Para não ficar fora de moda, andei meditando sobre minhas posições na vida: queria encontrar algo a que renunciar.
Examinei bem, pensei no exemplo de grandes homens que renunciaram: Carlos V (de Espanha e metade da Europa), Jânio Quadros, Nixon, Ratzinger...
Achei um gesto de renuncia serviria para enaltecer minha biografia.
Renúncia é algo inesperado, num mundo em que a vaidade das situações alcançadas se supera por outra situação acima. Muita gente perde o rebolado quando não tem mais como se promover, como dar outro passo escada acima, morro acima... Um alpinismo social sem fim. Taí o Lula, como exemplo disso mais perto de nós.
Sem dúvida, falta alguma renúncia a minha vida.
Assim sendo, e decidido que a tautologia de renunciar à renúncia é meio simplista, pus-me à busca, em metódico exame de consciência, sobre que ato ou fato, posição situação ou posse, deverá recair minha renúncia. Deveria ser algo de valor expressivo, para se revestir da significância e relatividade representativa que faça da renúncia um momento expressivo em minha biografia.
Teria que ser algo que afetasse, de forma mais ou menos impactante, também a interesses de outras pessoas - para que haja alguma repercussão.
Estabelecidos tais parâmetros, dei tratos à bola e matutei bastante. Assim, venho de público anunciar minha decisão.
Saibam todos, a quem interessar possa: formal e irretratavelmente, renuncio, nesta data, por este ato - em plena consciência e após haver refletido sobre a ação, renuncio a todas e quaisquer dívidas contraídas. Amém.