23 de maio de 2012

Bordoadas - uma aqui, outra ali

Se precisar, vamos ter que sair no braço.
Os mais presunçosos dentre os lulopetistas imaginam que se esteja dizendo que estamos às portas de uma crise por ingerência de dona Dilma. Como se ela tivesse poder, capacidade, de ser causa de um evento tão cataclísmico. Ela será apenas uma vítima privilegiada. Pena que não se dê conta, aquela senhora, de que poderia usar sandálias de humildade e minorar os efeitos do tsunami que será o encontro da bolha financeira do primeiro mundo com a bola de neve da arrogância política dos títeres e apedeutas sul-americanos.
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Há muitos anos greve é um evento que só ocorre no Brasil para funcionários públicos: aqueles que não correm nenhum risco com o evento. É a subversão do capitalismo e do socialismo de uma tacada só.
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Todos os pilantras estão driblando as leis que eles mesmos fizeram e fazendo propaganda para as eleições municipais. É andragogia política: ensinar a não cumprir a lei descumprindo-a.
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Pauta para a Começão da Verdade:
  • Verificar se Dilma foi mesmo torturada ou se é só propaganda enganosa.
  • Levantar quantos civis e militares foram mortos e em que circunstâncias pela quadrilha a que Dilma pertencia.
  • Verificar e divulgar a participação efetiva que ela teve nos tais crimes.
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Ninguém sabe exatamente o que é essa tal de democracia. Muita gente acha que é bom porque faz dela a ideia que lhe agrada. Eu não seio o que é, acho que nunca vi. Mas se, por acaso, for isso quer estamos tendo, não me parece que seja bom não.
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Discussões vão e voltam. Voltam em sentido contrário, o que é natural para a ação de voltar. Todos se esqueceram de que votações secretas nos parlamentos foram uma conquista difícil obtida no processo de abertura do regime de 1964. Naquela circunstância, "todos" queríamos o voto parlamentar secreto, para liberar os parlamentares do jugo "tirânico" do executivo. Agora está todo mundo querendo de novo a volta do voto aberto, iludidos para impressão de que o parlamento fique assim "controlado" pela "opinião pública". O governo que temos, centralizador e autoritário, vai adorar se o voto for todo aberto. A "base" vai ficar completamente sob seu controle. Sístoles e diástoles, diria o Golbery. Na prática, equacionando e observando, funciona assim: voto aberto interessa mais a regimes autoritários, voto secreto interessa mais a regimes abertos. O voto aberto pode ser controlado - raramente pelo eleitor, o voto secreto emana da consciência - se é que parlamentares sabem o que é isso. (Ninguém sabe bem o que são essas "coisas" que coloquei entre aspas.)

Diferentes versões para o caso Delta

O lixo da Delta certamente será reciclado.
Os parlamentares da CPMI estão com dificuldade de entender bem o que é e como funciona a Delta. O país inteiro já entendeu, em linhas gerais, que é um propinoduto - aliás, os propinodutos são o único tipo de equipamento de infraestrutura implantado no Brasil dos últimos tempos. Coligindo informações sobre essa tal ou tais de Delta, algumas versões foram levadas à Comissão Parlamentar, no sentido de colaborar com a compreensão do episódio. Aqui sintetizo algumas das conclusões, fragmentos de depoimentos e fatos obtidos das provas coligidas.

Um depoente não identificado alegou:
"Vou explicar: A Delta, quimicamente, é um substituinte localizado no quarto carbono adjacente ao grupo funcional. Basta a CPMI entender isso."
Um geógrafo consultado:
"Afirmo peremptoriamente aos senhores senadores e deputados que não existe Delta no lago Paranoá, tampouco na Baia da Guanabara, assim como na Bahia de Todos os Santos."
Paul Dirac prestou depoimento
a portas fechadas.

Convidaram então o senhor Paul Adrian Maurice Dirac para esclarecimentos e ele colocou:
"-- Senhor presidente, senhores parlamentares, para mim, Delta é a distribuição que, multiplicada por uma função e em seguida integrada, dá o valor da função no ponto zero ou mais geralmente em um ponto fixo."
O senhor Dirac usou inclusive um PowerPoint para demostrar o esquema à comissão, lá havia coisas mais ou menos assim:
  • \delta(x) = 0 \mbox{ se } x \ne 0\,
  • \delta(0) = \infty\,
  • \int_{-\infty}^{\infty} \delta(x) dx = 1\,
  • \int\delta(x-x^\prime)f(x)dx = f(x^\prime)\,
As contundentes declarações do
dr. Kroeneker foram televisionadas
ao vivo pelas TVs estatais e
reproduzidas em toda a mídia.
Os parlamentares governistas ficaram perplexos diante da clareza da demonstração e, para contrapor uma declaração tão incisiva e comprometedora quanto a do senhor Dirac, convidaram o ilustre professor Leopold Kroeneker para depor. Ele se posicionou:
"-- Para mim é muito claro, senhor Presidente, a Delta é símbolo de dois índices cujos valores são 1, se os índices forem iguais, ou zero, se forem diferentes."
Atendendo a pedidos, como o outro depoente tinha colocado a questão matematicamente, foi exibida uma imagem bem mais simples, que até os jornalistas entenderam:
  • \delta_{ij} = \left\{\begin{matrix}
1, & \mbox{se } i=j  \\
0, & \mbox{se } i \ne j \end{matrix}\right.
A imprensa logo alegou que as colocações do dr. Kroeneker criariam uma cortina de fumaça para blindar alguns governadores. Ficou assim estabelecido que o Brasil é detentor de tecnologia para blindagens baseada em resíduos de combustão incompleta em dispersão aérea - o que não tem nada a ver com Delta, da alfa a ômega.
Ao fim e ao cabo, uma investigação independente estabeleceu que a Delta, fisicamente, não passa de  um caso de partículas elementares: cada um dos elementos de um quarteto de bárions com massa aproximadamente igual a 1.238 MeV. Vai caber ao STF determinar se quarteto de bárions é formação de quadrilha; há indícios etimológicos de que, se for adotada a interpretação literal do Código Penal, a cominação seja essa.