28 de maio de 2009

Populismo

por
André Leandro
(Estudante de História na UFOP)

Populismo é uma expressão comum aos brasileiros. Com frequência a encontramos na mídia e nas acusações ao governo. Todos nós sabemos que populismo é a prática de um líder carismático que, por conceder benefícios às classes populares, é capaz de manipulá-las, assim como de seus malefícios para o país. Mas se todos sabem o que é o populismo, como pode haver manipulação? Para tanto, é necessário saber o que é populismo.

No Brasil, a análise teórica do populismo se iniciou na década de 1950. Nesses anos, segundo Jorge Ferreira, a teoria da modernização influenciava a produção acadêmica, portanto as noções iniciais de populismo. Segundo o autor, essa teoria é a explicação da modernização dos países latinoamericanos que transitaram da economia tradicional, agrária, de participação política restrita, para a economia de mercado, industrial, de participação política ampliada; fizeram isso de forma rápida, devido às ânsias das massas populares, deslocadas do meio rural para o urbano, desrespeitando as etapas do desenvolvimento democrático liberal europeu e, assim, possibilitando o surgimento do populismo. Seguindo essa teoria, um grupo de sociólogos patrocinado pelo Ministério da Agricultura, Grupo do Itatiaia, apontado por Ângela de Castro Gomes, foram os primeiros a identificar o surgimento do populismo no Brasil. Para este grupo, o populismo foi a política de massas surgida a partir de 1945. Originada de uma sociedade em que a classe dominante está em crise e necessita de apoio; que está em processo de modernização, ou seja, transformação de mão-de-obra agrária em industrial; em que a classe trabalhadora possui tímida consciência de direitos; que, por não haver hegemonia de classe, necessita de um líder carismático, com capacidade de manipular as massas e garantir a organização do Estado.

Ainda nos anos 50, outra interpretação ao populismo feita por sociólogos dentro das universidades, chamada por Luiz Werneck Vianna de “interpretação sociológica”, buscava refletir o papel dos camponeses na formação da classe operária. Esse grupo propõe que o surgimento do populismo esteja relacionado ao surgimento de uma classe operária sem espontaneidade e ação revolucionária. Consideram que a classe operária organizada, de influência anarquista, dos anos de 1910, sofre uma perda de consciência a partir de 1930, com a burocratização dos sindicatos. A causa dessa mudança, para a interpretação sociológica, está no processo de modernização, que trouxe à mão-de-obra industrial trabalhadores rurais e, com eles, o tradicionalismo agrário, patrimonialista e individualista. Isso, para o grupo de Vianna, tornou a classe operária incapaz de realizar ações coletivas, deixou-a passiva e dependente do Estado. Assim, para esse grupo de sociólogos, surge o populismo como resultado dessa conjuntura.

Depois do golpe de 1964, houve uma mobilização para se compreender as causas de seu acontecimento. Nesse contexto, os estudos do populismo passaram a integrar a explicação para o golpe. Dessa nova interpretação do populismo, Ângela Maria de Castro Gomes destaca a produção de Francisco Weffort. Em seu trabalho, Weffort reitera a teoria da modernização. Divide o fenômeno populista em dois tempos: as origens, no estudo da Revolução de 30, como apontado pela interpretação sociológica; a república populista 1945-1964. Weffort considera as origens do populismo na instabilidade dos anos 30. Sem a possibilidade de se apoiar nas velhas oligarquias rurais, nem no novo empresariado urbano, o Estado buscará apoio nas classes populares, possuidoras de uma força original, mas sem condições de exercer uma participação política autônoma. Assim, o Estado, confundido no estadista, seria capaz de manter alguns compromissos com os diferentes grupos dominantes, se apoiando nas classes populares, por meio de concessão de benefícios, sendo capaz de subordiná-las. Mas para o autor, a manipulação populista não se opera de maneira a beneficiar apenas o Estado, como pensado pelas teorias anteriores. Para ele, apesar de ser uma forma de controle, a política de massas atende às necessidades das classes populares, dando a elas certa participação política e social, já que não eram capazes de fazê-la por si sós. Weffort compreende o populismo de maneira processual. Após esse primeiro momento, quando existe uma relação de dependência das massas perante o estadista, elas com o tempo reconhecem sua cidadania, por meio dos direitos concedidos. A inserção das massas, que Werffort considera ocorrer no momento da república populista, gera, para ele, uma mobilização popular verdadeira, criando uma crise na manipulação populista. Assim, a mobilização popular real, querendo reformas radicais, fará eclodir o golpe militar em 64.

As reflexões de cada grupo acadêmico, elencado anteriormente no texto, possuem suas particularidades, mas todos eles conservam as concepções da incapacidade dos operários de se organizarem e expressarem suas vontades, da presença de um Estado demagogo, traidor e manipulador. A questão da manipulação das massas possui problemas. Os pesquisadores acreditavam que as classes trabalhadoras iriam ter um caminho predeterminado, que seus interesses reais convergiriam necessariamente à desestruturação do capitalismo. Portanto, para eles, a inexistência de mobilização trabalhadora nesse sentido só foi possível devido ao controle, pela burocracia, do movimento operário e sindical, e à manipulação das massas pelo estadista, com a veiculação da ideologia de um estado benevolente. Mesmo na interpretação de Weffort, que aponta uma relação de ambiguidade na manipulação, os setores populares ainda se encontram em situação de fraqueza e passividade, meros objetos de manobra do Estado, desviados de uma ação consciente. O problema está em determinar qual era a ação consciente, pois preestabelecendo uma ação, esperando que ela aconteça, não será possível observar a ação consciente de fato acontecendo, pois dificilmente as experiências humanas no tempo respeitam previsões. E ainda refletindo sobre manipulação, pode-se pensar que ela, pelo menos na formulação maquiavélica que foi construída, não seria possível existir. As pessoas não possuem a cabeça vazia à espera de uma ideologia para ser colocada ali dentro. Pelo menos culturalmente, as pessoas expressam suas vontades. Uma ideologia não pode ser imposta, como proposto por essas gerações de pensadores, pois para que seja minimamente aceita ela deve, pelo menos, ter algumas ligações com a cultura dos indivíduos.

Seguindo essas idéias de que os indivíduos não são manipuláveis, em meados dos anos 1980, alguns historiadores brasileiros buscaram compreender o populismo sob a perspectiva da História Cultural. A História Cultural procura estudar seus temas sob os conceitos de cultura, tradição, disseminação de idéias na sociedade, apreensão e resistência a essas idéias. Jorge Ferreira indica E. P. Thompson como principal influência metodológica no Brasil em diversos estudos atuais. Ele aponta que a concepção de classe social do autor inglês “é incompatível com a noção de populismo e de suas inevitáveis consequências, como manipulação das massas, mistificação ideológica e consciências desviadas de seus interesses ‘reais’”. Assim, Ferreira faz uma pequena análise do populismo sob a perspectiva de Thompson. Em sua análise ele desmancha a concepção de classes manipuladas, admite que o projeto trabalhista sofresse intervenção do Estado, mas pondera que, apesar da contribuição do Estado, os trabalhadores não foram manipulados. O que ocorreu foi a identificação de interesses entre as partes.10 Colocando a classe trabalhadora sobre esse enfoque, o autor os retira da condição de objeto de regulamentação, para participante de seu projeto. Afirma, portanto, que o projeto trabalhista não foi desviado, muito menos imposto, desconstruindo a categoria populismo.

Por fim, pontuo a necessidade, não apenas acadêmica, de se refletir sobre o que é o populismo. Em nosso cotidiano, utilizamos esse termo em diversas ocasiões. Atribuímos a ele a manutenção das mazelas de nosso país. Pessoas instruídas acreditam que os políticos ludibriam as massas, que essas os mantêm no poder e por conseqüência as desigualdades. Mas estarão sendo manipuladas, ou reivindicando suas necessidades dentro do aparato social e cultural em que estão inseridas? E os intelectuais, que estão longe da manipulação, seus projetos individuais, suas ações na sociedade, como manifestam suas vontades, e como elas contribuem para solução dos problemas do país? Refletindo sobre o populismo, o penso como uma expressão que procura identificar culpados, ou ainda um mito do mal nacional, uma expressão utilizada com tanta demagogia, quanto a sua prática, se ela realmente existisse como idealizada.

27 de maio de 2009

VOTO EM LISTA FECHADA: PENSE


Antes que você possa ser a favor do voto em lista fechada, a ser elaborada pelos partidos, e defender a proposta de reforma eleitoral que está em pauta no Congresso Nacional, responda para você mesmo estas perguntas:
  1. Você acredita que algum político que esteja no exercício de mandato vai propor algum projeto de reforma eleitoral que crie a remota possibilidade de não se reeleger?;
  2. Você viu algum deputado, senador, sinistro, funcionários de alto escalão renunciar ao mandato ou cargo por não suportar o convívio em meio à corrupção e fraudes que nos escandalizam a cada semana?;
  3. Você acredita que o coeficiente de corruptos e corruptores no Congresso Nacional e nas Assembléias Legislativas é o mesmo que existe dentro de sua família?;
  4. Você acha que, em caso de necessidade, contrataria algum político conhecido para administrar seu patrimônio pessoal, com plenos poderes de gestão?;
  5. Você acredita na democracia interna de algum partido político ou imagina que eles sejam controlados por caciques que determinam tudo internamente, distribuindo cargos e funções?;
  6. Você se sente mais seguro sabendo que os dirigentes partidários passarão a elaborar as listas de parlamentares e o eleitor vai apenas determinar o percentual de cargos que compete a cada partido?
  7. Você tem certeza absoluta que a proposta de reforma eleitoral e política que está em pauta tem o objetivo de tornar mais representativo o nosso sistema político?
  8. VOCÊ CONFIA NA JUSTIÇA BRASILEIRA, depois de ver os resultados dos julgamentos de Collor e dos demais envolvidos em escândalos políticos nos últimos 20 anos?
  9. Você acha que o Governo está realmente preocupado com você? Quantas pessoas que lerão essas questões recebem bolsa-família? Você acha que os beneficiários das esmolas do Governo se preocupam com as questões aqui colocadas?
  10. Você acha que a Constituição Federal é cumprida na integridade? Ou será que é cumprida na parte que interessa aos detentores do poder, esquecida quando contraria interesses poderosos e interpretada segundo as necessidades casuísticas de cada Governo?
  11. Você tem condições de pagar mais impostos a cada ano para sustentar as políticas populistas internas do Governo e o subsídio brasileiro a todo governo demagógico da América Latina?
  12. Você tem condições financeiras de arcar com sua segurança pessoal, sua seguridade social, sua educação e de seus filhos ou prefere deixar esses assuntos aos cuidados e à competência do Governo?
  13. Hoje, com os governos municipais, estaduais e federal que estão aí, você se sentiria atraído a colaborar com o Estado sem nenhum retorno financeiro?
  14. Você acha que nossas relações com o Paraguai, Venezuela, Coréia do Norte trarão benefício para você ou para a coletividade? Ou melhor, acha que essas relações vão diminuir o contrabando de armas, de carros roubados, de drogas, e favorecer o desarmamento nuclear?
  15. Você acha que Hugo Chàvez vai aceitar o capital brasileiro em seus domínios depois que o PT sair do Governo?
  16. Você entendeu que a reforma política que estão nos propondo é o mesmo tipo de golpe que permite a manutenção eterna do governo bolivariano?
  17. Sabe que, caso você não se mobilize e não alerte as pessoas de suas relações para o risco que estamos correndo, vamos eternizar no poder as corjas que têm assento em cada parlamento corrupto em nosso paraíso tupiniquim?
  18. Qual foi sua última atitude para fazer o Brasil melhor que ele se encontra agora?

19 de maio de 2009

Congresso Novo!

No Brasil, qualquer parlamento é como uma superprodução de Holywood: 98% de figurantes, um bonitão, uma boazuda e alguns bandidos.

15 de maio de 2009

A conspiração da Reforma Política



Tente fazer uma lista de deputados e senadores que mereçam continuar no Congresso. Se passar a Reforma Política, eles mesmo farão a lista!

Assim será, se passar no Congresso a reforma Política: eles vão fazer as listas, nós só escolhemos o partido! Quem vai querer isso?

Calcule a maravilha que será nossa democracia se os líderes políticos passarem a elaborar as listas eleitorais a seu bel prazer... A "coisa" está prestes a ser votada... e a Imprensa mal dá pelo abacaxi que vamos engolir sem descascar!

O risco para seu, meu e nosso direito de escolher parlamentares se chama hoje Reforma Eleitoral: vem aí o voto em listas, você quer? Pois estão prestes a transformar nossa pífia democracia em circo de lona esfarrapada. O nome da feitiçaria é Reforma Eleitoral. Leia a respeito.

O que você já leu sobre a Reforma Eleitoral? Tá sabendo das ameças que pairam sobre nós? Informe-se ou deixe pra lamentar depois.

Você foi consultado? Pois não será. E não escolherá mais seu representantes - escolherá listas partidárias. Reforma política: Projeto de Lei 1210/2007 http://tinyurl.com/qffcxc Apreciação do Plenário Regime de Tramitação: Urgência art. 155 RICD

Projeto de Lei 1210/2007: Dispõe sobre (...), o voto de legenda em listas partidárias(...) o financiamento de campanha ..

14 de maio de 2009

Reforma político eleitoral


Alguém acredita que algum congressista brasileiro apresente um projeto de Reforma Eleitoral que dificulte sua reeleição?

Temos o melhor sistema político jamais concebido: o povo e os congressistas são desonestos na mesmíssima proporção. Mudar pra quê?

Alguém em sã consciência poria a mão no fogo por algum deputado ou senador? Esse é o custo da democracia? Temos que inventar algo melhor.

As pessoas vão se lixar pra reforma eleitoral, como de hábito. Depois as carpideiras virão à cena.

Eleição por lista fechada; os partidos montam a lista e o eleitor escolhe um partido. Topa? Eu não... Mas essa é a reforma pretendida.

Vejam as tristes figuras que aparecem nos programas de TV dos partidos. Eles que aparecerão nas listas eleitorais depois da tal reforma!...

Será que algum partido pode apresentar uma lista que não contenha pelo menos metade de corruptos? A reforma eleitoral vem aí, cuidado!

Reforma eleitoral

  1. Sabe aquele deputado em quem ninguém mais votaria? Pode voltar ao Congresso se for incluído nas listas, segundo a Reforma proposta. Topas?
  2. Dizem que ao votarmos em listas estaremos escolhendo ideias e propostas. Que partido tem que idéia mesmo? Qual a proposta de cada um? Topas?
  3. E aqueles 40 arrolados em processo do STF, com Zé Dirceu e Delúbio, vão entrar em que lista na Reforma Eleitoral?
  4. Um grande reformista: HUGOTXAVES, quem é o maior amigo dele no Brasil? Qual será o tipo e o objetivo da reforma eleitoral pretendida aqui?


Reforma política


Você fica feliz deixando os donos dos partidos elaborarem as listas de deputados? Em caso afirmativo se lixe pra reforma política que vem aí.

Donos de castelo, lixadores, mensaleiros, anões do orçamento... Calma, pode piorar: aguarde a reforma política.

Agora querem mudar o sistema eleitoral: perceberam que ele é excessivamente representativo - povo corrupto, representantes idem.

O Congresso Nacional é como uma superprodução de Hollywood: 98% de figurantes, uma boazuda, um bonitão e alguns bandidos.

Sabe quantas pessoas vão decidir qual será o sistema eleitoral a ser adotado no Brasil? Menos gente que na festa de seu aniversário.

Já ouviu falar da reforma eleitoral? Não tenha pressa, haverá todo tempo do mundo pra você lamentar quando Inês estiver morta.

Imaginem se tivermos que votar em partidos e eles montarem as listas de deputados... Pode haver pesadelo pior? PT, PSDB, PDT, PQP...

Você sabe como será a reforma eleitoral ou está se lixando? Serão eleitos deputados que vão se lixar pra você também. Muito coerentes.

O Lula falou o número de picaretas que havia no Congresso. Será que ele já contou os do Palácio do Planalto?


Frases de efeito


  • Sabe o que há de melhor nas frases de efeito? Elas não produzem nenhum efeito.

  • Não creio que eu esteja no centro de qualquer coisa: o centro é pouco espaço para mim.

  • O mito de nossa passividade se tornou cultura da inércia!

  • Minha crise existencial agora é saber se quem posta aqui é meu ego, meu id ou meu fake.

  • Faço muitas coisas diferentes, o que pode ser uma maneira delicada de dizer que não faço nada, ou que nada do que faço presta.

  • Páscoa é a temporada de caça aos leporídeos em plena desova!

  • Corte epistemológico é o golpe que se dá no nó górgio do conhecimento.

  • Cultura é o entretenimento da classe média, se for de pobre chama-se folclore, de rico é hedonismo!

  • Vou abrir um brechó pra vender frases feitas, quanto mais usadas elas são, mais apreciadas!

  • Políticos sabem exatamente o que significa fazer a diferença: subtrair!

  • O Brasil não é a Terra do Nunca nem o País das Maravilhas, mas o Nordeste continua sendo a Região do Nunca Maravilha!