Para quem estiver achando algum alento no insuflo de detritos fecais petistas contra o ventilador ocorrido nesta sexta-feira, vou contrapor o argumento colhido de um sequaz daquela quadrilha, não sem razão. (Tá, a frase é barroca, mas eu assumo sê-lo.)
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| Interpretação do século XIX da travessia de Caronte, por Alexander Litovchenko. |
Disse alhures o petista cujo nome fiz imediata questão de não observar: com essa quinta milionésima e uma falcatrua que vem à luz, esperam os opositores que vá ruir o castelo que edificamos? Nenhum tremor o há de abalar porquanto o alicerce é o voto do povo, cego, surdo e mudo à bandalheira que fizermos, seja ela qual for. (Decerto que petralha não falou assim bonito, que eles não o fazem - mas o sentido era esse.)
Sobrepôs o energúmeno que não há, outrossim (e devemos usar o outrossim, conquanto seja para lhe dar sobrevida), oposição que se aproveite de escândalos, desvios ou inércia do governo como mote ou como coda. Não, não há mesmo.
Só não estamos ao deus-dará por não haver deuses que doem, quanto ao mais, os dissabores da sorte não serão alento, pois tudo sempre pode piorar, como de fato suponho que venha a acontecer.
Meus amigos diletos, meus inimigos sub-reptícios, em verdade, em verdade vos digo: não há alento ou esperança que se funde no tão decantado engodo da democracia conquanto não haja boa índole do povo, e não a havendo, como de fato não há, só nos restam as saídas pelo Estige ou pelo Aqueronte - já que nem mesmo as opções de aeroportos nos restam, todos paralisados por uma crise de obras pela Copa. Sim, o exílio em terras de Hades é o que nos sobra, além da esperança de que, no mitema da catábase, alguns trânsfugas lúcidos possamos retomar à Pátria conspurcada em uma ou duas décadas.


