13 de novembro de 2016

Propina para o Lula

Propina tem a ver com o hábito de oferecer bebida. Etimologicamente, a palavra vem do latim medieval, propina(æ) – que significava taverna. Ainda há um verbo em português que resguarda o sentido antigo: propinar, que tem pouco uso e significa, em sua primeira acepção, dar de beber. Assim, pode-se propinar leite ao bebê, ou propinar cardina ao enedáctilo. Já desviando do sentido original, mas mantendo-se entre o entendimento primitivo e o atual, há propinação, palavra que mantém o sentido do ato ou efeito de propinar, no sentido de saciar sedes, mas já tem a possibilidade de emprego como ato de beber uma porção do que se oferecia nos sacrifícios, vale dizer, desvio de função dos fluidos.
Vale anotar que houve um tempo em que a propina se referia a emolumento, gratificação e outras recompensas lícitas, antes de descambar para o sentido geral de quantia que se oferece ou paga a alguém para induzi-lo a praticar atos ilícitos, suborno. Note-se ainda o paralelo, em diversas outras línguas, entre os sentidos de propina – original – e suas relações com tavernas, casas de pasto, hospedarias e recompensas pecuniárias ou libações partilhadas. A propina, ou gorjeta, no francês de hoje é pourboir (literalmente: para beber!) – a própria gorjeta, por sua vez vem de gorgegorja (garganta) + eta; gorjeta é dinheiro para molhar a garganta, beber.
Lula recebeu propina de todos os lados.
Nem se todos os contadores do mundo tivessem acesso aos
dados, jamais se conseguiria levantar o montante de propina
recebida por Lula.
Se você chegou sua leitura até aqui, passando pelas digressões mais propínquas, disponíveis em Houaiss e quejandos, vamos ver o que nos traz Bluteau (1728): “Parece que [propina] se deriva do verbo latino propinare, brindar à saúde de alguém e (…) antigamente, em Castela, era uma merenda que dava em algumas juntas [povoados!]. (…) Hoje se dá propina em dinheiro ou em tantas varas [unidade de medida] de pano. (…) Nos Parlamentos de França, ainda hoje [séc. XVIII] se dão propinas de alguns frascos de vinho especial e por essa razão chamam os franceses a algumas gratificações pot de vin (pote de vinho). (…) Em Portugal, dão-se propinas aos oficiais da casa real [funcionários públicos], aos tribunais, ao reitor, lentes, licenciados, bedéis, etc.… [Atualizei um pouco o texto, para benefício do leitor.] Remeto o leitor ao verbete do clérigo setecentista para mais digressões, todas coerentes com o argumento daqui. A. de Moraes Silva (1789) além das coisas já relacionadas, com maior síntese, aponta que “os doutorandos dão a cada doutor 1600 reis de propina (e) um tanto aos bedeis” [!!!]. Ainda em nossos dias, em Portugal, se chamam propina a algumas taxas acadêmicas. Para L. M. Silva Pinto (1831), propina é o que se dá ou se adquire além da paga (tout court).
Se dermos um passo à retaguarda, Quicherat (1844), nos informa que a propina(æ) latina vem do grego propinw [pro-, “a favor”, mais pinein, “beber”] e acrescenta que é o mesmo que popina(æ), verbete em que se relacionam os sentidos de baiuca, bodega, taverna, casa de pasto (restaurante) e ainda comida farta, a dona da casa de pasto, taverneira… por derivação direta.
Portanto, propina é o lugar de beber ou comer, o dinheiro ilício (obtido pelo crime de iliçar: enganar (alguém) vendendo, hipotecando, penhorando bens que pertencem a outrem ou sobre os quais pesam encargos de qualquer espécie), propina o dinheiro pago além do devido, é o ilícito, o ilídimo! Propina é um conceito em que se fundem dois elementos: a ilegalidade e o etilismo! Propina é o que se dá e quem recebe. Propina é onde se dá e onde se recebe. Propina é suborno para pinguço.
Quod erat demonstrandum: não é necessário mais que mero levantamento etimológico para ligar Luiz Inácio Lula da Silva à propina!

30 de setembro de 2016

Não haverá eleições...


Você pode estar achando que vive num regime democrático, e que depois de amanhã haverá eleições. Sinto informar que não é bem assim: depois de amanhã haverá plebiscito entre nomes que lhe são impostos. As elites partidárias escolhem (e barganham, barganham muito) pela proposição de nomes (quase sempre figurinhas carimbadas e repetidas, como as da foto) a serem impostos aos eleitores. Não existe nenhuma representatividade ou processo limpo na escolha desses nomes. As convenções partidárias (você já ouviu falar delas?) são um circo que pega fogo, sabe aquele fogo das vaidades? - pois é ele que queima nas tais convenções que vão parir (ou abortar) gente como essa - dentro os quais os paulistanos são obrigados a optar - para dar plantão na prefeitura. É uma dessas pessoas que estará a frente da maior cidade do país, pelos próximos quatros anos, conspirando e editando no sentido de permanecer no posto pelos outros quatro anos que se sucederão, e aquele segundo quadriênio, o sufragado (se houver o segundo mandato) aquela pessoa empregará em fazer o sucessor (ou escolher um poste para o cargo - como Lula fez com Dilma).

O mesmo processo trágico se repete em todos os degraus da escadinha federativa - aqueles degraus que constroem essa pirâmide babélica que vocês já chamaram de Estado democrático de direito, mesmo aceitando ser governados por gente que não representa maioria nem minoria, apenas a elite - mas uma elite muito especial, pois não comporta os mais ricos ou os mais inteligentes: aqui entre nós elite é o grupo composto pelos mais safados, os mais descarados e os mais hábeis articuladores do imbróglio jurídico em que navegamos.
Viva o Brasil, o que quer que seja isso! Viva a democracia, seja lá o que você entenda como tal! Compre protetor de orelhas: você vai continuar a dormir com toda essa zoeira por muito tempo!

Debate entre candidatos a Prefeitura de Sao Paulo Joao Doria (PSDB)
 Celso Russomanno (PRB), Marta Suplicy (PMDB), Fernando Haddad (PT),
Luiza Erundina (PSOL) e Major Olimpio (SDD)
mediado pelo jornalista Cesar Tralli realizado pela Rede Globo 


Eu me pergunto como Sampa pode ter sobrevivido a governo de alguns desses... e como sobreviverá a governo de um desses! Parecem coro de serviço fúnebre (exceto por uma ali, que parece ser o objeto trânsfuga do serviço fúnebre!).

4 de maio de 2016

O tropeiro e o juiz

Dr. Athayde
Antônio Augusto Athayde
Meu bisavô era juiz pelo interior de Minas, nos tempos do Onça. Consta que não se dava muito ao trabalho de ser elegante e, como usual à época, ia à estação ver o trem chegar e prosear com quem estivesse por lá.
Um tropeiro, recém-chegado à cidade, não o conhecia e pediu que ele amparasse um balaio, enquanto tratava de equilibrar a carga. Não foi negado o préstimo, que foi recompensado com uma moeda, embolsada com o comentário: trabalho honesto!
Sou levado a supor que meu ancestral tenha posto fim àquele níquel em algum estabelecimento cirunvizinho, pois aquela moeda não chegou a mim por herança.
Dia seguinte, ou semana seguinte, o tal tropeiro precisou assuntar no fórum alguma demanda havida lá e se inteirou de que o chapa da estação era o meritíssimo togado (dos Arcos de S. Francisco!). Horrorizado com o evento, o digno patrono dos burros de carga precisou ser informado pelo emérito julgador de que não havia nenhuma incompatibilidade entre a judicância e eventual serviço de pré no cais dos trens
!

29 de abril de 2016

Eleições de 2018: hora de repetir os erros

Com toda a situação que nos rodeia, tudo criado pelo voto popular - notório em eleger pulhas, párias e crápulas - as pessoas ainda creem numa tal de democracia que nunca existiu; insistem em repetir o processo no fim deste ano e em sufragar novos nomes em 2018 para as esferas estaduais e federal. Vão repetir os mesmos erros, as mesmas incúrias, as mesmas sandices de antes, de agora e de sempre. Loucura é esperar que, repetindo as causas, não se repitam os efeitos. O eleitor é o mesmo, o acesso que ele tem à informação é o mesmo, suas demandas continuarão a ser as mesmas e seu caráter permanecerá o mesmíssimo: caráter é marca indelével.
Os atores e os espectadores são os mesmos nas eleições de 2018.
O cardápio de candidatos será mais ou menos este
 em 2018. Sempre um monte de nomes e caras
sacados da algibeira do dono ou donos de cada
partido político e enfiados pela goela
 abaixo das urnas eleitorais.
Poderemos mudar meia dúzia de nomes em 2018, mas a essência dos mandatários permanecerá, nossas regras e até mesmo as máquinas de votação têm sido eficientíssimas em transformar a vontade popular em desgoverno, desmando e descalabros como os que estão na mídia. Todas as mudanças propostas, sob o apelido de reformas, não passam de alterações cosméticas aceitas momentaneamente pelo grupo este ou aquele que estiver no controle casuístico da norma, sempre na presunção de benefício próprio.

Depois de eleitos os salvadores da pátria em 2018, pela enésima vez, o povo vai depositar as esperanças - fundadas em algum tipo de sebastianismo tupiniquim - em nome, carinha ou bordão alinhavado na empresa de marketing eleitoral da moda. Quem tiver arrecadado mais e houver gerido melhor os recursos de campanha será eleito. Mas o marketeiro não vai para o ministério (que ele não é bobo e conhece melhor que todos a arapuca que ajudou a armar), as pessoas que tinham competência durante a campanha são expurgadas em detrimento de alianças e conchavos... bem, todo mundo sabe o que é necessário para manter a governabilidade nesse sistema "misto" da Constituição que, na verdade, é um enxerto de presidencialismo imperial implantado em tronco de parlamentarismo pseudo-federativo. É necessário comprar o parlamento com cargos, favores, promessas e dinheiro. Parte da negociação pode ser até legítima, parte é completamente podre: alguns dos dinheiros da negociata recebem a alcunha de verba parlamentar, outros vão em maletas e pacotes para as cuecas e colchões de suas excelências - como todos sabemos - e, dali, migram para um paraíso além-mar - como as filhas da Candinha não se cansam de veicular.

Impressionante é a fé que as pessoas têm em mudanças (ou pseudo-reformas), digo mesmo que qualquer fé seja impressionante: fé consiste em crer em algo contrário às evidências e essencialmente implausível. Uma das características universais da fé é a incapacidade do crente em dar o braço a torcer. Admitir que renunciar à irracionalidade passional a que se filiou e aderir a uma alternativa racional parece não ser de nossa natureza. É assim na Terra do Futebol, é assim no futebol, é assim na política. Democracia virou uma fé - deixando de ser forma de governo plausível ou forma de escolhas aceitáveis.
Em síntese: em 2018 continuaremos a ter o péssimo eleitorado que tínhamos em 2014 - e serão eleitas pessoas tão ruins quanto as que estão sendo execradas agora. Com a palavra, o povo soberano. Viva a democracia.
E viva a democracia! Ela foi duramente conquistada. Ela não é perfeita, mas nenhum sistema é melhor que ela. E essas e outras balelas similares continuam a ser bombardeadas em nossos ouvidos, como verdade perfeita, acabada, inexaurível e revestida de ares de dogma inspirado. Só que cada um tem adoração pela sua democracia particular, aquela que tiver o condão de levar a si ou a seus preferidos ao controle do Estado: essa é a democracia mais perfeita de todas, a que atende a meus interesses e aos interesses dos meus.
Aquila non parit columbam. Essa eu aprendi em minhas aulas de Educação Moral e Cívica. Águia não pari pomba. A geração não digere do gerador. Um eleitorado ruim continuará a eleger governantes ruins - e não há nenhuma previsão constitucional de impeachment ou recall para eleitores. Impeachment e recall são tão alheios a nossa cultura "democrática" que sequer existem expressões perfeitas em nossa língua para as ideias que tais palavras representam.

27 de abril de 2016

Resgar a Constituição e se desesperar

A constituição é todinha uma colcha de retalhos, uma peça ficcional, um conjunto inconsistente. Tudo que o STF faz são jeitinhos para tocar o barco. O Estado funciona pelas entrelinhas da norma. O que a Constituição põe, se dispõe, o que ela diz, ela mesma desdiz, ela não sobrevive a nenhuma análise de O&M. Vivemos numa geleia de adaptações e interpretações fluindo sob os interesses momentâneos e mutáveis segundo o gosto do fregues daquela quadra. O Brasil beira à anomia por absoluta impossibilidade de cumprimento da regra. Deu no que temos. É rasgar 1988 e fazer de novo, deixar fazer quem não pretende da regra proveito imediato para si
A Carta Magna é uma colcha de retalho de interesses escusos.
Vamos fingir que não existe essa
Constituição? Começar de novo
com uma Constituinte autônoma?

  • Os políticos do PT, PSOL e quejandos não são adestrados. Adestrar é (etimologicamente) inadequado: eles não se tornam destros, nem tendentes à destra. Eles são canhestrizados: ficam cada vez mais canhestros, tão quanto tendem à canhestra.
  • O debate sobre impeachment no Senado tem a mesma relevância de duas torcidas de futebol tentando decidir o campeonato na mesa do boteco. Inês e morta, o cadáver insensato está no Planalto. O rito é para inglês ver. Precisamos abandonar a hipocrisia legislativa e jurídica. Os senadores gastam metade do tempo reaprendendo a dinâmica de um debate que é rotina parlamentar. É pra lamentar.
  • Exigir que candidatos tenham curso superior faz tanto sentido quanto determinar que barbados não podem ser eleitos ou que para se tomar posse sejam necessários os dez dedos: casuísmo.


Calma, calma, calma - muita calma antes de se desesperar. Está calmo? Então, desespere-se: o caos em nossa economia e o buraco das dívidas é infinitamente maior que nossa vã filosofia e não tem o limite que se estabelece entre o céu e a terra. O vandalismo do governo petista nos deixará de herança débitos para as próximas décadas, os netos de quem votou no PT ainda sofrerão as consequências desastrosas de 13 anos de desmando e bandalheira no Estado. No mínimo, serão necessários vinte anos para neutralizarmos todos os agentes deletérios que o partido clepto-sindicalista implantou no Estado e em todas as agências de governo. Talvez necessitemos de trinta anos para nos livrarmos de todo o aparelho de esquerda montado nos estabelecimentos de ensino. Isso, se começarmos agora. O primeiro passo é defenestrar Dilma: jogá-la pela janela, fazê-la rolar pela rampa abaixo direto em um camburão para o aeroporto e, de lá, para Curitiba. De roldão, que se leve o ministro da casa de Porcina: aquele que é sem nunca ter sido, mas age como se fosse. No mesmo embalo, mais uma dúzia de ministros e ex-ministros dessa corja devem ser devidamente encanados, só na primeira leva.
Não foi por falta de avisos. Agora, é remendar. Vai ser um longo trabalho. Vamos despender sangue (não se iludam, será necessário) suor (muito) e lágrimas (inexoravelmente).

  • Enquanto isso, Anastasia vai frigir Dilma em petróleo e piche, depois vai deixá-la nas mãos do plenário que vai cobri-la de penas fétidas de pombos. Por último, vão enrolar a mequetrefe em plástico bolha e enviar para o Moro completar a farra.

22 de abril de 2016

O plano Temer

A maioria dessas medidas (impossíveis) seria terrivelmente prejudicial. É preciso ir além da aparência que as coisas têm. Claro, estou superando o fato de que a proposta da imagem é só uma piada!
Desconsiderando as dificuldades gerais, normativas e políticas, vou me limitar a um comentário sobre cada ponto - longe de exaurir as questões e enfarar algum eventual leitor.
Doze tópicos propostos como plano base de governo para Temer.
O Estado brasileiro precisa ser rediscutido; piadas como essas são um bom
fermento para as discussões, mas precisamos ir além desse tipo de coisas.

  1. A redução do número de parlamentares implica redução da representatividade. Se reduzir, por si, for um benefício, por que não uma Câmara de 27 (um por unidade da Federação) e um Senado de 5 (um por região)?
  2. O mesmo argumento numérico: não é a quantidade que importa. Poderiam ser apenas três ministérios? Se cada um tiver 300 supersecretarias com uma equipe gigantesca, será bem pior...
  3. O privilégio de foro é necessário: se juízes de primeira instância e e todos os promotores com vontade de aparecer tiverem jurisdição sobre os políticos, eles nunca mais farão nada além de se defender, não sobrando tempo para governar.
  4. Não é necessário extinguir: basta que ele passe a funcionar apenas dentro das penitenciárias, como o Comando Vermelho, a que é assemelhado.
  5. Político não tem salário, essa remuneração (tecnicamente) é a retribuição pelo contrato de trabalho, o emprego. Político não é empregado. O valor do provento não deve ser estabelecido pelo mercado, pois não há concorrência. Vereadores ou senadores seriam muito melhores se exercessem o mandato pro bono (sem serem pagos), apenas ressarcidos de suas despesas; para os deputados, alguma forma de compensação financeira que não torne o cargo atrativo para desocupados, por exemplo: 80% da média dos rendimentos declarados pela pessoa nos últimos cinco anos, com um teto: ninguém auferindo mais que o triplo do menor valor pago.
  6. Os recursos para o exercício do mandato precisam deixar de ser vistos como privilégios. Precisam deixar de ser vistos assim pelo povo e pelos parlamentares e executivos. Assessores, cartões, carros, residência são para o exercício de função pública e qualquer desvio dessa limitação deve implicar perda do mandato e imputação penal.
  7. Ninguém é obrigado a usar ou deixar de usar esse ou aquele serviço público, nem pode ser. Não deve haver planos especiais de saúde privada custeados pelo erário para os políticos, mas cada um deve manter o direito universal de fazer o que melhor entender com seus próprios recursos.
  8. Ninguém está feliz com a forma de provisão de ministros ao Supremo. Mas a eleição proposta teria que eleitores? Imaginem, se os ministros fossem pessoas envolvidas em política eleitoral, a que tipo de tentações e de pressões os candidatos e os eleitos estaria submetidos? O sistema atual não funciona porque não temos tido boas pessoas na Presidência da República (para os indicar) e o Senado é um bando de cordeirinhos (eleitos!) que não cumpre a função de perquirir adequadamente e formar juízo qualitativo e de caráter de cada postulante à toga do Supremo.
  9. Achar que a culpa pelos péssimos políticos que temos é da urna eletrônica é pior que atribuir o chifre ao sofá em que se consumou a traição. Os culpados pela corja que está posta são os eleitores (omissos, submissos, corrompidos, interesseiros, imediatistas, oportunistas, obscurantistas...) que os sufragam, sistematicamente, os mesmos crápulas.
  10. Imposto sindical é uma aberração jurídica, política e social. Deve ser abolido urgentemente.
  11. Ninguém pode ser obrigado a trabalhar: o nome disso é escravidão. A pena limitadora da liberdade... ah, não vamos teorizar. Ninguém pode e não deve poder ser obrigado a trabalhar. O trabalho deve ser oferecido (mas oferecido mesmo!) como possibilidade, como alternativa, como componente andragógico para a hipotética regeneração: trabalho não é e não pode ser punição.
  12. Que se privatize tudo que não for função de Estado. O Estado deve se limitar à significância de sua arrecadação, assim como o povo decidir que vai contribuir, e fazer com aqueles recursos o que lhe for demandado - e nada mais.

17 de abril de 2016

Não trocaremos governo do PT por governo PMDB

Não vamos trocar um governo do PT por outro do PMBD. Vamos trocar nada por coisa alguma. O PT não nos governa mais, há anos; Dilma bem que gostaria de governar e, a seu modo atabalhoado, pode-se dizer que tentou. Sua situação se tornou insustentável, sua governância se dissolveu (em crimes - mas isso é outra história dentro da mesma história), sua governabilidade se extinguiu. Com o fim do governo Dilma, o PT que nunca foi Dilma, nem mesmo foi um partido - pois se limitou a erigir um feudo sindical para Lula, o PT virou pó e hoje é soprado com força para as dunas o opróbrio.

Não vamos trocar um governo do PT por outro do PMBD. Pois não existe governo do PT a ser trocado, então não há troca a se fazer. Também não vamos trocar o governo de Dilma pelo governo de Temer, pois ficou provado que Dilma não governava: ela estava apenas encarregada de manter quente a cadeira presidencial para Lula, enquanto ele se refestelava em sítios suburbanos e triplex de novo rico - mas sempre mantendo o domínio sobre o Estado, não como eminência parda, mas como poderoso chefão, luz da qual provinha a sombra de quem o sucedeu.
Dilma esconde a boca para segredar a Temer.
Não de trata de trocar o governo de uma pelo governo do outro.

Não vamos trocar um governo do PT por outro do PMBD. Nem sequer haverá troca entre uns que foram eleitos por outros que não foram eleitos; metade da chapa eleita se vai, é posta a correr, metade fica, cumprindo sua função constitucional, para a qual foi sufragada com todos e cada um dos votos, com o voto de Lula a cada mais modesto eleitor dentre os que foram ludibriados ou corrompidos para teclar o 13 naquele domingo fatídico. Sim, sim: Lula e Dilma também votaram em Temer; votaram nele exatamente para a função e na previsão, então hipotética, da necessidade de substituição, como agora ocorre. Como de costume, Lula e Dilma escondem que o tenham feito, não admitem hoje que votarem em Temer - e não é pelo habito contumaz de negar seus atos que o fazem: é pela conveniência de esquecer o que não interessa, o que também os dois têm como costume arraigado.

Não vamos trocar um governo do PT por outro do PMBD. Não vamos mesmo, pois o que virá depois que a vassoura do impeachment varrer o PT do controle do Estado, virá um governo apartidário - o PMDB é mesmo um tanto apartidário, tem agido como aglutinador de interesses há décadas; o próximo governo será fraco, composto por políticos de muitas vertentes, por uma tentativa meio atabalhoada de alinhavar um fato roto e pós-moda. O bordão será fazer um governo de coalizão - pois quem governa é dado sempre a lugares-comuns - mas também não teremos coalizão nenhuma, pois os párias que agora controlam o governo permanecerão de atalaia, à sorrelfa, prontos a minar a gestão que advirá com aquilo que sempre foi sua prática antes de controlarem o executivo: quanto pior, melhor.

Não vamos trocar um governo do PT por outro do PMBD. Pois a grande verdade é que não haverá governo algum - o que serve até de argumento para os niilistas e anarquistas: só haverá um grupo que - se for esperto, como desejamos que seja - conduzirá a máquina pública até o próximo processo eleitoral, para o qual é necessária a maturação dos dois anos que nos separam dele. Não se pode pensar em antecipar eleições gerais - até por não haver pressuposto constitucional para tanto. Claro que se pode mudar a Constituição, mas o que se quer é continuar adaptando a Carta Magna aos episódios - ou deixá-la sedimentar para que tenha mesmo a rigidez e higidez que esperamos dela?

Não vamos trocar um governo do PT por outro do PMBD. Não vamos trocar de governo: vamos trocar uma quadrilha cleptocrática por um arremedo transitório. O substituto de Dilma é o Temer, poderia ser o Cunha (em tese), poderia ser o Pelé, o Tiririca ou poderia ser eu. Não importa o nome de quem assine os despachos, de quem durma no Alvorada. Importa o papel que essa pessoa, hoje o Temer, venha a desempenhar de transitoriedade, de episódico, de gerência taciturna... sim, é um bom termo, afinal, o que estamos fazendo mesmo não é a troca de um governo do PT por outro do PMDB: estamos trocando a gerência taciturna de dona Dilma - em nome do Lula e de sua quadrilha - pela gerência taciturna do senhor Temer, na esperança de que ele venha a exercê-la nos interesses coletivos; pelo menos, que o faça minimamente nesse sentido, para dignificar e coroar sua vida pública com algo que possa preservar seu nome com alguma dignidade. Nós precisamos disso.

16 de abril de 2016

Fim da cleptocracia

Dilma está lascada, impeachmada, derrubada, vai ser presa. Lula é pré-presidiário. De roldão, virão governadores e prefeitos, deputados e vereadores, todos os vassalos desses grandes senhores feudais da cleptocracia, cada um tem sua pequena máquina criminosa: fractais do gigantesco engenho de fraude, corrupção e extorsão montado pelo PT nacional e seus coadjuvantes. São bandidinhos como o que governa Minas ou o de Ouro Preto (para ficar nos limites de minha naturalidade), dos quais as polícias já batem à porta, fazendo soar as algemas.
Cadeia para milhares de políticos corruptos
O número de prisões que serão feitas será enorme!
O PT adotou um sistema feudal de hierarquia cleptocrática, substituindo a federação e a república. Felizmente, para cada juiz federal e promotor daqueles de Curitiba, existem centenas ou milhares de outros equivalentes, pelo Brasil afora, cada um querendo seu minuto de fama na TV local e os afagos de suas musas. Todos eles estão atentos às falcatruas locais de executivos e legislativos com os pequenos empresários das esquinas de cada cidade. O afastamento da presidente da república vai ser um peteleco no castelo de cartas. Haverá prisões e processos pelo Brasil afora, como nunca! Na verdade, essa é a esperança de cada um de nós, brasileiros probos.
Que possamos reaver parte significativa das fortunas que nos foram roubadas ao Estado nos últimos anos e que possamos viver em um país com a qualidade de vida correspondente à infinita riqueza natural de nosso território e a abundância decorrente do trabalho de cada um, somadas uma a uma no enorme bolo do PIB - mas sem os garfos nefastos da quadrilha que tem drenado infinitamente o produto do trabalho e da abundância de nossa terra. Amém! Digam amém também!

E vem a presidente da república propor um pacto?

Não senhora, não fazemos pacto com meliantes, com quadrilhas, com corruptos, com a gente safada que a senhora capitanea. Não, não queremos nenhuma união com seu governo de desgraças, incompetência, desmoralização e rapinagem. Não, não queremos diálogo com essa corja que comprometeu o futuro de três gerações de brasileiros, minou as bases da economia nacional, dilapidou as poupanças dos fundos de pensão, destruiu a maior companhia do mundo, meteu a mão em todos os contratos, surrupiou dinheiros públicos e privados para suas contas em paraísos fiscais, compraram eleitores e eleitos com o numerário do contribuinte... Não, sua cabra da peste, nunca daremos trégua a sua sanha ou à de seus sequazes, pois o diálogo, o pacto, a união são elementos da esfera política e, com sua colundria de malandros, nosso tratamento será na esfera criminal.

A negociata para barrar o impeachment.

Todas as nomeações feitas ou prometidas por Dilma (ou Lula, em nome dela) para barrar o impeachment são tão ilegais quanto a do ex-presidente, exatamente pelo mesmo motivo: desvio de finalidade. Nenhuma posse será efetivada, todas serão barradas por liminares e perderão efeito quando as causas forem julgadas. Os que estão se vendendo vão perceber isso, nem que lhes esfreguemos os fatos no nariz para que se deem conta de que a justiça está de olho na macunaíma.

14 de março de 2016

Bolsonaro é a bola da vez?

Na verdade, são pouquíssimos os que apoiam Bolsonaro, ele mesmo. Muitos querem algumas partes do discurso radical, a metralhadora giratória, a verborreia eloquente e até a coerência das propostas dele. Postar-se num córner, qualquer um, e abrir fogo em leque de ângulo obtuso é uma estratégia política conhecida. Na verdade, só quem parece não conhecer a fundo as estratégias políticas são os eleitores: caem e continuam caindo em todo tipo de esparrela: Bolsonaro é só mais uma, Collor e Lula já foram outras!
O problema de engolir essas histórias é que você não compra só uma parte do discurso, quando se vota numa pessoa, nesse sistema maluco que temos, você dá uma procuração (sem cláusula de controle) para o fulano fazer o que deseja pelo tempo que conseguir! Tanto faz se é um executivo ou um parlamentar: entregue o diploma eleitoral, o eleito está com o cabresto solto. Pode fazer o que der na telha.
Bolsonaro está se apresentando como "Capitão Brasil"!
Sem opção, eleitor pode tacar na caçapa de Bolsonaros.
Assim, em nosso sistema, alguém pode disser isso, isso e mais isso na campanha; depois, pode fazer aquilo, mais aquilo e aquilo outro - impunemente! Não há nenhum vínculo entre propostas eleitorais ou eleitoreiras e exercício de mandato. Nem se trata da discussão entre mandato delegado e mandato outorgado (se não sabe o que são, veja no Google!) - trata-se do mais puro e constante "estelionato eleitoral", essa maluquice de que Dilma e PT são arquétipos.
Até certo ponto, essa geleia asquerosa que desacreditou totalmente o sistema eleitoral para os eleitores é devida a meleca que é o sistema partidário (sem programas, sem identidade, sem fidelidade, sem caráter, venal, circunstancial, fluido, burocrático...), mas também se pode creditar ao constante desvio de função entre executivo, legislativo e judiciário e a obsolescência do sistema de controle (checks and balances) entre três poderes que não alcançam mais a totalidade do Estado, que não são independentes e muito menos harmônicos.
Bolsonaro é, para uns, o caçador de marajás da vez; para outros, ele representa as qualidades (!!!) do regime militar; para alguém, ele encarna a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé; outros veem nele Tradição, Família e Propriedade; deve haver quem projete até a Ku Klux Klan no deputado. Ele espelha as taras e frustrações de muita gente e quer amealhar todos esses votos díspares. Depois, o que ele fará - se eleito for, seja lá para o que for - será exatamente o que pensa ser necessário, útil ou de seu interesse, não importa muito (como já vimos!): o mandato é sem peias! A família já está representada em diversos foros políticos, vem aí um clã, à moda dos Sarneys ou dos Magalhães? Talvez até pior: não estão circunscritos ao longínquo estado das Alagoas ou à folclórica Bahia.
Enquanto isso, continuamos brincando de política e de democracia, como se fosse um joguinho de sinuca: a cada lance há uma bola da vez - com possibilidade de apostas fora da sequência. Para ficar nessa metáfora, convenhamos, estamos mesmo é numa tremenda sinuca de bico! Para quem não sabe, é aquela posição em que não se pode alcançar diretamente a bola da vez, ficando forçado a uma aposta temerária. Quem serão os deputados de 2018? Kim Kataguiri e Fernando Holiday? Dois é um número pequeno demais para um país de 200 milhões. Quem serão os senadores de 2018? Marco Antônio Villa e Sergio Moro? Dois continua sendo pouco. Feitos os expurgos que a maioria do dia 13 de março execrou, quem são as lideranças que sobram no Brasil? Meia dúzia de gatos pingados! Não teremos bolas da vez em 2018 - já pensaram nessa tragédia? O povo pode mesmo acabar optando por Bolsonaros!

13 de março de 2016

Eu e o povo brasileiro...

Eu e o povo brasileiro (hehe) hoje fomos às ruas meter o pé na bunda de dona Dilma, dr. Lula e da cambada toda que anda com eles. Senti a ausência da geração de 16 a 30 anos. Fiquei orgulhoso com os poucos, mas digníssimos manifestantes de 80 e 90 anos que vi! Foi dado o recado. Esperemos que seja uma pressão clara sobre as instituições - elas são lentas, lenientes, lascivas. Não acho que esse tipo de manifesto seja suficiente para que ocorram as transformações de que necessitamos: mas é o que temos para o momento.
Eu estive nas manifestações contra Dilma e Contra Lula na Praça da Liberdade.
Públio e o povo...
Pontos negativos: a falta de lideranças, falta de projeto, falta de propostas.
Pontos positivos: nenhum salvador da pátria, nenhum milagre prometido, nenhum ídolo conduzindo a massa.
O PT sentiu nosso pezão no seu traseiro, mas eles o têm balofo, capaz de acomodar mais de um chutaço e o têm demonstrado: cumpre-nos continuar chutando para ver até quando eles aguentam, cada vez aguentarão menos (ou se virarão com paus e pedras contra nós!). Acho que, além de chutes meio que a esmo, ainda que na direção do fiofó dos petistas, precisamos tomar ações mais eficazes, mais coordenadas, menos vazias. Precisamos que surjam projetos que, mesmo perdendo alguns prosélitos no percurso, sejam capazes de catalizar esforços no sentido de institucionalizar as demandas. Vivemos em Estado, queira-se ou não. É pela via do Estado - cuja figuração devemos rediscutir - que se processarão os anseios da massa (ou de parte dela! ainda não existe sistema que agrade a todos, por mais que louvem a democracia.)
Estamos quase nos livrando de Dilma e do PT. Se continuarmos assim, nem precisamos de parlamentarismo: cada vez que um presidente mijar (muito) fora do pinico, a gente vai lá e planta o pé nele! Imaginem se houvesse um parlamentarismo hoje, com a troca de governos sendo decidida por aquele parlamento que temos lá! Estão vendo?, não está nessa troca de regime a solução. O caso é melhorar as instituições sem ficarmos presos a velharias. Obsolescências de regimes, de pessoas, de sistemas, de vícios: não, obrigado!
Temos que parar para pensar sim, não vou dar a receita assim facinho (a menos que me contratem como consultor geral da república!). Acha que vão te servir tudo na bandeja? Não, ninguém vai servir nada, então, trate de botar a cachola para funcionar: pense! Nem dói tanto, garanto. Eu tenho feito isso a vida toda, e nem tomo muitos analgésicos. Pare de usar a cabeça apenas para separar as orelhas. Leia uns livros: pelo menos para saber quais são as velhas ideias que se tornaram descartáveis.
Quando você já estiver disposto a pensar e houver juntado algumas informações básicas, reúna-se a outras pessoas no mesmo estágio, discutam, quebrem o pau. Quem disse que decisões coletivas são fáceis? Se disseram, mentiram: juro que deixar tudo na mão de um ditador ou de outro salvador da pátria pode parecer bem mais cômodo. Depois, é só arcar com as consequências. Olhem nos livros: não são bons os resultados, no longo prazo, dá-se com os burros n'água - inexoravelmente. Parabéns se você leu até aqui, seu caso não é perdido. Agora, trate de ler alguma coisa menos superficial e pensar com mais profundidade. Depois, querendo, pode vir conversar comigo ou procure alguém que você ache mais simpático ou mais sabido. Há muitas opções.

12 de março de 2016

Lula será preso

A condução coercitiva de semana passada e o pedido de prisão algo insólito desta semana prepararam o terreno para Moro. Não haverá novidade quando o ex-presidente for encarcerado. Amigos e inimigos já estão devidamente preparados para o evento. Argumentos jurídicos há para qualquer coisa. A depender de argumento de defensores e prosélitos ninguém seria preso - jamais!
Lula atrás das grades é só uma quetão de tempo
Já pensaram se ele também pleitear delação premiada?
Não vai sobrar República no Brasil.
Falta agora o decreto de prisão, por parte da juíza paulista e algum eventual habeas corpus. São os próximos passos, perfeitamente previsíveis. Haverá o decreto e o HC? Quem viver verá, mas sua presunção já faz efeitos, tanto do ponto de vista psicológico sobre o paciente quanto da comoção social: estamos preparados agora para as marchas e contramarchas da persecução penal. Estamos preparados para a cobertura bombástica da imprensa. Estamos prontos para os argumentos de ambos os lados. Golpe, dirão uns. Justiça, dirão outros. Sabemos que será assim.
Depois desse processo paulista, em que o ex-presidente e seus familiares figuram tangencialmente, virão aqueles processos da Justiça Federal em que a família Lula da Silva é protagonista. São crimes muito mais gravosos e múltiplos que uma imputação de lavagem de dinheiro e outra de falsidade ideológica.
A prisão de Lula e de seus familiares é ponto pacífico: mais cedo ou mais tarde eles serão encarcerados. Ninguém, mais duvida disso: eu não duvido, a presidente da república não duvida, os pacientes não duvidam. Administram-se tais fatos supervenientes como certos e sabidos até pela sua peremptória negação. Negam a hipótese no intuito de aumentar a força da contestação do inexorável. Os Lulas da Silva serão presos, mas negar isso com antecedência é só preparação da defesa. É lícito, é facultado, mas será ineficaz.

Maniqueísmo democrático

Acho inconcebíveis as importações de conceitos extemporâneos para as análises atuais: liberal-conservador, esquerda-direita, comunista-capitalista, machista-feminista, revolucionário-reacionário, são paradigmas de outros tempos. Claro que há - e sempre haverá pontos de contato, mas as simplificações tendem a transpor todas as características para uma dicotomia maniqueísta cuja exponenciação levaria tudo e todos a se posicionarem entre bem (ἀρετή) e mal (κακός) ,como se vivêssemos há 25 séculos.
Maniqueísmo é simplificação empobrecedora de qualquer análise.
As opções entre o bem e o mal costumam ser
simplificações maniqueístas.
Nem mesmo as múltiplas tonalidades do cinza, tão em voga, permitiram às pessoas assumir completamente que - além de todas as infinitas e contínuas variações entre o branco e o preto - existe todo o arco-íris, irradiando ou refletindo as mais diversas emanações cromáticas. E entre o bem e o mal, a despeito de existirem posições bem estabelecidas de certo e errado, há tantas variações que deglutem as dicotomias analíticas com uma voracidade tão grande que não se concebe que não seja percebida por um observador mais ou menos arguto.
O mais engraçado é que, nesse quiproquó de valores, as pessoas assumem a democracia como absoluta. Logo ela, que varia mais que todos os conceitos extemporâneos. O caso é que os conceitos de outrora estão estabelecidos e sedimentados - por pertencerem a sociedades de outrora - não mutando mais de acordo com transformações sociais que não ocorrem, pois o já havido é estático! Mas a democracia, para essa há tantos conceitos quanto seres pensantes: cada um tem dela a ideia que deseja, e a pinta com as cores advindas de sua inspiração, vinda da ideologia que vier! Todos amam uniformemente a democracia, amando-a como amam o próprio ego - pois a democracia que todos desejam é aquela situada unica e exclusivamente dentro de si! Democracia é ótimo, perfeita mesmo - desde que seja aquela que eu tenha em mim.
Depois disso, vêm a adoração de democracia como corolário adverso de ditadura. E a dicotomia ditadura-democracia ressurge entre nós como a contraposição entre os regimes burocrático-militar (de 1964, neste caso) e seus antecedentes e sucedâneo. Há mais que isso, democracia nunca foi o contrário de ditadura (nem para Aristóteles!). Quando as pessoas juram que amam a democracia, penso que elas estejam apenas querendo dizer que odeiam ditadura. Eu também odeio ditadura - exceto se eu for o ditador - como todo mundo! Como não hei de ser ditador, democracia deve ser melhor.
Mas ainda não vi um conceito de democracia tão amplo que possa ser adotado e praticado; por enquanto, só vejo a adesão acrítica ao termo, à falsa noção de que ele contém um (ou mais de um) valor universal amplamente partilhado!

6 de março de 2016

Lula lá em Curitiba - a hora e a vez de termos um ex-presidente na cadeia vai chegar

Quando o Lula foi conduzindo coercitivamente a depor, sendo depois liberado, tive uma pequena impressão de que ele teria marcado alguns pontos depois, chamando a si a militância, fazendo-se de vítima. Depois, fui chamado à razão: aquele evento não fez ninguém mudar de opinião. Os prós continuaram pró, os contras continuaram conta. Mas as posições se acirraram. Estamos mais perto do conflito deflagrado, das vias de fatos - pois não há argumento que demova mais ninguém, tampouco há possibilidade de convivência.
A estrela do petê está destruída, sem remédio!
O petê já é uma página virada na história,
só falta arrancá-la e jogar no lixo.
Eu não engulo, não ouço e não argumento com a canalha do petê, com asseclas, com eleitores, com torcedores, com militantes virtuais. Adotei ruptura radical. Não argumento com criminosos.
Sei de outras pessoas no mesmo pé. Mas não é pé de guerra!: a guerra é uma expressão sonante da política! É hora de irmos à caça, pois essa é a expressão adequada à perseguição e ao extermínio de seres abjetos e inumanos. Guerra é conflito em campo de honra - e não há honra contrária a ser combatida nessa jornada. Temos que dar caça sem dó à corja que se nos opõe - os que estão contra a gente de bem que, felizmente, ainda grassa por todo o Brasil. Sim, certamente, vamos caçar e cassar - um pelo outro e os dois simultaneamente!
O que eu sinto que as pessoas ainda não perceberam - ou perceberam mas não querem admitir que vai acontecer - é que estamos interrompendo um projeto revolucionário de poder do petê e que este partido clepto-sindical não vai largar fácil a presa que já teve tão bem segura...Vamos ter sangue... Quanto mais cedo agirmos, menos vítimas haverá. 

Todavia, não vejo escapatória:

  • Haverá sangue derramado em nossas ruas, nossas praças. Estamos à beira de uma convulsão sem precedentes.

A parcela que votou nessa gente nas eleições anteriores, e nas anteriores, e nas anteriores, sabia perfeitamente em que tipos estavam votando, e não se incomodavam em eleger bandidos - vão continuar torcendo por eles e muitos os vão defender com unhas e dentes. Não há racionalidade no processo. É adesismo gratuito. É como torcida: não têm nenhuma perspectiva de benefício pessoal, mas o time é sagrado! Vão lutar pela bandeira vermelha, tolamente, e o solo também ficará vermelho do sangue derramado!
Não há filosofia, doutrina nem perspectiva concreta de benefício direto. Mas a população (em todas as camadas!) age de acordo do o comando do capitão do time! Noção parva de fidelidade... em que muito o futebol serviu a construir! Agora, é o que temos! Uma gente comezinha que não está disposta a parar e começar a pensar. Uma gente que cresceu sem princípios éticos válidos, no vigor da lei de Gerson - e que não tem outro parâmetro! E essa gente é maioria! E vivemos em uma democracia, onde a maioria elege e os eleitos governam! Estamos lascados!
Não reinstauraremos os princípios do bom, do justo e do certo sem que haja mortes dos dois lados (que nem estão bem definidos! - não há Norte e Sul).
Ah, mais um comentário a que sabem o endereço: presunção de inocência não passa de ficção legal, assim como a impossibilidade de alegar desconhecimento da lei. Quando os crimes são notórios, a autoria inquestionável e a fuga iminente, diante do clamor público e da necessidade de manutenção da ordem e da segurança, cabe prisão!

Sem concluir nada:

  • Não sei de onde as pessoas retiram tanta fé nas instituições do Estado. Eu vejo tudo opaco, esmaecido, pútrido, embolorado.
  • Senhoras e senhores, estão entendendo que o Planalto está bem articulando um golpe de Estado? Sem chance de vingar, mas tentarão!