Até poucos anos passados, índices de popularidade eram números que se referiam a políticos e personagens públicos de primeira grandeza, aquelas pessoas a quem interessava contratar caras pesquisas de opinião pública sobre a veiculação e aceitação de seus nomes, as tais celebridades – reais ou presumidas. Com o advento da internet o mundo mudou, principalmente após a introdução dos fantásticos mecanismos de pesquisa, que representam a meta-revolução da informação: não só tudo está veiculado, mas está ao alcance de qualquer internauta. Tais engenhos de pesquisa permitem, em muitos casos, constatar imediatamente a veiculação e mesmo a reverberação dos nomes pela grande rede. Basta lançar o nome pretendido nos sites de busca e temos um número mágico que representa a visibilidade da pessoa naquele instante.
Claro que o procedimento, do ponto de vista metodológico, é completamente cheio de buracos, não tem validade absoluta. Mas é uma brincadeira que se pode fazer sempre e a custo tendente a zero. Na verdade, o procedimento é mais válido como comparação entre pessoas da mesma esfera e cujos nomes sejam realmente indicativos do indivíduo, excluídas as possibilidades de homônimos e parônimos. Senão vejamos:

- Aproximadamente 154.000.000 para "barack obama".
- Aproximadamente 27.700.000 para lula.
(Pesquisa de 26 de novembro de 2008, às 8h31, hora de Brasília.)
Consideremos a enormidade da presença do presidente americano, comparada a nosso líder petista, posto o fato de que o nome do eleito do Norte é relativamente novo na mídia, mais ainda se comparado aos 20 ou 30 anos de carreira pública de Lula. Consideremos ainda que, para o nome Barak Obama, não deve haver muitas ocorrências que não se refiram ao recém-eleito, ao passo que Lula é um apelido relativamente comum, e ainda existem os moluscos cefalópodes cujo nome se confunde com o do Presidente. Para extirpar dúvidas, comparemos os nomes completos:

- Aproximadamente 4.120.000 para "Luiz Inácio Lula da Silva".
- Aproximadamente 2.310 para "barack houssein obama".
(As pesquisas estão sendo feitas ao tempo em que redijo este artigo – tudo na atualidade tem que ser em tempo real e imediatista. Refaça a pesquisa quando ler esse artigo e obterá números diferentes.)
Bastante curiosa a inversão de números ocorrida aqui, entre os presidentes. Provavelmente só pode indicar a menor ocorrência de nome completo na cultura de um que de outro.
Teste você com outras pessoas públicas, compare os governadores dos estados, compare jornalistas, verifique os BBBs. Que tal comparar os autores?
- Aproximadamente 2.400.000 para "josé saramago".
- Aproximadamente 6.720.000 para "paulo coelho".
Observe que, aqui, ambos possuem nomes que os identificam bem, são os dois vivos e presentes na mídia mundial, são pessoas de mesmo jaez e mesma estatura, o que permite concluir que feitiçaria dá mais repercussão que Nobel. Pessoalmente, não sei qual destes é mais chato.
Bom mesmo é quando trazemos a comparação para a esfera de nossas relações. Verifiquei recentemente os “índices Google” de alguns colegas revisores, usei os nomes pelos quais eles se apresentam no Orkut, em nossa comunidade de profissionais. Obtive os seguintes dados:
- 957 para"saulo krieger"
- 250.000 para"camila rodrigues"
- 3 para"telma mazzocato"
- 5 para"martha studart"
- 48 para"robson falcheti"
- 41.800 para"josé muniz"
- 5,190 para"felipe de paulo"
- 317 para"maria helena benedet"
- 17.600 para"miss ceará"
- 2.540 para"thomé de oliveira"
- 9.070 para"letícia cortes"
Observe-se que alguns têm outras atividades, além da revisão, o que distorce o dado. Existem nomes, Letícia Cortes, por exemplo, que sugerem grande homonímia, a maior parte das ocorrências não reporta a colega em questão. Camila Rodrigues ainda mais, é uma combinação de nomes relativamente comum. Robson Falcheti é uma combinação que remete exclusivamente ao revisor, nosso colega; este é bem jovem, o que explica a menor incidência. Saulo Kriger deve ser só um, a combinação de nome também é mais rara. Naturalmente, quando não estamos tratando de pessoas de vida pública e o nome realmente identifica o indivíduo, o dado determinante é se a pessoa tem produção voltada para a internet ou se opta por outros canais. Ou a combinação produção e homonímia: Thomé de Oliveira é um nome para o qual deve haver mais de uma pessoa, mas o colega revisor tem diversas outras atividades de visibilidade: é músico e trabalha com vídeo, faz roteiros e outras participações. Já Miss Ceará é fake de um dos colegas que, naturalmente, concorre na formulação do número com a beldade cearense, o que distorce completamente o número alcançado.
Bem, dei alguns exemplos de como usar a ferramenta. Apontei algumas considerações metodológicas, bem simples, de como fazer melhor a comparação. Não é científico. Mas a brincadeira é boa e os indícios que aponta são significativos.
Resta apresentar meu próprio índice:
- Aproximadamente 9.910 para "públio athayde".
Eu tenho um homônimo, um só, mas ele é muito jovem e não tem produção. Praticamente todas as ocorrências se referem a mim. A maioria se refere a minha atividade de videomaker; apesar da pequena produção, os vídeos postados na rede se replicam em milhares de sites, em cascata. Boa parte das referências a meu nome estão ligadas a publicações de artigos e poesia pela web afora. Tenho escrito bastante. Escrevo e publico na internet. Bem, há bastante referência também a minha atividade como revisor. Cruzando o dado de meu nome com o nome comercial, obtenho:
- Aproximadamente 435 para "públio athayde" keimelion.
Esse dado acima corresponde ao meu índice a ser comparado com outros revisores exclusivamente nessa qualidade.
Sabem esses números significam? Muito pouca coisa. Se desejarmos uma "identidade" na net, no sentido de gostarmos de ser identificados por nos feitos e malfeitos, devemos adotar um nome mais ou menos raro, mais ou menos simples, mais ou menos... Eu tive a sorte de ter um nome assim, não precisei inventar nada. As pessoas que desejam ficar conhecidas e ser facilmente encontradas, mas não têm tais nomes, estão mudando, adaptando seus apelidos cartoriais. Há o recuso em moda do hífen (nosso amigo aí!). Temos os Donadon-Leal, Souza-Silva, Mota-Filho, etc... Outros inventam palavras mesmo: meu amigo Julio Cesar de Souza Reis virou Julio Meiron (enfiou o Meiron no nome, no cartório, direitinho). José Ribamar da Costa virou José Sarney e alçou píncaros da glória.
Quando pesquisarem por seus nominhos no Google, não se esqueçam de inverter - pra quem tem coisas publicadas e pode ter sido invertido pelas normas.
- Aproximadamente 371 para "athayde, publio".
Esse dado reporta quase exclusivamente as publicações e citações bibliográficas.
Divirtam-se agora fazendo os levantamentos dos “índices Google” dos colegas, amigos e familiares. Claro, não deixem de verificar também os desafetos. Não é ótimo esse mundo em que podemos obter números para comparar as pessoas?
Articulando

Coletânea de artigos. O artigo acima e outros mais estão publicados no livro Articulando, excelente sugestão para entretenimento ou presente. Alguns são artigos leves, outros bem mais profundos. Alguns têm origem em trabalhos acadêmicos e foram simplificados para essa edição, estando disponíveis inclusive pela internet, suas versões completas e anotadas. Há artigos bem recentes e outros de mais de dez anos.