Digressões
Se houvesse uma pílula para "transformar" héteros
em homossexuais, duvido muito que alguém tomasse. Se houvesse tal pílula (ou gotinhas),
poderia haver o que chamam “opção sexual”, pela decisão de domar a pílula, ou
jogá-la no lixo.
Se houvesse uma pílula para "transformar" homossexuais
em héteros, duvido muito que alguém tomasse – por livre exercício de vontade.
Se houvesse tal pílula, poderia haver o que chamam “opção sexual”, ou o que
seria a “cura gay” – na consideração absurda de que ser gay seja doença.
Não se tem notícia de ninguém que procure por tais pílulas
nas farmácias, assim como não tenho notícia de ninguém pesquisando tal
medicamento. Todavia, eu sou favorável a pesquisas para desenvolver tais drogas
e a que, cumpridos os protocolos de praxe, elas fossem disponibilizadas nas
farmácias.
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| Viadil: em gotas o drágeas - Cura gays em até três dias. |
Mas talvez fosse diferente se ambas as drogas estivessem disponíveis!
É bem possível que alguém tomasse uma ou outra, eventualmente, tranquilizado pela
possibilidade de reversão! Isso sim, seria opção – pois a liberdade perfeita de
opção é aquela que permite a experiência inclusive por sua eventual reversão!
Inclusive, havendo tais drogas, não seria ótimo se as
pessoas pudessem resolver, por exemplo, serem gays por uma semana ou um mês,
depois resolverem reverter o processo? Ou o inverso disso, poderia ser bacana
para alguém ser hétero durante uma quadra de dias, só para saber como é, ou
para satisfazer os desejos de paternidade…
Mas desconheço demanda por tais medicamentos. Desconheço
pesquisa no sentido. Duvido muito que haja.
Também desconheço “tratamentos” psicológicos (ou pílulas) que
transformem assassinos, corruptos, mentirosos, tabagistas, alcoólatras, anêmicos,
ou quaisquer outras condições, sejam elas patologias ou características
inerentes às pessoas, em algo contrário ao original – seja lá isso possível, ou
não. Conversas de divã, em tese, podem ajudar as pessoas a contornar ou
suportar as situações; quanto a reverter a personalidade ou a patologia, não
tenho notícia se alguém tem o devaneio de o prometer. Assim como as conversas
de divã, não temos notícia de medicamento que transforme portadores de
patologias sociais em santos. O próprio temo “patologia social” é um tropo da
classe das metáforas e metonímias. – e não vai um milímetro além disso.
Entretanto, seria inegavelmente útil se uma pílula curasse o
tabagismo ou o alcoolismo. Seria excelente se um assassino serial nunca mais
tivesse ímpetos de matar depois de determinado tratamento. Se, eventualmente se
– e não mais que se – tal fosse possível, talvez chegássemos a tais drogas
milagrosas pelas pesquisas daquelas que permitissem a “opção sexual” (este mês
eu quero ser gay, mês que vem eu volto a ser hétero!).
Minha tese é que qualquer investigação pode ter proveito. O
que não exime qualquer pesquisa dos crivos éticos necessários, do consentimento
livre e informado de quem participar dela, do rigor da proposta e dos métodos
invocados. Que se pesquise o que bem se intender – como parte dos exercícios de
liberdade que nossa sociedade assumiu como valores inegociáveis. Que se limitem
as pesquisas segundo os males que elas possam causar às pessoas pesquisadas, ou
à sociedade.
Afinal, havendo a droga que curasse o homicida ou o tabagista, também estaria aberta a possibilidade de transformar alguém em assassino ou fumante! Será que valeria a pena fazer tais pesquisas? Se não podemos pesquisar, por enquanto podemos digressionar... enquanto nos for dado!
Afinal, havendo a droga que curasse o homicida ou o tabagista, também estaria aberta a possibilidade de transformar alguém em assassino ou fumante! Será que valeria a pena fazer tais pesquisas? Se não podemos pesquisar, por enquanto podemos digressionar... enquanto nos for dado!
