"Cada um é responsável por todos. Cada um é o único responsável. Cada um é o único responsável por todos."
[ Antoine de Saint-Exupéry ]
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| Hoje é dia de realimentar a roda da corrupção. |
Bom para dia de eleição, né? Pense nisso antes de digitar aqueles malditos números que você escolheu. Não sei qual foi sua escolhe nem qual terá sido a motivação dela, mas sei de uma coisa: vai dar errado.
Quem quer que seja votado, qualquer que seja o eleito, não vai dar certo. Não se trata de uma escolha viciosa entre pessoas viciadas, não é somente isso, embora esta seja uma parte do problema. Trata-se do erro de nutrir um sistema que não tem nada para dar certo. Trata-se de dar novo alento ao processo de administração pública que vem sendo tentado e tentado e comprovadamente não funciona.
O sistema é corrupto. Se você eleger hoje um santo - e pode até haver um ou outro, desavisado, entre os candidatos - ele vai ser corrompido pelo sistema. O sistema é corrupto - corrompedor e corrompido. O sistema foi corrompido pela infindável série de calhordas que o representaram ao longo das décadas, mas sobretudo o sistema está prontinho para corromper qualquer eventual bem intencionado que se apresente.
Não vou participar disso hoje e não vou participar mais - enquanto for assim - e não há qualquer indício de que possa vir a ser diferente.
Alternativas? Sim, há muitas - basta que queiramos quebrar a cadeia de corrupção vigente. Basta desejarmos, de início, romper o ciclo viciado de corrupção institucional e social - todavia, não há qualquer indício de que se deseje isso.
Hoje será mais um dia de mais do mesmo. Alternância dos ratos sobre o queijo das municipalidades. Cairão alguns ratos magros, serão alçados alguns ratos gordos... Os ratos magros terão que se contentar com os espaços que lhes forem deixados pelos ratos gordos remanescentes. Tem sido assim há décadas, séculos - e não há nenhum motivo para ser diferente.
E cada eleitor é responsável por todos os eleitos (votando neles ou em outros). Cada um é o único responsável por tudo de nefasto que há na administração pública. Cada eleitor é responsável por todos os calhordas que gerem o Estado.