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| Um só partido ou partido nenhum? |
Um só partido nacional - aqui quero propor passar a conversa por esse ponto. Existe mesmo PT como partido, tanto quanto certamente já terá havido? Sabemos que um dos pontos teóricos que qualificam a existência partidária (e fica claro que estamos descartando outras abordagens formalistas ou segmentárias) é a existência de um núcleo de demanda permanente, difusa e universal. De meu ponto de vista, essa demanda no PT se exauriu, ao conquistar o Estado; o que existe de projeto nuclear passou a ser a manutenção do poder, em detrimento de outras propostas que deixaram de ser atividades fim para se tornarem meios na consecução de tais objetivos. E pior, meios sempre justificados pelo fim, acima de quaisquer peias éticas e apenas levemente contidas pela coerção jurídica.
As bandeiras ideológicas (expressas na dicotomia esquerda-direita) perderam o significado prático, passando a ser mero vínculo romântico com um discurso de outrora ou de além-mar. O discurso sindicalista-reivindicatór io esbarrou na realidade da possibilidade do mercado, da furiosa tributação que sustenta a leviatânica máquina assistencialista, na política econômica internacional, pautada pelo socorro de cada player a si mesmo.
Que temos? Um grupo que se aparelhou e ocupou todas as esferas da vida pública; em cujo topo há um núcleo de cerca de 40 pessoas listadas pelo MP como formadores de quadrilha, sub judice no STF. Depois disso um segmento médio vindo quase todo da obscuridade de quadros estaduais e municipais que sempre agiu no interesse de se servir de suas funções mais que servir ao interesse coletivo - até por não existir mais um interesse difuso palpável: falta o grande projeto.
Enfim, a militância. Quem são esses, que abraçam uma causa que não compreendem, até mesmo por não existir, mas que aderem a uma bandeira que tremula com motes sem glosa? Não são praticamente os mesmo que ocupam boa parte da vida e de suas motivações em outras aderências das quais não auferirão nenhum benefício privado ou coletivo? Não são os torcedores do PT os mesmos que torcem por Flamengo aqui, Atlético ali ou Bahia acolá? Mangueira ou Portela esporadicamente. Cesares Cielos de vez em quando. Não é a mesma torcida por uma Copa ou Olimpíada, como se fossem metas reais de desenvolvimento nacional?
Aderem então à bandeira vermelha da estrela, torcendo pelo sindicalista do filme, o herói de boa catarse, com fala de povo quando fala ao povo, sem diploma, mas que foi devidamente preparado por algumas das mais destacadas mentes da academia, sem berço, mas que se tornou interlocutor de tudo que se possa chamar elite pelo mundo afora. É o gato-borralheiro, cujos votos lapidaram o sapato de cristal.
E agora? Existe mesmo partido, existe demanda clara, existe pacto ou delegação nítida para o exercício desse mandato do 1º de janeiro? Que rumo será dado por essa senhora sacada da algibeira para suceder dom Sebastião em sua desconhecida eclipse?
Bem, o caso aqui é a pergunta: o que é o PT agora? Por quanto tempo se sustentará como aparelho de Estado? Haverá fôlego para ultrapassarem a barreira da década no controle que assumiram, sem proporcionarem serviços que ultrapassem a barreira do imediato, setorial, ou personalíssimo?
O nosso querido povo, torcedores que são, nem se importam se o time a cada ano é formado por profissionais muitíssimo bem pagos. Quer gols. Quer a alegria de êxitos pontuais. Êxitos de um pênalti ou de uma Tv de LED. De uma taça de campeão ou de um carro financiado para passar por ruas que não os comportam - e assim por diante.
Vivemos num país continental sem ferrovias, sem hidrovias, sem aerovias suficientes. Aqui pela região Sudeste e Sul temos a ilusão de que coronelismo foi fenômeno dos dois quartéis iniciais do XX; vá-se ao Tocantis ver quem é o dono lá, ou às Alagoas ou ao Ceará - capitanias hereditárias. E partido? Que partido? Um que tem discurso, ou tinha, de combater aqueles que hoje se enfileram em suas tropas de choque? E quem não vê? O povo vê, mas que importa? Já que no futebol os jogadores são vendidos entre os times, basta trocar a camisa e a adesão é instantânea. Basta esse ou aquele figurão apoiar dom Sebastião que fica remido. E o partido, há?
As bandeiras ideológicas (expressas na dicotomia esquerda-direita) perderam o significado prático, passando a ser mero vínculo romântico com um discurso de outrora ou de além-mar. O discurso sindicalista-reivindicatór
Que temos? Um grupo que se aparelhou e ocupou todas as esferas da vida pública; em cujo topo há um núcleo de cerca de 40 pessoas listadas pelo MP como formadores de quadrilha, sub judice no STF. Depois disso um segmento médio vindo quase todo da obscuridade de quadros estaduais e municipais que sempre agiu no interesse de se servir de suas funções mais que servir ao interesse coletivo - até por não existir mais um interesse difuso palpável: falta o grande projeto.
Enfim, a militância. Quem são esses, que abraçam uma causa que não compreendem, até mesmo por não existir, mas que aderem a uma bandeira que tremula com motes sem glosa? Não são praticamente os mesmo que ocupam boa parte da vida e de suas motivações em outras aderências das quais não auferirão nenhum benefício privado ou coletivo? Não são os torcedores do PT os mesmos que torcem por Flamengo aqui, Atlético ali ou Bahia acolá? Mangueira ou Portela esporadicamente. Cesares Cielos de vez em quando. Não é a mesma torcida por uma Copa ou Olimpíada, como se fossem metas reais de desenvolvimento nacional?
Aderem então à bandeira vermelha da estrela, torcendo pelo sindicalista do filme, o herói de boa catarse, com fala de povo quando fala ao povo, sem diploma, mas que foi devidamente preparado por algumas das mais destacadas mentes da academia, sem berço, mas que se tornou interlocutor de tudo que se possa chamar elite pelo mundo afora. É o gato-borralheiro, cujos votos lapidaram o sapato de cristal.
E agora? Existe mesmo partido, existe demanda clara, existe pacto ou delegação nítida para o exercício desse mandato do 1º de janeiro? Que rumo será dado por essa senhora sacada da algibeira para suceder dom Sebastião em sua desconhecida eclipse?
Bem, o caso aqui é a pergunta: o que é o PT agora? Por quanto tempo se sustentará como aparelho de Estado? Haverá fôlego para ultrapassarem a barreira da década no controle que assumiram, sem proporcionarem serviços que ultrapassem a barreira do imediato, setorial, ou personalíssimo?
O nosso querido povo, torcedores que são, nem se importam se o time a cada ano é formado por profissionais muitíssimo bem pagos. Quer gols. Quer a alegria de êxitos pontuais. Êxitos de um pênalti ou de uma Tv de LED. De uma taça de campeão ou de um carro financiado para passar por ruas que não os comportam - e assim por diante.
Vivemos num país continental sem ferrovias, sem hidrovias, sem aerovias suficientes. Aqui pela região Sudeste e Sul temos a ilusão de que coronelismo foi fenômeno dos dois quartéis iniciais do XX; vá-se ao Tocantis ver quem é o dono lá, ou às Alagoas ou ao Ceará - capitanias hereditárias. E partido? Que partido? Um que tem discurso, ou tinha, de combater aqueles que hoje se enfileram em suas tropas de choque? E quem não vê? O povo vê, mas que importa? Já que no futebol os jogadores são vendidos entre os times, basta trocar a camisa e a adesão é instantânea. Basta esse ou aquele figurão apoiar dom Sebastião que fica remido. E o partido, há?
Leia mais neste blog: Reforma eleitoral - Mudando, só por mudar... - Aos voluntários nas ONGs - Causa perdida - Pela volta do vosmecê






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