25 de setembro de 2012

Ética Galinácea

Este galinheiro está uma zona!
No galinheiro havia uma Comissão de Ética, destinada ao controle de postura e consumo de milho.
A tal comissão era presidida por um ministro Garnizé, idoso, já nem saudar o despertar da aurora podia mais.
Ainda fazia parte da tal comissão o Cel. Papagaio, muito galante e falante, mas suspeitíssimo de intercurso com umas galinhas já teúdas e manteúdas de dom Gallo.
Dona Coruja integrava a comissão, por recomendação de Garnizé que desconhecia o fato de que ela lhe comia os pintos quando havia distração.
Dr. Pato fazia parte da plêiade também, mas quando viu como era a coisa por lá, caiu n’água.
Quem gostava muito de aparecer na mídia, toda vez que a comissão entrava em pauta era o professor Pavão, mas esse dignitário teimava em se esconder atrás de amplo leque para disfarçar uma falha no bico – sempre pedia ao câmera que o enquadrasse em plano que excluísse os pés.
Pois a comissão estava assim constituída, faltando-lhe alguns integrantes desde a renúncia de Dr. Pato, do passamento do cônego Pterodáctilo e de absoluta senilidade da insigne filósofa Dra. Saracura. Também findaram os mandatos do Cel Papagaio e de dom Gallo, por decurso ou transcurso – não ficou bem claro.
O ministro Garnizé reindicou a dom Gallo a recondução de Papagaio e Coruja, ignorando as falhas de ambos que já haviam sido sopradas pelos poleiros. Não foram reconduzidos. Gorou.
Gallo houve por bem prover o colendo cibório indicando Tatu-bola, Rapozão, Tamanduá e Jacaré para as cátedras vacantes. Ignorou por completo não só a necessidade de que o colegiado fosse provido exclusivamente por bípedes, homeotérmicos, ovíparos, caracterizados principalmente por possuírem penas, mas também a função precípua de resguardo do erário, ética, desovas e proles do galinheiro.
Tatu-bola foi indicado por causa da Copa, Rapozão ameaçou comer umas galinhas se não entrasse na mamata, Jacaré queria uma cadeira a muito tempo  –  só não se sabe com que finalidade.
Desgostoso, Garnizé pediu as contas e foi jogar dominó na praça com Papagaio e Pato. A comissão segue funcionando sob a presidência interina do professor Pavão – felicíssimo no ensejo.

3 de setembro de 2012

Paralimpíadas: extratos dessa bobagem

Bem, se as paraolimpíadas viraram paralimpíadas, os paratletas virarão paraletas, partletas, paratetas - ou que diabo de letra precisam amputar na palavra por sórdida coerência significante e significativa.
Extratos de opiniões minhas de alguns amigos no Facebook sobre essa nova baboseira que estão nos impingindo:

Sergio Raphaël: por que mudaram o tal nome?
Mudaram a ortografia brasileira à revelia da
ABL e do VOLP: da Lei, portanto.

Publio Athayde: Falta de serviço resume. Ignorância de etimologia explica: queriam desfazer a relação paraolípiada/paraplégico - só que no primeiro é "par(a)" (culto, do adv.prep.gr. pará 'junto; ao lado de; ao longo de; para além de) e no segundo significa distúrbio! Pelo mesmo raciocínio era pra mudar o nome para parpsicologia, parbéns pelo aniversário, Parbola do Filho Pródigo, antena parbólica...
Allan Trotamundos: Eu detestei, preferia a forma antiga!
Publio Athayde: A gente sempre prefere as palavras à moda antiga, mesmo que as transformemos por preguiça... mas o mais nojento é a imprensa sem serviço simplesmente se submeter à barbaridade importada, sem questionamento. E com toda a "motivação" da mudança, não me explicam é terem amputado o "a" e não o "o" - que cairia normalmente pelo fenômeno da QUEDA DE VOGAL ÁTONA/POSTÔNICA NO PORTUGUÊS (vejam em RIZZO, Cláudia. A QUEDA DE VOGAL ÁTONA/POSTÔNICA EM FINAL DE PALAVRA NO PORTUGUÊS DE BELO HORIZONTE. In: SEMINÁRIO DO GEL, 56., 2008) Parolimpída - faria sentido. Paralimpíada é um abantesma amputado.
Bernadete Abaurre: Efetivamente, a vogal átona que é apagada nos processos de sândi vocálico em juntura de palavra é sempre a primeira! Imaginem se passássemos a dizer, por exemplo, [malazada] em vez de [maluzada], que é a forma que ocorre na fala rápida.... também não entendi de onde veio essa "paralimpíada"!
Publio Athayde: Não é caso de mala usada, nem de maluzada, muito menos de malazada, trata-se de mal usada. Quer saber, deve ser coisa de um publicitário português que de português pouco entende. Lá, como cá, más fadas há.
Phillip Giorgio Camarota Moura: Finalmente alguém se manifestou sobre tal absurdo. Tenho para mim que isso é anglicismo pedante e burro. Sabe-se lá porque se isso mudou no inglês ou se sempre foi assim: Paralympics... aí um imbecil ou mais provável um grupo deles, ignorantes na própria língua e na posição de suplicante para tudo o que é inglês, espalhou essa "merda" na mídia em geral... Agora tem que ficar ouvindo esse "estrupo" da língua... aff...