14 de março de 2016

Bolsonaro é a bola da vez?

Na verdade, são pouquíssimos os que apoiam Bolsonaro, ele mesmo. Muitos querem algumas partes do discurso radical, a metralhadora giratória, a verborreia eloquente e até a coerência das propostas dele. Postar-se num córner, qualquer um, e abrir fogo em leque de ângulo obtuso é uma estratégia política conhecida. Na verdade, só quem parece não conhecer a fundo as estratégias políticas são os eleitores: caem e continuam caindo em todo tipo de esparrela: Bolsonaro é só mais uma, Collor e Lula já foram outras!
O problema de engolir essas histórias é que você não compra só uma parte do discurso, quando se vota numa pessoa, nesse sistema maluco que temos, você dá uma procuração (sem cláusula de controle) para o fulano fazer o que deseja pelo tempo que conseguir! Tanto faz se é um executivo ou um parlamentar: entregue o diploma eleitoral, o eleito está com o cabresto solto. Pode fazer o que der na telha.
Bolsonaro está se apresentando como "Capitão Brasil"!
Sem opção, eleitor pode tacar na caçapa de Bolsonaros.
Assim, em nosso sistema, alguém pode disser isso, isso e mais isso na campanha; depois, pode fazer aquilo, mais aquilo e aquilo outro - impunemente! Não há nenhum vínculo entre propostas eleitorais ou eleitoreiras e exercício de mandato. Nem se trata da discussão entre mandato delegado e mandato outorgado (se não sabe o que são, veja no Google!) - trata-se do mais puro e constante "estelionato eleitoral", essa maluquice de que Dilma e PT são arquétipos.
Até certo ponto, essa geleia asquerosa que desacreditou totalmente o sistema eleitoral para os eleitores é devida a meleca que é o sistema partidário (sem programas, sem identidade, sem fidelidade, sem caráter, venal, circunstancial, fluido, burocrático...), mas também se pode creditar ao constante desvio de função entre executivo, legislativo e judiciário e a obsolescência do sistema de controle (checks and balances) entre três poderes que não alcançam mais a totalidade do Estado, que não são independentes e muito menos harmônicos.
Bolsonaro é, para uns, o caçador de marajás da vez; para outros, ele representa as qualidades (!!!) do regime militar; para alguém, ele encarna a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé; outros veem nele Tradição, Família e Propriedade; deve haver quem projete até a Ku Klux Klan no deputado. Ele espelha as taras e frustrações de muita gente e quer amealhar todos esses votos díspares. Depois, o que ele fará - se eleito for, seja lá para o que for - será exatamente o que pensa ser necessário, útil ou de seu interesse, não importa muito (como já vimos!): o mandato é sem peias! A família já está representada em diversos foros políticos, vem aí um clã, à moda dos Sarneys ou dos Magalhães? Talvez até pior: não estão circunscritos ao longínquo estado das Alagoas ou à folclórica Bahia.
Enquanto isso, continuamos brincando de política e de democracia, como se fosse um joguinho de sinuca: a cada lance há uma bola da vez - com possibilidade de apostas fora da sequência. Para ficar nessa metáfora, convenhamos, estamos mesmo é numa tremenda sinuca de bico! Para quem não sabe, é aquela posição em que não se pode alcançar diretamente a bola da vez, ficando forçado a uma aposta temerária. Quem serão os deputados de 2018? Kim Kataguiri e Fernando Holiday? Dois é um número pequeno demais para um país de 200 milhões. Quem serão os senadores de 2018? Marco Antônio Villa e Sergio Moro? Dois continua sendo pouco. Feitos os expurgos que a maioria do dia 13 de março execrou, quem são as lideranças que sobram no Brasil? Meia dúzia de gatos pingados! Não teremos bolas da vez em 2018 - já pensaram nessa tragédia? O povo pode mesmo acabar optando por Bolsonaros!

13 de março de 2016

Eu e o povo brasileiro...

Eu e o povo brasileiro (hehe) hoje fomos às ruas meter o pé na bunda de dona Dilma, dr. Lula e da cambada toda que anda com eles. Senti a ausência da geração de 16 a 30 anos. Fiquei orgulhoso com os poucos, mas digníssimos manifestantes de 80 e 90 anos que vi! Foi dado o recado. Esperemos que seja uma pressão clara sobre as instituições - elas são lentas, lenientes, lascivas. Não acho que esse tipo de manifesto seja suficiente para que ocorram as transformações de que necessitamos: mas é o que temos para o momento.
Eu estive nas manifestações contra Dilma e Contra Lula na Praça da Liberdade.
Públio e o povo...
Pontos negativos: a falta de lideranças, falta de projeto, falta de propostas.
Pontos positivos: nenhum salvador da pátria, nenhum milagre prometido, nenhum ídolo conduzindo a massa.
O PT sentiu nosso pezão no seu traseiro, mas eles o têm balofo, capaz de acomodar mais de um chutaço e o têm demonstrado: cumpre-nos continuar chutando para ver até quando eles aguentam, cada vez aguentarão menos (ou se virarão com paus e pedras contra nós!). Acho que, além de chutes meio que a esmo, ainda que na direção do fiofó dos petistas, precisamos tomar ações mais eficazes, mais coordenadas, menos vazias. Precisamos que surjam projetos que, mesmo perdendo alguns prosélitos no percurso, sejam capazes de catalizar esforços no sentido de institucionalizar as demandas. Vivemos em Estado, queira-se ou não. É pela via do Estado - cuja figuração devemos rediscutir - que se processarão os anseios da massa (ou de parte dela! ainda não existe sistema que agrade a todos, por mais que louvem a democracia.)
Estamos quase nos livrando de Dilma e do PT. Se continuarmos assim, nem precisamos de parlamentarismo: cada vez que um presidente mijar (muito) fora do pinico, a gente vai lá e planta o pé nele! Imaginem se houvesse um parlamentarismo hoje, com a troca de governos sendo decidida por aquele parlamento que temos lá! Estão vendo?, não está nessa troca de regime a solução. O caso é melhorar as instituições sem ficarmos presos a velharias. Obsolescências de regimes, de pessoas, de sistemas, de vícios: não, obrigado!
Temos que parar para pensar sim, não vou dar a receita assim facinho (a menos que me contratem como consultor geral da república!). Acha que vão te servir tudo na bandeja? Não, ninguém vai servir nada, então, trate de botar a cachola para funcionar: pense! Nem dói tanto, garanto. Eu tenho feito isso a vida toda, e nem tomo muitos analgésicos. Pare de usar a cabeça apenas para separar as orelhas. Leia uns livros: pelo menos para saber quais são as velhas ideias que se tornaram descartáveis.
Quando você já estiver disposto a pensar e houver juntado algumas informações básicas, reúna-se a outras pessoas no mesmo estágio, discutam, quebrem o pau. Quem disse que decisões coletivas são fáceis? Se disseram, mentiram: juro que deixar tudo na mão de um ditador ou de outro salvador da pátria pode parecer bem mais cômodo. Depois, é só arcar com as consequências. Olhem nos livros: não são bons os resultados, no longo prazo, dá-se com os burros n'água - inexoravelmente. Parabéns se você leu até aqui, seu caso não é perdido. Agora, trate de ler alguma coisa menos superficial e pensar com mais profundidade. Depois, querendo, pode vir conversar comigo ou procure alguém que você ache mais simpático ou mais sabido. Há muitas opções.

12 de março de 2016

Lula será preso

A condução coercitiva de semana passada e o pedido de prisão algo insólito desta semana prepararam o terreno para Moro. Não haverá novidade quando o ex-presidente for encarcerado. Amigos e inimigos já estão devidamente preparados para o evento. Argumentos jurídicos há para qualquer coisa. A depender de argumento de defensores e prosélitos ninguém seria preso - jamais!
Lula atrás das grades é só uma quetão de tempo
Já pensaram se ele também pleitear delação premiada?
Não vai sobrar República no Brasil.
Falta agora o decreto de prisão, por parte da juíza paulista e algum eventual habeas corpus. São os próximos passos, perfeitamente previsíveis. Haverá o decreto e o HC? Quem viver verá, mas sua presunção já faz efeitos, tanto do ponto de vista psicológico sobre o paciente quanto da comoção social: estamos preparados agora para as marchas e contramarchas da persecução penal. Estamos preparados para a cobertura bombástica da imprensa. Estamos prontos para os argumentos de ambos os lados. Golpe, dirão uns. Justiça, dirão outros. Sabemos que será assim.
Depois desse processo paulista, em que o ex-presidente e seus familiares figuram tangencialmente, virão aqueles processos da Justiça Federal em que a família Lula da Silva é protagonista. São crimes muito mais gravosos e múltiplos que uma imputação de lavagem de dinheiro e outra de falsidade ideológica.
A prisão de Lula e de seus familiares é ponto pacífico: mais cedo ou mais tarde eles serão encarcerados. Ninguém, mais duvida disso: eu não duvido, a presidente da república não duvida, os pacientes não duvidam. Administram-se tais fatos supervenientes como certos e sabidos até pela sua peremptória negação. Negam a hipótese no intuito de aumentar a força da contestação do inexorável. Os Lulas da Silva serão presos, mas negar isso com antecedência é só preparação da defesa. É lícito, é facultado, mas será ineficaz.

Maniqueísmo democrático

Acho inconcebíveis as importações de conceitos extemporâneos para as análises atuais: liberal-conservador, esquerda-direita, comunista-capitalista, machista-feminista, revolucionário-reacionário, são paradigmas de outros tempos. Claro que há - e sempre haverá pontos de contato, mas as simplificações tendem a transpor todas as características para uma dicotomia maniqueísta cuja exponenciação levaria tudo e todos a se posicionarem entre bem (ἀρετή) e mal (κακός) ,como se vivêssemos há 25 séculos.
Maniqueísmo é simplificação empobrecedora de qualquer análise.
As opções entre o bem e o mal costumam ser
simplificações maniqueístas.
Nem mesmo as múltiplas tonalidades do cinza, tão em voga, permitiram às pessoas assumir completamente que - além de todas as infinitas e contínuas variações entre o branco e o preto - existe todo o arco-íris, irradiando ou refletindo as mais diversas emanações cromáticas. E entre o bem e o mal, a despeito de existirem posições bem estabelecidas de certo e errado, há tantas variações que deglutem as dicotomias analíticas com uma voracidade tão grande que não se concebe que não seja percebida por um observador mais ou menos arguto.
O mais engraçado é que, nesse quiproquó de valores, as pessoas assumem a democracia como absoluta. Logo ela, que varia mais que todos os conceitos extemporâneos. O caso é que os conceitos de outrora estão estabelecidos e sedimentados - por pertencerem a sociedades de outrora - não mutando mais de acordo com transformações sociais que não ocorrem, pois o já havido é estático! Mas a democracia, para essa há tantos conceitos quanto seres pensantes: cada um tem dela a ideia que deseja, e a pinta com as cores advindas de sua inspiração, vinda da ideologia que vier! Todos amam uniformemente a democracia, amando-a como amam o próprio ego - pois a democracia que todos desejam é aquela situada unica e exclusivamente dentro de si! Democracia é ótimo, perfeita mesmo - desde que seja aquela que eu tenha em mim.
Depois disso, vêm a adoração de democracia como corolário adverso de ditadura. E a dicotomia ditadura-democracia ressurge entre nós como a contraposição entre os regimes burocrático-militar (de 1964, neste caso) e seus antecedentes e sucedâneo. Há mais que isso, democracia nunca foi o contrário de ditadura (nem para Aristóteles!). Quando as pessoas juram que amam a democracia, penso que elas estejam apenas querendo dizer que odeiam ditadura. Eu também odeio ditadura - exceto se eu for o ditador - como todo mundo! Como não hei de ser ditador, democracia deve ser melhor.
Mas ainda não vi um conceito de democracia tão amplo que possa ser adotado e praticado; por enquanto, só vejo a adesão acrítica ao termo, à falsa noção de que ele contém um (ou mais de um) valor universal amplamente partilhado!

6 de março de 2016

Lula lá em Curitiba - a hora e a vez de termos um ex-presidente na cadeia vai chegar

Quando o Lula foi conduzindo coercitivamente a depor, sendo depois liberado, tive uma pequena impressão de que ele teria marcado alguns pontos depois, chamando a si a militância, fazendo-se de vítima. Depois, fui chamado à razão: aquele evento não fez ninguém mudar de opinião. Os prós continuaram pró, os contras continuaram conta. Mas as posições se acirraram. Estamos mais perto do conflito deflagrado, das vias de fatos - pois não há argumento que demova mais ninguém, tampouco há possibilidade de convivência.
A estrela do petê está destruída, sem remédio!
O petê já é uma página virada na história,
só falta arrancá-la e jogar no lixo.
Eu não engulo, não ouço e não argumento com a canalha do petê, com asseclas, com eleitores, com torcedores, com militantes virtuais. Adotei ruptura radical. Não argumento com criminosos.
Sei de outras pessoas no mesmo pé. Mas não é pé de guerra!: a guerra é uma expressão sonante da política! É hora de irmos à caça, pois essa é a expressão adequada à perseguição e ao extermínio de seres abjetos e inumanos. Guerra é conflito em campo de honra - e não há honra contrária a ser combatida nessa jornada. Temos que dar caça sem dó à corja que se nos opõe - os que estão contra a gente de bem que, felizmente, ainda grassa por todo o Brasil. Sim, certamente, vamos caçar e cassar - um pelo outro e os dois simultaneamente!
O que eu sinto que as pessoas ainda não perceberam - ou perceberam mas não querem admitir que vai acontecer - é que estamos interrompendo um projeto revolucionário de poder do petê e que este partido clepto-sindical não vai largar fácil a presa que já teve tão bem segura...Vamos ter sangue... Quanto mais cedo agirmos, menos vítimas haverá. 

Todavia, não vejo escapatória:

  • Haverá sangue derramado em nossas ruas, nossas praças. Estamos à beira de uma convulsão sem precedentes.

A parcela que votou nessa gente nas eleições anteriores, e nas anteriores, e nas anteriores, sabia perfeitamente em que tipos estavam votando, e não se incomodavam em eleger bandidos - vão continuar torcendo por eles e muitos os vão defender com unhas e dentes. Não há racionalidade no processo. É adesismo gratuito. É como torcida: não têm nenhuma perspectiva de benefício pessoal, mas o time é sagrado! Vão lutar pela bandeira vermelha, tolamente, e o solo também ficará vermelho do sangue derramado!
Não há filosofia, doutrina nem perspectiva concreta de benefício direto. Mas a população (em todas as camadas!) age de acordo do o comando do capitão do time! Noção parva de fidelidade... em que muito o futebol serviu a construir! Agora, é o que temos! Uma gente comezinha que não está disposta a parar e começar a pensar. Uma gente que cresceu sem princípios éticos válidos, no vigor da lei de Gerson - e que não tem outro parâmetro! E essa gente é maioria! E vivemos em uma democracia, onde a maioria elege e os eleitos governam! Estamos lascados!
Não reinstauraremos os princípios do bom, do justo e do certo sem que haja mortes dos dois lados (que nem estão bem definidos! - não há Norte e Sul).
Ah, mais um comentário a que sabem o endereço: presunção de inocência não passa de ficção legal, assim como a impossibilidade de alegar desconhecimento da lei. Quando os crimes são notórios, a autoria inquestionável e a fuga iminente, diante do clamor público e da necessidade de manutenção da ordem e da segurança, cabe prisão!

Sem concluir nada:

  • Não sei de onde as pessoas retiram tanta fé nas instituições do Estado. Eu vejo tudo opaco, esmaecido, pútrido, embolorado.
  • Senhoras e senhores, estão entendendo que o Planalto está bem articulando um golpe de Estado? Sem chance de vingar, mas tentarão!