Nos fins do governo militar, meu sonho seria fazer uma enorme pilha com toda a legislação encimada pela constituição dos atos institucionais. Tentaram e não deu certo, a colcha de retalhos que é a Carta de 88 procurou conciliar o inconciliável e virou um diploma inexequível. Uma Carta de sonhos e de interesses incompatíveis. Havia muito ranço na Constituinte. Muita questão a priori decidida. Temos que refazer a coisa. Repensar a federação, as demandas a serem atendidas pelo Estado, o tributo que estamos dispostos a pagar, discutir como devemos escolher os gestores da coisa pública: funcionários públicos - não mais "autoridades". Quem puder descartar todos os modelos havidos estará apto a participar da reconstrução. Se não for assim, vamos trocas seis por meia dúzia - de novo.

Temos que esquecer os modelos, inclusive abandonar o maniqueísmo esquerda-direita, abandonar a ideia fixa de três poderes (poder e autonomia ao Ministério Público e ao Banco Central - que quase já existe - por exemplo), descartar o romantismo de eleger diretamente os executivos e dar a eles 4 ou 5 anos de cheques em branco.
Expurgar definitivamente a ideia de que leis mudam a sociedade, que a cada episódio é preciso fazer uma nova mudança na constituição. Eu não tenho nenhum modelo a oferecer, mas propondo uma tábula rasa; acredito que só assim possamos avançar. Será difícil? Quem dirá que não?
É hora de mudanças mais profundas que a tradicional troca de cadeiras. Repensar o Estado, a representação, a gestão da res publica. Não vai mudar nada trocar os governantes e os legisladores. Mudando a mentalidade da população poderemos aperfeiçoar a sociedade. Caso contrário, circularemos e teremos mais do mesmo, com outros nomes no pódio.
"PROTESTAR? EU TOPO...
Contra o governo federal, por causa da gastança inútil e a volta da inflação.
A inexistência de uma política educacional séria.
A infraestrutura em frangalho.
O ranço estatizante e a fantasia de retomar o crescimento só fazendo jorrar subsídios na cabeça dos empresários da indústria
Iniciativas idiotas como sediar a Copa do Mundo, com tanta coisa urgente a fazer.
O trem-bala, também conhecido como “candy train”.
O apoio a regimes autoritários e notoriamente violadores dos direitos humanos
A aliança “carnal” com o que a América Latina tem de mais atrasado.
O abandono das reformas estruturais.
O famigerado “controle social da mídia”".
Bolivar Lamounier