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27 de abril de 2016

Resgar a Constituição e se desesperar

A constituição é todinha uma colcha de retalhos, uma peça ficcional, um conjunto inconsistente. Tudo que o STF faz são jeitinhos para tocar o barco. O Estado funciona pelas entrelinhas da norma. O que a Constituição põe, se dispõe, o que ela diz, ela mesma desdiz, ela não sobrevive a nenhuma análise de O&M. Vivemos numa geleia de adaptações e interpretações fluindo sob os interesses momentâneos e mutáveis segundo o gosto do fregues daquela quadra. O Brasil beira à anomia por absoluta impossibilidade de cumprimento da regra. Deu no que temos. É rasgar 1988 e fazer de novo, deixar fazer quem não pretende da regra proveito imediato para si
A Carta Magna é uma colcha de retalho de interesses escusos.
Vamos fingir que não existe essa
Constituição? Começar de novo
com uma Constituinte autônoma?

  • Os políticos do PT, PSOL e quejandos não são adestrados. Adestrar é (etimologicamente) inadequado: eles não se tornam destros, nem tendentes à destra. Eles são canhestrizados: ficam cada vez mais canhestros, tão quanto tendem à canhestra.
  • O debate sobre impeachment no Senado tem a mesma relevância de duas torcidas de futebol tentando decidir o campeonato na mesa do boteco. Inês e morta, o cadáver insensato está no Planalto. O rito é para inglês ver. Precisamos abandonar a hipocrisia legislativa e jurídica. Os senadores gastam metade do tempo reaprendendo a dinâmica de um debate que é rotina parlamentar. É pra lamentar.
  • Exigir que candidatos tenham curso superior faz tanto sentido quanto determinar que barbados não podem ser eleitos ou que para se tomar posse sejam necessários os dez dedos: casuísmo.


Calma, calma, calma - muita calma antes de se desesperar. Está calmo? Então, desespere-se: o caos em nossa economia e o buraco das dívidas é infinitamente maior que nossa vã filosofia e não tem o limite que se estabelece entre o céu e a terra. O vandalismo do governo petista nos deixará de herança débitos para as próximas décadas, os netos de quem votou no PT ainda sofrerão as consequências desastrosas de 13 anos de desmando e bandalheira no Estado. No mínimo, serão necessários vinte anos para neutralizarmos todos os agentes deletérios que o partido clepto-sindicalista implantou no Estado e em todas as agências de governo. Talvez necessitemos de trinta anos para nos livrarmos de todo o aparelho de esquerda montado nos estabelecimentos de ensino. Isso, se começarmos agora. O primeiro passo é defenestrar Dilma: jogá-la pela janela, fazê-la rolar pela rampa abaixo direto em um camburão para o aeroporto e, de lá, para Curitiba. De roldão, que se leve o ministro da casa de Porcina: aquele que é sem nunca ter sido, mas age como se fosse. No mesmo embalo, mais uma dúzia de ministros e ex-ministros dessa corja devem ser devidamente encanados, só na primeira leva.
Não foi por falta de avisos. Agora, é remendar. Vai ser um longo trabalho. Vamos despender sangue (não se iludam, será necessário) suor (muito) e lágrimas (inexoravelmente).

  • Enquanto isso, Anastasia vai frigir Dilma em petróleo e piche, depois vai deixá-la nas mãos do plenário que vai cobri-la de penas fétidas de pombos. Por último, vão enrolar a mequetrefe em plástico bolha e enviar para o Moro completar a farra.

23 de maio de 2012

Bordoadas - uma aqui, outra ali

Se precisar, vamos ter que sair no braço.
Os mais presunçosos dentre os lulopetistas imaginam que se esteja dizendo que estamos às portas de uma crise por ingerência de dona Dilma. Como se ela tivesse poder, capacidade, de ser causa de um evento tão cataclísmico. Ela será apenas uma vítima privilegiada. Pena que não se dê conta, aquela senhora, de que poderia usar sandálias de humildade e minorar os efeitos do tsunami que será o encontro da bolha financeira do primeiro mundo com a bola de neve da arrogância política dos títeres e apedeutas sul-americanos.
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Há muitos anos greve é um evento que só ocorre no Brasil para funcionários públicos: aqueles que não correm nenhum risco com o evento. É a subversão do capitalismo e do socialismo de uma tacada só.
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Todos os pilantras estão driblando as leis que eles mesmos fizeram e fazendo propaganda para as eleições municipais. É andragogia política: ensinar a não cumprir a lei descumprindo-a.
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Pauta para a Começão da Verdade:
  • Verificar se Dilma foi mesmo torturada ou se é só propaganda enganosa.
  • Levantar quantos civis e militares foram mortos e em que circunstâncias pela quadrilha a que Dilma pertencia.
  • Verificar e divulgar a participação efetiva que ela teve nos tais crimes.
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Ninguém sabe exatamente o que é essa tal de democracia. Muita gente acha que é bom porque faz dela a ideia que lhe agrada. Eu não seio o que é, acho que nunca vi. Mas se, por acaso, for isso quer estamos tendo, não me parece que seja bom não.
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Discussões vão e voltam. Voltam em sentido contrário, o que é natural para a ação de voltar. Todos se esqueceram de que votações secretas nos parlamentos foram uma conquista difícil obtida no processo de abertura do regime de 1964. Naquela circunstância, "todos" queríamos o voto parlamentar secreto, para liberar os parlamentares do jugo "tirânico" do executivo. Agora está todo mundo querendo de novo a volta do voto aberto, iludidos para impressão de que o parlamento fique assim "controlado" pela "opinião pública". O governo que temos, centralizador e autoritário, vai adorar se o voto for todo aberto. A "base" vai ficar completamente sob seu controle. Sístoles e diástoles, diria o Golbery. Na prática, equacionando e observando, funciona assim: voto aberto interessa mais a regimes autoritários, voto secreto interessa mais a regimes abertos. O voto aberto pode ser controlado - raramente pelo eleitor, o voto secreto emana da consciência - se é que parlamentares sabem o que é isso. (Ninguém sabe bem o que são essas "coisas" que coloquei entre aspas.)

11 de dezembro de 2008