23 de julho de 2011

Pontos de vista sobre o governo de dona Dilma

  1. Do ponto de vista fático, o governo de Dona Dilma é inexistente.
  2. Do ponto de vista fotográfico, o governo de dona Dilma é um filme queimado.
  3. Do ponto de vista literário, o governo de dona Dilma é uma página em branco.
  4. Do ponto de vista musical, o governo de dona Dilma é uma distonia desarmônica desafinada.
  5. Do ponto de vista enofílico, o governo de dona Dilma está buchonada.
  6. Do ponto de vista culinário, o governo de dona Dilma é uma maionese desandada.
  7. Do ponto de vista atômico, o governo de dona Dilma é espaço inter-orbital.
  8. Do ponto de vista energético, o governo de dona Dilma é um apagão secular.
  9. Do ponto de vista do Pelé, o governo de dona Dilma é uma bola murcha.
  10. Do ponto de vista do Dr House, o governo de dona Dilma é uma síndrome paraneoplástica.
  11. Do ponto de vista binário, o governo de dona Dilma é ZERO.
  12. Do ponto de vista cinematográfico, o governo de dona Dilma é o cocô do cavalo do bandido.
  13. Do ponto de vista do Twitter, o governo de dona Dilma é #fail
  14. Do ponto de vista revolucionário, o governo de dona Dilma é defecção.
  15. Do ponto de viste leninista, o governo de dona Dilma é pequeno-burguês.
  16. Do ponto de vista marxista, o governo de dona Dilma é historicismo.
  17. Do ponto de vista existencialista, o governo de dona Dilma é o nada.
  18. Do ponto de vista fescenino, o governo de dona Dilma é uma foda empatada.
  19. Do ponto de vista escatológico, o governo de dona Dilma é uma merda.
  20. Do ponto de vista geológico, o governo de dona Dilma é uma fossa abissal.
  21. Do ponto de vista teológico, o governo de dona Dilma é a anemocria do báratro.
  22. Do ponto de vista dos gases, o governo de dona Dilma é nobre (não combina MESMO).
  23. Do ponto de vista citológico, o governo de dona Dilma é um vacúolo.
  24. Do ponto de vista penal, dona Dilma deveria ser condenada a NÃO prestar serviços à comunidade.
  25. Do ponto de vista filosófico, o governo de dona Dilma é acatalepsia.
  26. Do ponto de vista cultural, o governo de dona Dilma é burro.
  27. Do ponto de vista moral, o governo de dona Dilma é pecado.
  28. Do ponto de vista indígena, o governo de dona Dilma é tapera.
  29. Do ponto de vista arquitetônico, o governo de dona Dilma é uma ruína.
  30. Do ponto de vista histórico, o governo de dona Dilma é anacrônico.
  31. Do ponto de vista obstétrico, o governo de dona Dilma é ectópico.
  32. Do ponto de vista urológico, o governo de dona Dilma é uma disfunção erétil.
  33. Do ponto de vista prisional, o governo de dona Dilma é uma evasão frustrada.
  34. Do ponto de vista nomotético, o governo de dona Dilma é um projeto inadmissível.
  35. Do ponto de vista social, o governo de dona Dilma é um vício extirpável.
  36. Do ponto de vista bancário, o governo de dona Dilma é um cheque pré-datado apócrifo.
  37. Do ponto de vista do dicionário, o governo de dona Dilma é uma errata.
  38. Do ponto de vista da mídia, o governo de dona Dilma é um bunda-lelê.
  39. Do ponto de vista gráfico, o governo de dona Dilma é um empastelamento.

Leia no blog Keimelion - revisão de textos: Como revisar um artigo? - Pequenos problemas de digitação - Submissão de artigo científico

22 de julho de 2011

Sobre a construção do museu

por André Legos
Museólogo em formação / UFOP
A construção da ideia de museu é ocidental e, como várias outras instituições ocidentais, por vezes percebidas como inatas ao ocidente, é atrelada ao que é considerado o germe desta sociedade e de todas suas instituições, a antiguidade clássica. O museu, inclusive etimologicamente, teria sua origem no templo das musas, Museion, o local dedicado às nove musas e ao culto e desenvolvimento das artes. Mas, ao se aproximar o museu moderno ao Museion, as semelhanças que podem ser levantadas são rasas e não dariam conta de atender as ações específicas do museu. Mas esse mito de origem do museu não pode ser descartado, pois ele ainda está ligado à ideia que deveria ser construída sobre essa instituição.

O início da construção do museu pode ser posicionado nos séculos XV e XVI, período que trás consigo uma idealização da antiguidade e a extensão do mundo conhecido. O conhecimento europeu posto a prova diante de uma realidade até então desconhecida necessita de elementos de comprovação e de análise; para tanto, demandou-se um espaço específico que permitisse a guarda de objetos que documentassem o mundo desconhecido. Um lugar que cultuasse o conhecimento, para os pensadores interessados em compreender a realidade e para os soberanos interessados nas realidades que pretendiam modificar. Temos aqui a construção de uma instituição que desenvolve ideias construídas por rum grupo a partir de objetos, mas essas ideias ainda estão restritas ao grupo que o produz. O museu, como o concebemos, museu público, aparecerá apenas no século XIX, no contexto de revoluções burguesas e de construções nacionalistas, busca-se tornar público aquilo que era então privado, busca-se construir a unidade de uma nação apropriando-se de discursos do passado e ressignificando-os aos ideais vigentes. O museu é utilizado como espaço de formação do cidadão, é onde ele pode aprender principalmente como se portar e apreender os valores que regem a sua nação e que o torna parte dela.
Impõe-se discutir nesse momento como podem ser construídas ideias a partir de objetos. Primeiramente, tomemos que os objetos de museu são uma categoria de objetos, os artefatos. Artefatos são produções materiais humanas que são estabelecidos a partir das relações dos homens com o com o mundo físico e dos homens entre si. Assim, podemos pensar o artefato em duas dimensões: a morfológica e, por oposição, a semântica. A morfologia dos artefatos está diretamente ligada à expressão corporal, ou seja, artefatos são potencializadores da atividade do corpo, servem para execução de trabalho. Tais atividade se estabelecem nas relações humanas e, portanto, são dotadas de significado, assim os artefatos são diretamente ligados não só a execução do trabalho mas ao sentido dado a ele. “Uma faca, por exemplo, é um objeto reconhecido, de modo recorrente, como algo concebido, inicialmente, para perfurar e cortar materiais moles, ainda que possa ganhar, ao longo do tempo, aspectos cerimoniais ou religiosos” (BITTENCOURT, 2009).
Essas duas dimensões dos artefatos estão entrelaçadas, a expressão corporal do artefato também esta relacionada ao conjunto de códigos estabelecidos pelo corpo e condicionado pelas práticas culturais. Assim, a matéria que os constitui está impregnada de sentido, o que os torna um meio para comunicação entre os homens. O que vemos é que os artefatos podem ser lidos, e informações construídas a partir deles. Essa construção humana que dá conteúdo semântico aos artefatos é que os tornam passiveis de musealização, ou seja, os artefatos possuem valor documental; partindo das informações atribuídas a eles é possível indicar um contexto que não se encontra de fato presente, são dotados de musealidade. Nesse sentido a construção de um museu se dá a partir da musealidade inerentes aos artefatos.
Mas não basta o artefato por si para que a informação seja construída. A inserção do artefato no museu é um processo valorativo, mais que levantar informações sobre ele, as informações serão sempre referentes a um contexto específico, a um ideário determinado. Ocorre que esse processo tem por fim a comunicação de tais ideias de tal contexto. Essa comunicação é feita principalmente por meio da exposição, temos aqui um espaço construído para veicular ideias. Dessa maneira, o espaço do museu é um espaço real, que constrói, a partir de fragmentos materiais tirados do cotidiano, uma realidade, um contexto reconhecível, mas devidamente organizado em perspectiva específica. É um espaço de reconstrução da realidade. “O Museu atuou e, de muitos modos, ainda atua (e não apenas conceitualmente), como um microcosmo do mundo, um espaço sagrado universal, no qual o Homem pode redescobrir e reconstituir seu eu fragmentado” (HOOPER-GREENHILL, 1990).
O que se percebe com todas essas questões ligadas à constituição da instituição museu é que ela está intimamente ligada aos ideais do homem e sua perspectiva sobre a realidade ou como ela deve ser construída, o museu não é apenas uma ferramenta desinteressada a favor das artes e conhecimento. Dessa maneira, pode-se concluir que o museu trabalha com ideias, não com objetos, constituído de valor intrínseco, que cultua a sabedoria humana. Isto não significa que os objetos são dispensáveis, pois a veiculação de tais ideias necessita base material. As ideias são expressas, ou impressas, nos objetos no início do processo valorativo, e são articuladas no espaço por meio deles. O museu, visto sob esta perspectiva, permite uma ação mais consciente por parte dos profissionais que atuam nessa área, pois é importante perceber que ideias estão a favor ou contra algo ou alguém, portanto existe uma responsabilidade do museus e seus profissionais com relação a reprodução das ideias e da construção e modificação da realidade.
Referências
BITTENCOURT, José Neves. As coisas dentro da coisa. In: AZEVEDO, Flávia Lemos Mota de et al. Cidadania, memória e patrimônio: As dimensões do museu no cenário atual. Belo Horizonte: Crisálida, 2009. 17-31.
HOOPER-GREENHILL, Eilean. O espaço do museu. In: The Australian Journal of Media & Culture. vol. 3, nº. 1, 1990.

Leia também no blog Keimelion - revisão de textos:  Revisando seus textos - Como escrever bem - Erros comuns - Plágio e fraude acadêmica

12 de julho de 2011

Projeto Agávia Azul

Casal de agávias azuis em voo.
Como a maioria sabe, a Agávia Azul (Cyanopsitta tequilana) é uma ave da família dos psitacídeos originária do México (onde está praticamente extinta) e que migrou para o Recôncavo Baiano e busca de habitat seguro. Originária do deserto de Chihuahua, a ave vinha sendo capturada há décadas pelo seu valor econômico, como insumo na fabricação de tequila, em cuja fermentação seu fígado e outras glândulas são importante elemento catalisador, assim como as penas – que, queimadas na destilação, agregam delicado aroma ao produto.
O fenômeno da arribação da agávia, sem par na história ornitológica recente, precisa ser mais conhecido para que aqui a ave encontre a proteção que na origem lhe faltou. Ambientada onde a pita abunda essa ave tem uma convivência quase simbiótica com aquela planta e suas variedades; a pita (Furcraea foetida) proporciona fibras para a nidificação da agávia e tanino para combater dermatoses que acometem, assim como previne a ressaca depois de intensas libações.
Pita nativa no Recôncavo.
Outro componente necessário no habitat da agávia azul, que foi bem provido no Recôncavo, são depósitos de sal, cuja presença na dieta da ave é muito importante, assim como de répteis e outros integrantes da fauna salobra que integram o cardápio da ave.
Nesse contexto, em que o ambiente acolhedor e propício do Recôncavo se tornou o porto seguro da agávia, são três os riscos a que aquele habitat está sujeito, todos decorrentes da ganância dos indivíduos e da sociedade. O primeiro fator que tende a comprometer o novo habitat é o projeto da Ferrovia Norte-Sul que está na iminência de cortar em duas a área em que agora a agávia azul está se reproduzindo e em vias de alcançar uma população com massa crítica estável. O transtorno ambiental das obras, no primeiro momento, e dos os ruídos do deslocamento das composições acarretarão um nível de estresse nas aves cujas consequências não se podem prever, mas certamente implicarão em redução da fertilidade. Depois, o braço Sul da Transposição do São Francisco irrigará grande parte das áreas em que atualmente a pita abunda, propiciado a troca da cobertura natural por lavouras de uvas e tâmaras, quem podem vir a impactar por dois motivos, primeiro pela redução de fibras e tanino, depois pela mudança que as próprias frutas venham a introduzir no cardápio das aves e do consequente combate que os agricultores derem a elas pelos ataques às lavouras. Por fim, e mais drástico, é o uso que já se faz na região, das glândulas da ave para extrair as enzimas da fermentação de álcool de mandioca para a produção de um simulacro de tequila – e a agávia azul passa a encontrar aqui o mesmo predador que teve a origem: o homem e sua sede de bebidas destiladas.
Existe atualmente uma única ONG atenta para o problema, a Blue Peace, que ainda está em fase de arrecadação de recursos para empreender projetos de preservação e atuar junto aos parlamentos no sentido de sensibilizar os governos para a preservação dessa ave exógena que buscou socorro em nossa Terra Brasilis, segura de que aqui não falta abrigo para aqueles que arribaram por não termais segurança em outros portos. Procure um posto de arrecadação e colabore, antes que seja tarde, na preservação da Agávia Azul, e que em nosso céu haja sempre espaço para a diversidade.