anacrônico, todas as tendências de uma época devem sim ser respeitadas, é o conjunto que desenha os fatos e não as partes. E também não aceito essa ideia de que "quem não estava lá" não tem condições de analisar, isso é negar toda a metodologia científica de que dispomos, fosse assim ninguém teria condições de analisar qualquer época da historia da humanidade.
por: Maria do Rosario Pacheco

Maria do Rosario Pacheco é médica
e atenta observadora do Brasil,
país que está muito doente.
Ao nos basearmos unicamente em nossa própria historia pessoal para analisar o presente nos esquecemos que também nossa vida é dinâmica e mutável e está firmemente relacionada à nossa evolução como pessoas, baseada em nossos valores intrínsecos. E aí mora a diferença: embora eu tenha tido experiencias em tudo semelhantes às de muita gente que pensa diferente, embora eu tenha participado ativamente de movimentos estudantis e convivido em minha juventude com várias das personalidades citadas e outras mais que aqui não foram lembradas, embora eu tenha tido à época bom relacionamento com a maioria não misturo estações. Muito firmemente analiso a situação politica hoje no Brasil como uma das piores que já vivemos.
O PT com sua ideologia retrograda e inconsequente é a maior tragédia que poderia nos acontecer e Lula o maior engodo a que foi submetida a população brasileira.
O mensalão é o maior escândalo de corrupção da História do Brasil, não há o que se lhe compare e tentar desqualificar qualquer um que tente discutir sobre ele, a qualquer tempo, é apenas mais uma tentativa irresponsável de mudar o foco da questão. Nesse momento todos os que se dizem preocupados com o futuro do país, todos os brasileiros de bom senso devem se unir em torno desse tema. 
Não amigos, não são todos "farinha do mesmo saco", a podridão e torpeza dos mensaleiros se abriga em outro compartimento, podem estar certos disso.

9 de novembro de 2010

The e-book is on the tablet

Livros em português para kindle

Já há diversos livros em português na Kindle Store da Amazon. Veja aqui alguns dos meus que estão à venda. Estão disponíveis para download para o tablet deles e em outras versões também, inclusive para PC - com um programinha de leitura que eles disponibilizam gratuitamente. Já pode valer a pena verificar o que há de interessante para você

Eu mesmo ainda não comprei meu tablet, mas não vejo a hora de o fazer, pois há muito abandonei quase por completo o uso de livros de papel - comprá-los então, só mesmo em último caso. Segundo o mesmo raciocínio, assim que pude providenciei a edição de meus livros para leitura nos modernos gadgats, até porque a primeira edição de quase todos eles foi em formato de e-book. Eu sempre aderi à ideia de que the e-book is on the tablet.
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20 de outubro de 2010

Lições de História

Lições de História: o caminho da ciência no longo século XIX (Editora FGV/EdiPUCRS). Peças seminais de Voltaire, Daunu, Chateaubriand, Michelet, Ranke, Gervinus, Marx, Carlyle, Macaulay, Acton, Bordeau, Monod, Coulange, Lavisse, Seignobos, Lacombe, Berr e Troeltsch.
Em traduções comentadas e apresentadas por Daniela Kern, Lilia Schwarcz, Teresa Malatian, Julio Bentivoglio, Tereza Kirschner, Sérgio Gonçalvez, Marcos Lopes, Temístocles Cézar, Helenice Rodrigues, Raimundo Barroso, Sérgio da Mata, José Carlos Reis e Jurandir Malerba. Textos inéditos de Leandro Konder e François Dosse.

11 de dezembro de 2008

7 de novembro de 2008

AQUI JAZEM OS RESTO DO IRMÃO I.F.C. FALLECIDO...

AQUIJA
ZEM
OS RESTOS

DOIRMÃO

I.F.C.
FALLECID-
DO
A 21 DE JULHO
DE 1880
ORAI POR
ELL

Análise de documento
As lápides representam a tentativa de permanência, o recado para a posteridade. E podem representar muito mais. O interesse dos historiadores por esse tipo de legado é corrente em diversas correntes historiográficas. Elas são, inegavelmente, fonte; registro palpável de dados e de vontades e idéias pretéritas. Fonte de história local, das mentalidades e inclusive outras vertentes.
Lateral da I. N. S. Mercês e Perdões,
em Ouro Preto.

Elegi para este trabalho, como documento a ser analisado, a lápide de I.F.C. e outras que circundam a igreja de Nossa Senhora das Mercês dos Perdões, em Ouro Preto.


Essa história toda está contada no livro:


Autor: Públio Athayde

Veja o livro a venda

Análise de documento: Apresentação

Detalhe: Porta lateral
e a lápide de I.F.C.

A história local assume particular premência num tempo marcado por uma crescente globalização e propensão para a massificação e uniformização cultural, em que urge desenvolver a consciência do valor da História e do patrimônio enquanto marcas da herança cultural coletiva. Neste sentido, a história local propõe-se desenvolver e enquadrar estudos no âmbito da história regional e nacional.
A Arqueologia insere-se na vocação matricial da história local, desde sempre ligada aos estudos epigráficos e à necessidade de assegurar enquadramento técnico e científico adequado ao tratamento, conservação e estudo do vasto patrimônio arqueológico local em geral e de Ouro Preto, no nosso caso. Tem como objetivos centrais o desenvolvimento de projetos de inventário de patrimônio material, móvel e construído e de tratamento museológico, assumindo uma vocação para a prestação de serviços a entidades públicas e particulares, incluindo a atividade econômica do turismo dentre seus objetivos, sem priorizá-lo nem secundá-lo em sua relevância.
Elegi para este trabalho, como documento a ser analisado, a lápide de I.F.C. e outras que circundam a igreja de Nossa Senhora das Mercês dos Perdões, em Ouro Preto.

Chamou-me mais atenção a lápide de I.F.C. por seu tamanho, a qualidade que ainda apresenta e por sua situação no local onde se encontra, como descreverei.


Lápide de I.F.C. (Foto de G. Athayde)

Análise de documento: As lápides exteriores

As lápides exteriores da Igreja de N.S. das Mercês e Perdões de Ouro Preto

Oito lápides remanescem no adro da igreja, distribuídas segundo o esquema a seguir:

Igreja N.S.M.P - Vista aérea (Fonte na imagem)






Lápide A, com "sobrelápide".
(Foto G. Athayde)








Lápide B. (Foto G. A.)




Lápide C. (Foto G. A.)





Lápide D. (Foto G. A.



Lápide E. (Foto G. A.)






Lápide F. (Foto G. Athayde)

A lápide de I.F.C., já apresentada, ocupa a posição H, e as dimensões das lápides são as que se seguem no quadro (clique na imagem para ampliar):







Dados obtidos por Gustavo Athayde Athayde.

Chamo a atenção para as dimensões avantajadas da lápide de I.F.C.

Análise de documento: Situação espacial


A Igreja e seu adro se encontram em local de destaque no relevo do bairro em que se situam, mesmo não sendo visível para o grande público, o platô domina ampla vista de região que já foi mais nobre da cidade, em posição de clara dominação, segundo se pode observar pelo relevo demonstrado pela imagem de satélite que se segue.
Igreja N.S.M.P. Vista aérea
(Dados na imagem)
Nesta foto, o ponto culminante de quase toda a área exibida é a Igreja; exceção para o setor mais a esquerda. Certamente a posição ocupada pelas sepulturas representava ponto de destaque.

6 de novembro de 2008

Adequação retórica na Pároquia do Pilar de Ouro Preto

No período colonial, a paisagem urbana estava vinculada à presença dos religiosos, uma vez que cada ordem religiosa, irmandade ou confraria dominava uma parcela do território, sendo esta dominação de base econômica e ideológica, exercida pela religião católica. Discuto aqui alguns aspectos topográficos e de visibilidade dos templos católicos da Paróquia de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto em função dos critérios de edificação preconizados pelas Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia e relativizados pela topografia local e outras condicionantes locais.

Cumprirá sempre lembrar a cidade como “o lugar onde se articulam o social e sua representação” , lembremo-nos ainda de que a maior parte dos templos a que nos referimos foi edificada sob a égide de concepções ilustradas decorrentes da reconstrução de Lisboa devida ao terremoto de 1 de nov. de 1555.
A recomendação geral era de que os templos tivessem a fachada orientada a Oeste , e que o templo ficasse em local destacado e imponente, preferencialmente numa elevação. Mas em Ouro Preto, o relevo montanhoso e a ocupação sem planejamento formal (como hoje é entendido) criaram condições práticas que requereram desvios dessas orientações, principalmente no que se refere à orientação das fachadas. As posições de destaque ocupadas pelos templos na paisagem geral da cidade são relativas, como será demonstrado.

Ilustração 1 Const. Prim. do Arceb. da Bahia, Livro 4, Tit. 17; 687.
A norma de referência para a observação foram as Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, promulgadas em 1707. Regras baseadas nas tradições bíblicas, nas Constituições Portuguesas e nas diretrizes do Concílio Tridentino, de forma adaptada à situação colonial. Como tal, constituíram-se adequadamente aos interesses de Portugal e da Igreja, contribuindo para a manutenção da ordem social e dos privilégios e foram, ao lado da Mesa de Consciência e Ordens e do Conselho Ultramarino, as diretrizes jurídicas e ideológicas para confirmar e legitimar o sistema de poder imposto pelo Estado Absolutista e pela Igreja – parte deste Estado, visando a perpetuação do quadro social.
Ilustração 2
Referências das Constituições Primeiras
a sua base jurídica.


As povoações instaladas na colônia portuguesa da América, na região das Minas Gerais inclusive, integravam o corpus do Estado, sua infra-estrutura se subordinava à ideologia daquela república teológica, o especo subordinando-se ao imaginário:
“Nas vilas e cidades coloniais (...) as transformações citadinas se inseriram em uma perspectiva mais ampla: além de objetivarem a promoção de um bem-estar aos súditos, eram parte de uma política colonizadora de afirmação da soberania real sobre a região colonial, dentro da qual a cidade – enquanto um espaço essencialmente marcado pela sua função política – possuía uma relevância fundamental.”

Cada aspecto da urbe deveria se adequar, isto é se articular ao conjunto político e religioso, com todas suas implicações físicas e metafísicas em concerto. Um “concerto barroco” de pedras e dogmas sob a regência sincrônica da coroa e das mitras.
Mas se nota que o cânone referente à orientação dos templos, nos casos estudados, não foi seguido. Todos apresentam desvio de, no mínimo, 40º da direção preconizada.
No entanto, o sentido teológico da norma se submeteu à idéia de destacar o templo na paisagem, pelo que pude observar. Todos os templos foram construídos em área de destaque, elevações na maioria. O templo situado em cota mais baixa, curiosamente, é a Matriz, mas ela se situa no vértice do vale, como palco de um theatrum sacrum. A interpretação feita na prática é conivente ao sentido da fundamentação teológica e retórica, ainda que contradiga a topografia e orientação espacial, o que é coerente e esperável para o século XVIII . A ordem foi mantida em função da finalidade.
A interpretação dos arquitetos dos templos foi correta, hierarquizando adequadamente as normas quanto a sua racionalidade e as edificações segundo suas finalidades.
A ordem sagrada foi sempre mantida, os critérios coevos de decência, capacidade, aparato, grandeza – decoro, em uma palavra – foram mantidos, independentemente de qualquer observação que coteje meramente o dado físico e o direito canônico positivo do século XVIII. Retórica é um conjunto de argumentos articulados, inclusive em Direito e Arquitetura. A retórica se prende à sua finalidade, como as edificações se prendem ao solo, por seus alicerces. Assim, a retórica teológica se funda em sua base aristotélica e não em princípios cartesianos que poderiam ser invocados em análise apriorística e eivada de equívocos diacrônicos.
O quadro a seguir apresenta sinoticamente os dados observados.Versão completa deste artigo, com muitas fotos e diversas ilustrações, além das notas e referências pode ser obtida clicando aqui.

Essa história toda está contada no livro:


Autor: Públio Athayde

Veja o livro a venda