19 de dezembro de 2008

Servir: quase 50 anos de colaboração...

Faço parte com movimento escoteiro há tempos que se perdem de vista, não entremos nesse detalhe. Agora, participando ao modo do século XXI, integro a equipe Scouts no projeto World Community Grid, e acabo de receber do Capitão de nosso time, Ray Saunders (Director, Information Technology - World Scout Bureau), a informação de que nossa contribuição coletiva está prestes a integrar 50 anos de trabalhos a diversos projetos, dentre os quais relaciono aqueles com que eu contribuí, modestamente: Nutritious Rice for the World, Human Proteome Folding 2, Help Conquer Cancer, FightAIDS@Home.
Minha contribuição foi, até o momento que redijo esse post, de Total Run Time (y:d:h:m:s) 0:006:03:50:14 - seis dias, três horas, cinqüenta minutos e quatorze segundos de serviços prestados, boa ação cibernética! E o total acumulado pelo time dos Scouts, perfaz: Total Run Time (y:d:h:m:s) 49:129:23:35:30 - pertinho dos cinqüenta anos!
Atendendo a pedido da Direção Mundial, convido os escoteiros a aderirem a essa forma de serviço comunitário que é a mais simples e mais cômoda forma de nos mantermos no preceito da Boa Ação.
Team Stats for SCOUTS
Current Members: 348
Total Run Time: 49 years, 129 days
Total Results Returned: 54094
Total Points: 27063859
Para mais informações, recomendo o post Escotimo Mundial lança parceria tecnológica com a World Community Grid na tradução e serviço de nosso amigo Antônio Hezir:
Se você associa Escotismo apenas com acampamento e nós, pense de novo! Como parte das Celebrações do Século, o Escotismo Mundial lançou hoje um parceria com a World Community Grid em um esforço conjunto para criar um mundo melhor através da tecnologia da informação.

A missão da World Community Grid é criar a maior rede mundial de processamento distribuído para apoiar projetos que benificiem a humanidade. Escoteiros com acesso à internet serão encorajados a aderir como membros na nova equipe "SCOUTS" criado na World Community Grid, contribuindo com a capacidade de processamento não utilizada de seu computador com o esforço global.
Leia na íntegra no blog Buchstaben.

Por gentileza, indiquem esse post aos demais escoteiros de suas relações, contribua pelo menos assim! Obrigado, vamos Servir!

Agora você pode ler na Keimelion - revisão de textos: Quanto custa a revisão de textos? - Foco em revisões de tese e dissertações - Como funciona? - Recomendações dos orientadores

16 de dezembro de 2008

Violência e reação

Temos vivido tempos de violência; na ficção e no cotidiano, recrudesce a visibilidade da violação da integridade física, psicológica, social e econômica da pessoa. Não precisamos acumular dados, datas e números, para convencer nenhum leitor do fato posto. Acredito que estejamos unanimemente cientes de que é a situação que se nos apresenta. Refiro-me ao Brasil, refiro-me à nossa volta, ao país que tem a triste mania de achar que vai acontecer no futuro, mas em que todos ficam a esperar que esse tempo chegue.

Já discutiram as causas sociais da violência: favelização, exclusão, e outros componentes socioeconômicos bem conhecidos. Já discutiram a ineficácia do complexo sistema processual-penal. Já fizeram passeatas, discursos e manifestações a cada episódio em que a barbárie excede o caso anterior: chacinas, execuções, seqüestros. Fraudes pantagruélicas enxugaram bancos, seguradoras e empresas de todo tipo de atividade, produzindo lesões difusas que ninguém sente mas todos purgam.

Não vou bater mais nessas teclas, já é bem conhecido o som que elas produzem – e que se perde sem eco. A questão que ponho é que é hora de reagir. Não estou postulando uma reação social, coletiva, uma mudança de leis ou manifestação pacífica de abraço coletivo a algum prédio público. Isso dá em nada. Comove, alimenta a pauta do jornal mais próximo que não tenha nada melhor que publicar, depois cai no limbo à primeira ocorrência mais efervescente.

O tipo de reação que postulo é a reação individual, exatamente aquela que é condenada pelo senso comum, aquela que se implantou na média da classe média, segundo a qual não se reage ao assalto, não se intromete na vida alheia nem para salvá-la, não se deve ir à rua depois que o Sol se põe. Essa postulação de passividade, não-reação, submissão ou como quer que a chamemos tem sua lógica, pode até salvar vida. Pode, em caso particular – mas não garante a sobrevivência em caso de assalto ou outro tipo de agressão. Do ponto de vista geral, a somatória da passividade de cada um é o estímulo à continuidade da agressão a outrem. Se ninguém vai mesmo reagir, como tem acontecido, assalta-se um aqui, outro ali, outro mais adiante – ninguém fará nada mesmo, todos foram treinados para não reagir. E a polícia, treinadíssima para reagir mal, atabalhoadamente, contra gregos e troianos – uma falange de interesse próprio na guerrilha urbana, não pode e nunca poderá estar presente em todos os pontos.

Quem está, ou deveria estar, em todos os pontos é o cidadão. O cidadão é que deve se tornar apto a se defender e a praticar a defesa mútua. Defesa recíproca é princípio fundante da sociedade. Às milícias é delegado o poder de polícia para exercer por nós o uso da força, mas a delegação não exclui a autodefesa nem a substitui. Se estivermos preparados para exercer a coerção contra terceiros que se aventurem à agressão, ao roubo, essa será a forma eficaz de coibir a escalada da violência.

E devemos, no meu entender, estar aptos ao exercício da legitima defesa no limite do risco real que a situação apresente. Entendo que seja útil ter arma em casa. Mas não precisamos de um revólver para ir ao cinema no shopping. Se alguém tentar entrar à força na casa da gente, o fará antes que possamos recorrer ao serviço público de proteção, mas num ambiente público, repleto de segurança, qualquer atentado é resguardado pelos inúmeros recursos de segurança coletiva disponibilizados. Em nossa casa, temos que resguardar a segurança privada. Fique claro: segurança pública e segurança privada são distintas, embora interdependentes.

Para possuir e saber fazer bom uso de uma arma é preciso treinamento, é preciso prática. Assim como para uma reação física a um assalto em via pública é preciso alguma preparação, é preciso, sobretudo, o correto julgamento da oportunidade e eficácia da reação. O que postulo é que as pessoas se preparem para reagir.

Claro que existe a possibilidade de insucesso em qualquer reação contra violência, por mais preparada que esteja a vítima. Mas a reação já é, em si, a frustração do agressor. O que o agressor espera é a passividade. Se hoje ínfima parcela das vítimas reage, e a polícia e as leis não coíbem nem coibirão a violência – esse é o fato que nos circunda, fica facílima para os meliantes a agressão, o assalto. Se parcelas significativas da população passarem a reagir, estou certo de que a redução da violência se dará em proporção escalar à daqueles que se preparem para agir na defesa de seus interesses próprios ou dos coletivos contra a passividade postulada.

Sei que minha tese é contrária ao que se prega, ao que os especialistas recomendam, conheço razoavelmente a discussão sobre o tema. O que pergunto é qual tem sido o resultado da política desses especialistas? Qual tem sido o efeito da passividade do cidadão diante das múltiplas violações de sua integridade física e patrimonial? A passividade atinge tal proporção que nem mais à polícia se recorre, nem para narrar os fatos, pois todos sabem que recorrer aos órgãos de segurança pública é só prolongar o episódio, sem nenhum efeito. Ninguém vai à polícia se for furtado na esquina, pois a maior probabilidade é que nada seja feito. Na remota hipótese de que a polícia pegue o meliante, na semana seguinte ele estará, na mesma esquina, pronto a se vingar do desavisado que violou seu direito de espoliar transeuntes naquele sítio. A passividade ultrapassou a não-reação ao assalto, mas alcança o desprezo pelo recurso às autoridades, pois ele seria até contraproducente. – É melhor não fazer nada. É assim que se pensa. É assim que estamos sendo destreinados para não-agir. Estamos sendo desprovidos dos recursos que existem à disposição para exercermos as habilidades naturais de defesa de nossos interesses, bens, direitos e tranqüilidade.

A reação que estou pregando é comportamental, é individual com benefícios coletivos. É que cada um tome suas providências em benefício de todos. Se cada vez for maior a probabilidade de encontrar um morador armado dentro de casa, menor será possibilidade de que o meliante se aventure à invasão. Se for maior a possibilidade de ser detido na esquina, é bem pouco provável que alguém assalte no meio do quarteirão.

Estamos em guerra, tal a escalada da violência. Vai haver vítimas de ambos os lados. O que estou pretendendo é vencer a guerra, estar do mesmo lado em que nasci, nesse conflito social, e ver o fim da beligerância, ver a redução da insegurança pública. Vai haver vítimas, inclusive algumas dentre aqueles que reagiram. Mas a reação, em si, já é a frustração do sucesso do meliante. Ele não quer a violência, ele quer o lucro fácil. A violência é o meio para alcançar o lucro, mas mais que isso: a hipótese da violência é a coerção de que o meliante dispõe para o sucesso de seu objetivo. Se a hipótese da reação passar a ser tão vívida quanto tem sido a da passividade, a expectativa de lucro fácil se reverte e a redução da criminalidade só pode ser a conseqüência.

Modo de sobrevivência


Recortando daqui e dali, deparei-me com essa fantástica contabilidade que reproduzo de graça, citando as fontes:
"A cada ano, 50.000 brasileiros são assassinados, o que dá 138 brasileiros por dia, ou 414 a cada três dias. Se a questão é que “um homossexual é assassinado a cada três dias”, isso dá 1 a cada 414 pessoas. Ou seja, 0,25% dos assassinatos totais. Ocorre que “... o movimento gay declara que o número de homossexuais na população brasileira atinge o percentual de 10%...”. Juntando essas duas afirmações, se verídicas (procedem, ambas dos grupos gays) chega-se à conclusão que morrem menos homossexuais do que o restante da população (414 x 10% = 41). Isto é, morrem 40 vezes menos homossexuais do que heterossexuais. De acordo com essas estatísticas distorcidas, a melhor forma de escapar com vida, no Brasil, é virar gay."

11 de dezembro de 2008

Sentença judicial de 1833.

Clique na imagem para ampliar.



Vermelhos e amarelos (12)

Segundo Ricardo Arreguy Maya:
“Das lúgubres lombrigas aos lapsos pós-maçônicos, Públio Athayde empreende uma parábola de grande introjeção. Às vezes cavaqueado e carnavalizante, tudo ali transpira. Entrementes, a julgar pelos adornos tipicamente neo-kantianos, impõe-se com sua prosódia em prosopopéias de grande subjetivismo acutangular. Engajado e engajante, pinturesco, sua messe quase messalínica e telúrica atua como metaplasmas lingüísticos em sua ode à frialdade pagã.”

Públio Athayde,
Óleo sobre tela de juta colada sobre eucatex.
(OST) 90cm por 120 cm, 2006
À venda.

Ricardo Arreguy Maia é
Aprendiz de Polyhistor
e servente de pedreiro
na beirã da albufeira da Aguieira,
em Santa Comba Dão.



9 de dezembro de 2008

Proxêmica

Proxêmica se define como "conjunto das observações e teorias referentes ao uso que o homem faz do espaço como produto cultural específico". Neste artigo apresento algumas observações particulares em diversos aspectos do tema e uma proposta de escala discreta para avaliações.
Proxêmica



7 de dezembro de 2008

Direito e Democracia em Habermas: Faticidade, Validade e Racionalidade

Texto em que discuto as disfunções do Estado Moderno, que afogam a vida coletiva, destroem o “sentido” do público e anulam a crença na vida democrática (enquanto a própria maquinaria da 3ª revolução científico-tecnológica instiga o individualismo e a solidão) e ajudam a desvincular os homens das formas de solidariedade mínima que emprestaram certa coerência aos atuais padrões civilizatórios e ao próprio Estado Moderno, decadente e sem rumo.

Direito e Democracia em Habermas: Faticidade, Validade e Racionalidade



5 de dezembro de 2008

Eu “Ouro Preto”


Pois é, essa crônica tem o nome do bolg do Ronald Peret, mas ele é meu amigo há tempo suficiente para eu tomar essa liberdade de pedir emprestado um título sem comunicar antes. Além do mais, de muita história de nossas infâncias, temos em comum Ouro Preto, terra mais que própria para vivermos as histórias de sempre, da infância, adolescência, maturidade... E vivermos as histórias de antes, de nossos pais, avós... E as histórias de quem está na história: Olímpia Cota, Bené da Flauta, Tiradentes – gente que não existe mais, mas cujas histórias eternizaram e mitificaram seus nomes, apelidos e feitos.

Eu “Ouro Preto” é título, aqui e lá no blog do Ronald, mas esse título é verbo, percebem? Eu “Ouro Preto”, tu ouro pretas, ele ouro-preta, nós ouropretamos... É o verbo ouropretar, regularíssimo, conjugável em todos os tempos, modos e pessoas. Todos podem ouropretar, todos podem praticar a ação de viver Ouro Preto que o verbo expressa. Mas ouropretar expressa sentir a cidade, interpretá-la, tentar compreendê-la, passar pelo menos uma noite gélida perambulando em meio à névoa, entrevendo as ruas e as torres, e pelo menos um dia tórrido no alto do morro apreciando o conjunto setecentista. Em ponto menor, ouropretar pode ser até despencar de ônibus pelo meio da manhã, passar pelo Pilar em meia hora, correr para São Francisco e Conceição, engolir um feijão tropeiro com torresmo, ver um museu de cada lado da Praça Tiradentes e voltar para a rodoviária. Mas fazer isso é sempre uma experiência incompleta de ouropretação.

Nem todos têm o privilégio do Ronald e meu, que pudemos ouropretar desde o primeiro vagido e seguir ouropretando por décadas. Mas não é o tempo que conta, não é o tempo da quantidade de horas, semanas ou anos. O que conta é á intensidade do olhar, a obliqüidade da análise, a sutileza de perceber as diferenças do aroma da cidade na canícula de uma estiagem invernal ou na bolorenta invernada das consoadas. O que conta é tentar aprender a distinguir a voz o Elias dentre seus pares. É saber qual pedra da capistrana oferece risco quando garoa. Para entender as coisas que mencionei nas últimas frases, precisa ter ouropretado o suficiente para consumir no Chafariz o angu de uma bruaca de fubá. Tem que ter tomado cafezinho de mocotó e de jacuba na cozinha.

Ouropretar é viver os tempos da cidade, o tempo de agora, pois a cidade está viva, pulsante, se transformando, crescendo. Ouropretar é viver Vila Rica no tempo geológico, de seus morros que escorrem quando a piçarra satura de águas, em aluviões de ouro ou de morte, riqueza ou miséria. É viver os tempos das artes, nos resquícios de saramenha, nos contrafortes de São João, nos arcos das sete pontes. É chorar por um verso de Dirceu e por um compasso de Lobo de Mesquita. Ouropretei Nelo Nuno e ouropretei Jair Inácio. Ouropretava Honório Esteves e ouropretava Athayde se tivesse tido chance. Mas podemos ouropretar tudo de melhor desses quantos, pois, assim como a cidade, permanecem.
Ouropretar é viver nos tempos do calendário, até mesmo da folhinha de Mariana, tão certa no tempo da chuva, do sol e do vento quando podem ser as tabelas canônicas. É viver os tempos das festas e das rezas: Amendoim, Setenário, Bom Jesus, Reisadas, Semana Santa, Cinzas, e mais meia dúzia para cada altar pela cidade afora, mais uma para cada cruzeiro, ponte, passo, oratório ou promessa feita. Ouropretar é namorar no adro, conhecer pelo menos uma centena de nomes da aguardente de cana – goste dela ou não – e saber que remédio era a cardina que mitigava as penas do Aleijadinho.

Ouropretar é viver nos tempos dos relógios, no tempo do relógio do Museu, de meia em meia hora audível nas caladas. Esse tempo que marca a divisão entre o trabalho ou estudo e o ócio. Entre construir e preservar a cidade ou fruí-la, desfrutá-la, ouropretá-la. Esse é o tempo do sono sob pilhas de cobertas, o tempo de despertar cedo para ficar mais tempo à toa, o tempo do encontro ou do desencontro – dependendo se o ouro-pretano use como referência o relógio da torre da nascente ou do poente de Santa Efigênia, suprema sabedoria do arquiteto português que, financiado pelo africano com ouro da Encardideira, dá direito de optar até no ritmo da vida. Ouropretar é fundir os tempos dos verbos e da história, é amalgamar o passado ao manhã, projetando o futuro em que se possa manter contato com o ontem.

Pode-se ouropretar cada um a seu modo, a seu tempo, a sua arte, mas garanto-lhes que sempre Eu “Ouro Preto”.



3 de dezembro de 2008

Monumento ao mau gosto

Recentemente estive em Pratápolis, Circuito das Nascentes, sudoeste de Minas Gerais. Lá me deparei com o monumento que aqui lhes apresento, esta fonte luminosa, ou fonte da obscuridade... Todas as cores reunidas em animais despropositadamente reunidos de absurda coleção de fantasia e desinformação estética.
Não sou dado a críticas qualitativas sobre a produção alheia, mas tudo tem limite: deparar-me com uma aberração desta e me manter em silêncio me faria remorso, eu sentiria culpa por conivência com tamanha agressão à paisagem.
Se o autor dessa estapafúrdia montagem não se incomodou em agredir a estética, não sou eu que me incomodarei em dizer com todas as letras que sua obra é a mais escandalosa porcaria que já vi em praça pública.
Nem o menor exercício de caridade é possível neste caso, é necessário informar urgente às autoridades que essa monstruosidade, bem na praça da Matriz da cidade, agride não só a paisagem como a inteligência e a paz de qualquer transeunte. manter essa aberração em via pública é passar atestado de completa, profunda e insanável ignorância e cegueira inclusive para a bela paisagem conspurcada por essa aberração plástica.