24 de outubro de 2012

Duas cacetadas, de graça pra você

Antigamente, as pessoas procuravam trabalho ou emprego - como forma de construção da dignidade humana (belas palavras!). Atualmente, só se procura e se oferece "oportunidade". Penso que seria hora de nosso nosso governo, cioso das mudanças de nome que parecem refletir alguma modernidade, trocar o nome do Ministério do Trabalho e do Emprego.
Ficaria mais "muderno" se tivéssemos um Ministério da Oportunidade. Facilitaria sempre encontrar entre os quadros da quadrilha que tomou o Estado alguém apto a assumir a pasta, pois o que não falta entre os petralhas é oportunistas.



Um garoto desses me dá alguma esperança no país. Não deixem de ouvir, está tudo MUITO claro. O moleque simplesmente pegou os caras no pulo. Essa nem o paedeuta tem como negar: áudio e vídeo. Parabéns, menino. O Brasil te deve essa!

8 de outubro de 2012

Política, trocados e miúdos

Antigamente dizia-se que era impossível saber o que estava na barriga da mulher, na urna lacrada e na cabeça do juiz. Pro primeiro caso, hoje existe ultrassom, pro segundo há o IBOPE, pro Lewvndwsksn temos a coprocultura. Não há mais mistérios.

Está tudo enrolado demais na política.
Em minha primeira fila como eleitor eu vi, vi com esses olhos que, se aterra não comer vão para um vidro de formol, eu juro que vi um candidato a prefeito comprando votos, tirando eleitores da fila e pagando a dinheiro. Tinha um bolo de cédulas, das quais ele ia destacando algumas - cena de coronel da ficção. Foi eleito e governou Ouro Preto - mais de uma vez. Ninguém me contou não, eu estava lá.

Uma vez eu dei um giro e fui a todas - ou quase todas - as convenções partidárias onde se escolhiam candidatos a governador (dentre outros) - em determinado partido, vi os delegados adiando votar para valorizar o voto. Já era tarde, faltava pouco, o preço andava pelas alturas de um carrão importado. falava-se nisso abertamente no ambiente - era explícita a negociata. Eu vi e ouvi. O comprador que tinha mais grana comprou os convencionais e governou Minas Gerais - por mais de uma vez.

Política, atacado e varejo

Quase 30% do eleitorado paulistano absolve a quadrilha mensaleira. A maior cidade do país e a patuleia não consegue identificar uma patente relação de cumplicidade - ou não consegue, ou não dá a mínima pra ela. Essa é a famosa voz do povo? Cale-se esse deus mambembe. Malufistas e petralhas são a escória nacional. Com o beneplácito de quase um terço dos paulistanos.

Há três ou quatro municípios relevantes no Brasil, uma ou duas dúzias de outros de que a gente lembra da existência - e milhares de administrações pedintes. Elegeram-se esmoleres. O melhor pedinte ganha mais moedinhas no chapéu. A federação de três graus é um monte de farrapos mal costurados para fazer uma colcha que ganha uma franja em Brasília.

A roda do circo chamado democracia girou novamente.
Os vereadores são a galera da geral, aplaudindo as migalhas que surrupiam dos vinténs caraminguados no cofre da municipalidade e escolhendo nomes de ruas. Os edis-curules são gerentes de contas engessadas, orçamentos vinculados e premidos por tribunais.
Sobra pouco espaço para qualquer sucesso aos que se elegem hoje. Chamam essa barafunda de democracia e dizem que é muito bom... Estou duvidando.

Ontem um dia de muito júbilo para mim, uma alegria enorme saber de cada derrota nas urnas. Cada idiota que tiver se endividado, vendido as joias da mulher, penhorado as cuecas mensaleiras para levar ferro será motivo de alegria. Pena que não perdem todos, alguns desinfelizes serão eleitos - mas eu tentarei suportar esse desgosto estoicamente.
Mas o momento é de alegria! A maioria, a enorme maioria dos energúmenos perdeu as eleições. Pelo menos esse mérito tem essa trapalhada que chamam de democracia: a maioria que quer o filé perde. A maioria que distribui o filé, se ferra. Estão dizendo que isso é bom. Eu quero é que se estrepem, se estão felizes com essa sandice.

O drama do homem será nosso drama


"O drama do homem é o de ser limitado nos meios e infinito nos desejos; assim, não pode ser plenamente feliz."
[ Duque de La Rochefoucauld ]
Por quanto tempo ainda poderemos
fazer piadas?
Tenho plena certeza de que ele escreveu isso para o Lula.

Agora, meus senhores e minhas senhoras, com os revezes das urnas, preparem-se para o contragolpe petralha: vem aí um monte de cerceamentos à liberdade de imprensa, gente vai sumir, dinheiros vão mudar de mãos subrepticiamente, pressões dos sindicatos e greves, sem terras, sem casas, sem caráter e sem vergonhas na cara serão mobilizados - o Leviatã sindical-socialista vai soltar fogo pelas ventas e escoicear com seus cascos de bode - preparando-se para o confronto de 2014: eles sabem que não podem perder o osso nem as garantias que o controle das polícias e agências de segurança lhes dão. Se perdem isso, vão em cana.
O discurso das urnas foi veemente: não adianta falar que não, ninguém é perene em governo nenhum, sob sistema nenhum, nenhum grupo vai ser eterno. Um dia, a casa cai - quem não tiver capacete, leva na testa. Faz parte dessa pilhéria que chamam democracia que isso tenha ciclos constantes - mas os petralhas não estão preparados para isso, vão rosnar, mugir, bufar e oprimir! Preparem-se.

7 de outubro de 2012

Cada um é responsável por todos

"Cada um é responsável por todos. Cada um é o único responsável. Cada um é o único responsável por todos."
[ Antoine de Saint-Exupéry ]
Hoje é dia de realimentar a roda da corrupção.
Bom para dia de eleição, né? Pense nisso antes de digitar aqueles malditos números que você escolheu. Não sei qual foi sua escolhe nem qual terá sido a motivação dela, mas sei de uma coisa: vai dar errado.
Quem quer que seja votado, qualquer que seja o eleito, não vai dar certo. Não se trata de uma escolha viciosa entre pessoas viciadas, não é somente isso, embora esta seja uma parte do problema. Trata-se do erro de nutrir um sistema que não tem nada para dar certo. Trata-se de dar novo alento ao processo de administração pública que vem sendo tentado e tentado e comprovadamente não funciona.
O sistema é corrupto. Se você eleger hoje um santo - e pode até haver um ou outro, desavisado, entre os candidatos - ele vai ser corrompido pelo sistema. O sistema é corrupto - corrompedor e corrompido. O sistema foi corrompido pela infindável série de calhordas que o representaram ao longo das décadas, mas sobretudo o sistema está prontinho para corromper qualquer eventual bem intencionado que se apresente.
Não vou participar disso hoje e não vou participar mais - enquanto for assim - e não há qualquer indício de que possa vir a ser diferente.
Alternativas? Sim, há muitas - basta que queiramos quebrar a cadeia de corrupção vigente. Basta desejarmos, de início, romper o ciclo viciado de corrupção institucional e social - todavia, não há qualquer indício de que se deseje isso.
Hoje será mais um dia de mais do mesmo. Alternância dos ratos sobre o queijo das municipalidades. Cairão alguns ratos magros, serão alçados alguns ratos gordos... Os ratos magros terão que se contentar com os espaços que lhes forem deixados pelos ratos gordos remanescentes. Tem sido assim há décadas, séculos - e não há nenhum motivo para ser diferente.
E cada eleitor é responsável por todos os eleitos (votando neles ou em outros). Cada um é o único responsável por tudo de nefasto que há na administração pública. Cada eleitor é responsável por todos os calhordas que gerem o Estado.